sexta-feira, março 04, 2011

RELIGIÃO NA ESCOLA


Hélio Schwartsman
Clipping Educacional – Folha.com. br

"O que são as histórias da Bíblia? Fábulas, contos de fadas?", pergunta a professora do 3º ano do ensino fundamental. "Não", respondem os alunos. "São reais!"
A cena, que teve lugar numa escola pública de Samambaia, cidade-satélite de Brasília, abre a reportagem de Ângela Pinho sobre o ensino religioso no Brasil, publicada no último domingo na Folha. É um retrato perfeito da encrenca em que essa disciplina, que vem crescendo e hoje abarca mais ou menos a metade das escolas do país, nos lança.
Se as historietas bíblicas são reais, como quer a professora, então nós temos vários problemas. Procedamos por ramos do saber, a começar da física. De acordo, com Josué 10: 12, Deus parou o Sol para que os israelitas pudessem massacrar os amorreus. Mesmo que eu não duvidasse da onipotência do Senhor, pelo que sabemos hoje de mecânica, nada na Terra sobreviveria a uma súbita interrupção de seu movimento de rotação. Em quem o aluno deve acreditar no professor de religião ou no de ciência?


A física não o comoveu? Que tal a geologia? Pela Bíblia, a Terra tem cerca de 6.000 anos --5.771, a confiar nas contas dos rabinos. Pela geologia, são 4,5 bilhões. É difícil, para não dizer impossível, conciliar a literalidade das Escrituras com a existência de fósseis com idades substancialmente maiores que os seis milênios. Do lado de qual professor o aluno deve perfilar-se?
Talvez o problema esteja nas ciências "duras". Passemos às humanidades. A Bíblia, como todo mundo sabe ou deveria saber, é a fonte da moral, e os ensinamentos que ela traz nessa área são incontestáveis. Será? Em várias passagens, o "bom livro" autoriza ou mesmo manda fazer coisas que hoje consideraríamos horríveis, como vender nossas filhas como escravas (Êxodo 21:7) e assassinar parentes que abracem outras religiões (Deuteronômio 13:7). Se julgamos que a ética se aprende através de exemplos livrescos, sugiro trocar as Escrituras pelo mais benigno Marquês de Sade.


OK. Alguém pode argumentar que essa professora é uma exceção. Afinal, ela parece estar sustentando a inerrância da Bíblia, conceito que, no Brasil, é defendido por poucas religiões, notadamente adventista e testemunhas de Jeová. Para as demais, as Escrituras não precisam e nem podem ser tomadas ao pé da letra.
Admito que essa mudança de discurso nos livra de algumas das dificuldades mais vexatórias --já não precisamos conciliar o criacionismo da Terra jovem com as aulas de ciência--, mas nem de longe acaba com elas.
Como já expliquei numa coluna antiga, embora seja em teoria possível juntar uma teologia um bocadinho mais sofisticada com a seleção natural neodarwinista, essa conciliação acaba resultando num Deus menos atuante, que cria as leis do universo e se retira. Ocorre que esse é o Deus de Newton e de Leibniz, mas não o das pessoas que vão a cultos. Para elas, um Deus que não ouve preces e não interfere nos destinos dos humanos é inútil. E esse Deus que elas querem --e que os sacerdotes pretendem colocar nas aulas de religião-- é, pelo menos no plano psicológico, incompatível com a ciência contemporânea que deveria ser ensinada nas escolas.


Não estou evidentemente sugerindo que as pessoas devam rifar Deus para ficar com a ciência. Essa é a minha opção, mas não acho que deva impô-la a ninguém. O simples fato de uns 90% da humanidade manifestar preferências religiosas é um bom indício de que essa é uma característica da espécie, como a tendência a gostar de música ou aquela quedinha por substâncias psicoativas. A verdade é que o ser humano tem algo de esquizofrênico. Só conseguimos conchavar crenças religiosas, que de algum modo acabam apelando ao impossível ou improvável, com o rigor lógico exigido pelo método científico, porque nosso cérebro está dividido em módulos. "Grosso modo", quando a parte responsável pelo pensamento lógico está ativa, inibe a área da religião, e vice-versa. Com esse mecanismo, as contradições, quando não passam despercebidas, tornam-se digeríveis.


Até para facilitar esse processo, não convém que religião e ciência sejam ensinadas no mesmo espaço. Para que a criançada aprenda desde cedo a distinguir o discurso do "logos" (científico) do "mythos" (religioso), é melhor que a escola trate apenas da ciência e que a religião fique a cargo dos templos.
Cuidado, não estou afirmando que não seja possível estudar a religião com ferramentas científicas. Em princípio, a sociologia, a antropologia, a psicologia e a neurociência estão aí para isso. Mas convém lembrar que estamos falando aqui de crianças de 6 a 15 anos, muitas das quais mal conseguem aprender português e as operações aritméticas básicas. Não me parece que a abordagem científica da religião deva ocupar um lugar muito alto na lista de prioridades. De resto, duvido que o lobby que advoga pelo ensino religioso esteja ansioso para ver a fé submetida a exame crítico.
Para além da cabeça da garotada, o ensino religioso na rede oficial também gera uma série de problemas institucionais. Como eu escrevi em texto que acompanhou a reportagem principal, a existência dessa disciplina em escolas públicas fere a separação entre Estado e igreja.


Pelo menos em teoria, o Brasil é um Estado laico. Não há religião oficial e o artigo 19 da Constituição proíbe expressamente o poder público de estabelecer cultos religiosos, subvencioná-los ou manter com eles relações de dependência ou aliança. É claro que a teoria soçobra antes mesmo de chegarmos ao artigo 19. O próprio preâmbulo da Carta invoca a "proteção de Deus", e o artigo 210 prevê o ensino religioso nas escolas públicas de ensino fundamental.


Vale aqui observar que a única Constituição verdadeiramente laica que tivemos foi a de 1891, que rompeu com a Igreja Católica e eliminou quase todos os seus privilégios. As que a sucederam reintroduziram o ensino religioso.
Embora doutrinadores gostem de dizer que não há contradição entre os artigos 19 e 210, é forçoso reconhecer que colocá-los lado a lado gera pelo menos um mal-estar. Não é o único. A diferença é que, ao contrário de outros estrépitos constitucionais, que conseguem passar relativamente despercebidos, esse está produzindo consequências.
Por considerar que o Estado não pode regular matéria religiosa sem romper sua neutralidade diante delas (que caracteriza o laicismo), o CNE (Conselho Nacional de Educação) optou por não fixar parâmetros curriculares nacionais para a disciplina. A decisão é institucionalmente correta (e constitui uma prova indireta do erro que foi colocar o ensino religioso na escola pública), mas gerou um deus nos acuda, onde cada Estado definiu ao sabor da conjuntura política local como a matéria seria ministrada.
As pesquisadoras Debora Diniz, Tatiana Lionço e Vanessa Carrião, em "Laicidade e Ensino Religioso no Brasil", traçam um panorama desse pequeno caos.
Pelo que elas puderam levantar Acre, Bahia, Ceará e Rio de Janeiro optaram por um sistema confessional, que não se distingue da educação religiosa oferecida em escolas ligadas a igrejas. Não é preciso PhD em Direito para constatar que esse tipo de ensino afronta o dispositivo da Lei de Diretrizes e Bases da Educação que veda o proselitismo no ensino religioso.
Os demais Estados menos São Paulo escolheram o modo interconfessional, no qual as religiões hegemônicas se unem contra as mais fracas e contra ateus e agnósticos para definir um núcleo de valores a ser ensinado aos alunos. Tampouco é um exemplo de defesa dos direitos das minorias.
Apenas São Paulo fez uma leitura um pouco mais crítica dos mandamentos constitucionais e se definiu pelo ensino não confessional. Pelo menos no papel, aqui as crianças têm aulas de história das religiões, no que é provavelmente a única forma de juntar sem produzir muitas fagulhas o ensino religioso com o princípio da separação entre Estado e religião.
Resta apenas responder por que a laicidade é assim tão importante. O problema com as religiões reveladas é que elas trazem absolutos morais. Se a lei foi baixada pelo Altíssimo, apenas querer discuti-la já representaria uma segunda ofensa contra o Criador. E utilizar absolutos na política --religiosos ou ideológicos-- é ruim porque eles a descaracterizam como instância de mediação de conflitos. O remédio contra isso, como já intuíram no século 18 os "philosophes" do Iluminismo francês e os "founding fathers" dos EUA, é a separação Estado-igreja. Ela facilita o advento da política como arte da negociação e, mais importante, favorece a noção de que minorias têm direitos que devem ser protegidos mesmo contra a maioria. Aqui, paradoxalmente, o laicismo se torna a principal força a proteger as religiões umas das outras.


Analise você e ver se procede!

Hélio Schwartsman, 44 anos, é articulista da Folha. Bacharel em filosofia publicou "Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão" em 2001. Escreve para a Folha.com.


quarta-feira, março 02, 2011

CONTABILIDADE DAS IGREJAS

Deputado gay pedirá abertura da contabilidade das igrejas que recebem dízimo e criará projeto de legalização do casamento gay!


O deputado Jean Wyllys, do PSOL-RJ, pretende colocar em discussão no Congresso Nacional a imunidade fiscal das igrejas e propor a abertura de sua contabilidade para saber o destino do dízimo. A proposta de examinar as contas das igrejas é um contra-ataque à articulação dos deputados evangélicos para derrubar a portaria do Ministério da Fazenda que autoriza a partir deste ano que homossexuais com união estável façam declaração conjunta do Imposto de Renda, beneficiando-se com abatimento.
 
Wyllys disse que também vai usar a ilegalidade e a exceção para questionar o regime fiscal privilegiado das igrejas. “Posso também exigir do ministro uma explicação por que as igrejas não prestam contas à sociedade. Se os partidos políticos prestam, por que igrejas não?”. Para Wyllys, a articulação dos evangélicos é homofóbica. Ele vai se reunir como lideranças que defendem as causas dos homossexuais, como a senadora Marta Suplicy (PT-SP), para organizar a reação aos evangélicos.

PEC do Casamento Gay

O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), ex-BBB, afirmou nesta quinta-feira (24), em seu discurso de estreia na Câmara, que pretende apresentar um projeto de emenda à Constituição (PEC) que garanta o direito do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

“Em parceria com outros sete parlamentares, estou reestruturando a Frente Parlamentar Mista pela Cidadania GLBT [Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgênero] e apresentando uma proposta de emenda constitucional que assegura aos homossexuais o direito do casamento civil. Se o estado é laico, os homossexuais têm de ter todos os direitos e leis garantidos. Inclusive o direito ao casamento civil”, disse o deputado.

“Em parceria com outros sete parlamentares, estou reestruturando a Frente Parlamentar Mista pela Cidadania GLBT [Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgênero] e apresentando uma proposta de emenda constitucional que assegura aos homossexuais o direito do casamento civil. Se o estado é laico, os homossexuais têm de ter todos os direitos e leis garantidos. Inclusive o direito ao casamento civil”, disse o deputado.

“Em parceria com outros sete parlamentares, estou reestruturando a Frente Parlamentar Mista pela Cidadania GLBT [Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgênero] e apresentando uma proposta de emenda constitucional que assegura aos homossexuais o direito do casamento civil. Se o estado é laico, os homossexuais têm de ter todos os direitos e leis garantidos. Inclusive o direito ao casamento civil”, disse o deputado.

“Em parceria com outros sete parlamentares, estou reestruturando a Frente Parlamentar Mista pela Cidadania GLBT [Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgênero] e apresentando uma proposta de emenda constitucional que assegura aos homossexuais o direito do casamento civil. Se o estado é laico, os homossexuais têm de ter todos os direitos e leis garantidos. Inclusive o direito ao casamento civil”, disse o deputado.
fonte:http://noticias.gospelmais.com.br/deputado-jean-wyllys-contabilidade-igrejas-dizimo-projeto-casamento-gay-17034.html.

Coitado desse deputado! quando a mão de Deus pesar sobre ele, aí ele verá o que acontece com quem meche com o povo de Deus!!! 
 



Enquanto isto, o que NÓS a Igreja de Cristo estamos fazendo!?

terça-feira, março 01, 2011

TÃO DIFÍCIL!

Por Que é Tão Difícil Fazer o Ano Bíblico?



Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho.” Salmos 119: 105

Quantas vezes você já começou a fazer o ano bíblico? E quantas vezes conseguiu concluir a leitura da Bíblia?
Há algum tempo atrás, uma de nossas leitoras perguntou por que é tão difícil fazer o ano bíblico. Prometi que faria um post para discutirmos sobre isso, e estou vindo cumprir a promessa!
São vários os motivos que podem levar uma pessoa a desistir de fazer o ano bíblico.
Podemos listar alguns, como:



  • Não ter hábito de leitura. Muitos brasileiros sofrem desse mal;
  • Assistir muita televisão. Pessoas que são intensamente estimuladas pelos atrativos da televisão têm certa dificuldade em manter-se concentrado em algo tão quieto como um livro;
  • Ausência de rotina. Quando não se escolhe o horário de leitura é mais fácil deixar para depois, e acabar não fazendo a leitura do dia. Com o tempo, os capítulos vão se acumulando e a pessoa desiste de continuar, pois está bem atrasada;
  • Não tratar a leitura da Bíblia como prioridade. Muitas pessoas acham desnecessário fazer o ano bíblico, acham que a leitura que é feita através do estudo da lição da escola sabatina é o suficiente, e por isso se empenham muito pouco em programar-se para ler a bíblia em um ano;
  • Dificuldades com o entendimento da leitura. Algumas pessoas sentem dificuldades de entender o que está lendo, em determinadas partes da bíblia, e com isso acabam desanimando de prosseguir na leitura;
Para essas dificuldades, apresentamos abaixo algumas sugestões:



  • Desenvolva o hábito de ler. Visite blogs adventistas na internet, ou escolha capítulos pequenos da Bíblia e do Espírito de Profecia para meditar diariamente (além da lição da escola sabatina e da meditação matinal). Divida com outras pessoas aquilo que aprendeu em sua leitura. Sinta o prazer que existe em ler e descobrir coisas novas, e em algum tempo, ler será algo natural para você!
  • Assista menos televisão. Troque os telejornais por jornais impressos, ou na internet, troque os filmes por livros. O muito assistir televisão gera uma necessidade de estimulação do cérebro que não é obtida em uma atividade calma como a leitura de um livro. Ao ler as histórias presentes na Bíblia, procure imaginar as cenas, e condicione o cérebro a um novo tipo de estimulação;
  • Escolha um horário e, se possível, um local para realizar a leitura diária. Não permita que nenhum dia termine sem que você tenha lido os capítulos que havia programado!
  • Escolha uma versão da Bíblia que tenha uma linguagem acessível para você. Hoje existem muitas versões que atendem a essa possível dificuldade.
É importante frisarmos que mais importante que ler a Bíblia inteira em um ano, é estudar a Bíblia diariamente. Não com uma leitura superficial, mas com uma meditação profunda em seus ensinos!

Bem pouco benefício, porém, se tira de uma leitura apressada das Escrituras. Poder-se-á ler a Bíblia inteira e, contudo deixar de reconhecer-lhe a beleza ou compreender lhe o sentido profundo e oculto. Uma passagem que se estude até que seu sentido seja claro ao espírito e evidente sua relação para com o plano da salvação, é de maior valor do que a leitura de muitos capítulos sem ter em vista nenhum propósito definido e sem adquirir nenhuma instrução positiva. Levai convosco a Bíblia. Quando tiverdes oportunidade, lede-a; fixai as passagens na memória. Mesmo enquanto estais a andar pela rua, podeis ler uma passagem e meditar sobre ela, fixando-a assim.” Caminho a Cristo, p. 90
Que a Palavra de Deus ilumine nosso caminho!

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

JMM EM 2011

Campanha da JMM em 2011

apresenta realidade islâmica







Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira apresenta para as igrejas brasileiras, neste ano, mais uma Campanha de mobilização missionária. O tema em 2011 é “Eles também precisam da graça do Pai” e pretende mostrar a realidade dos povos não alcançados na África e Oriente Médio, milhares de pessoas que têm perecido sem a salvação. O objetivo é fazer com que os crentes do Brasil atentem para as necessidades espirituais desses que ainda não gozam do amor que vem do Céu.
Portanto, ore em favor da população desses países que estão plena ebulição política, em busca de libertação temporal e espiritual. Clame a Deus para que os cristãos naqueles países, ainda que apenas uma minoria, seja usada poderosamente na sinalização do Evangelho e ajudem seus conterrâneos a encontrarem a salvação em Cristo Jesus.

  

A CURA PARA IGREJA




Por Leonardo Gonçalves Publicado originalmente no Púlpito Cristão
Que a igreja brasileira não está vivendo o seu melhor momento, não é nenhuma novidade. Basta pesquisar a palavra “igreja” no Google para se dar conta do quanto a instituição carece de integridade e doutrinamento. No entanto, creio que apenas criticar os novos rumos do cristianismo tupiniquim, com seus pastores-apóstolos, profetas mercenários e pregadores cheios de estrelismo, não ajuda a resolver o problema. Obviamente, sei reconhecer o valor de uma crítica bem articulada, mas desprezo a atitude de quem somente destrói sem edificar nada no lugar, apenas pelo prazer de ver os escombros. A agressividade de quem só ataca sem oferecer uma resposta satisfatória à problemática eclesiástica e a hostilidade de quem aponta o problema, mas é incapaz de (tal como Neemias) ser a resposta ao próprio clamor é tão reprovável quanto à conduta dos mercadores da fé. Em síntese, tal atitude redunda em hipocrisia e grande desejo de aparecer às expensas daqueles que são objeto da sua fúria voraz.
Nesse ínterim, mentes esclarecidas argumentam contra o atual estado das coisas, mas na maioria dos casos, esquece-se de dizer como as coisas deveriam ser. Preocupam-se em execrar os farsantes, mas não indicam outra via uma possível eleição. Deste modo, acaba-se promovendo uma generalização banal. A “apologética denuncista”, tão popular nos últimos anos, acaba fortalecendo o estereótipo latente no imaginário popular de que todo pastor é ladrão e que igreja evangélica é sinônimo de bandalheira.
Não quero assumir nenhuma postura messiânica. Não tenho o brilhantismo de Lutero, nem o zelo teológico de Calvino. Falta-me a coragem de John Huss e Wyclyffe, e sobra-me o pedantismo e a inconstância de Pedro. Sendo assim, ninguém mais improvável do que eu, para querer dogmatizar a apologética ou indicar a única via possível para a restauração da igreja evangélica neste país. Apesar disso, a paixão que tenho pela igreja, somada a “pouca experiência” de 10 anos como plantador de igreja, me conferem um pouco de autoridade para abordar este tema tão polemico. E visto que tenho falado sobre indicar o caminho sobre o qual a igreja evangélica brasileira deve trilhar para desenvolver-se de modo saudável, passarei a discorrer sobre aqueles tópicos que, a meu ver, deveriam ser tratados com mais responsabilidade pelos líderes eclesiásticos do nosso Brasil.
Primeiramente, a igreja brasileira precisa de pastores com vivência apologética. Observe que não estou falando de pregação apologética, mas de vivência apologética. Não creio que pregar contra a rosa milagrosa, o sabonete ungido e a fogueira santa seja mais necessário que a integridade ministerial. Já dizia um antigo pastor:
“uma grama de testemunho vale mais que um quilo de pregação”.
A crise da igreja evangélica brasileira não é apenas teológica; ela é moral. A própria “teologia atual” com sua ênfase na prosperidade adquirida através de vultosas ofertas nada mais é do que o reflexo do caráter hediondo dos seus arautos, verdadeiros estelionatários que já estariam atrás das grades, se este fosse um país sério. A vida do ministro sempre falará mais alto que seu sermão, razão pela qual sua vida, e não apenas o seu sermão, deve ter ênfase apologética. Pietismo, santidade, pudor, vergonha na cara, devem ser buscados mais do que as unções, os poderes, as línguas e as profecias.
Em segundo lugar, nossa liderança precisa ser mais tolerante com respeito à liturgia, adequando-se ao mundo contemporâneo. Precisamos deixar de perder tempo discutindo se podemos ou não dançar, se o rock é de Deus ou do diabo, se devemos ou não aplaudir, e concentrar-nos mais no evangelho de Jesus. Peço desculpas pelo tom de desprezo, mas sinceramente acho ridículas as discussões presbiterianas sobre “salmodia exclusiva”, e risível o argumento pentecostal de que a verdadeira musica sacra foi escrita há cem anos. Se temos como objetivo comunicar as verdades espirituais aos homens e mulheres do nosso tempo, precisamos de uma liturgia que se adapte as necessidades do mundo contemporâneo.
Logo, em terceiro lugar, penso que a igreja evangélica precisa de contextualização missionária. Isso decorre do segundo ponto: O povo brasileiro é ímpar por causa da sua diversidade cultural, e isso vai refletir na igreja. No entanto, a maioria dos pastores brasileiros parecem insensíveis a essa diversidade cultural, e acabam impondo a linguagem e os costumes do “gueto gospel” aos incrédulos. Dessa forma, criam uma geração de crentes estereotipados, meros papagaios de chavões de mau gosto: “Fala vaso!”, “Oh, varão, tem fogo aí?”, e outras fraseologias que são acessíveis apenas aos iniciados e que excluem a todos os demais. Precisamos de uma igreja cuja pregação se adapte a linguagem, contexto e necessidades do povo brasileiro.
Precisamos resgatar a pregação cristocentrica, a mensagem da justificação pela fé, e enfatizar estas verdades em todo tempo, pois elas são o cerne da teologia protestante. Nossas igrejas não possuem ênfase cristocentrica em seus ensinos. Aliás, para ser sincero, Cristo é um personagem coadjuvante nas pregações hodiernas. Fala-se muito sobre Davi, Sansão, Elias e Eliseu, profetas e reis do Antigo Testamento, mas muito pouco se fala sobre os méritos da cruz e sua aplicação na vida do crente. A justificação pela fé permanece apenas na qualidade de dogma, pois na prática o que vale mesmo é a teologia da barganha, da permuta, do “fiz por merecer”. A doutrina da justificação pela fé é o contraponto para refutar as heresias da prosperidade e a manipulação do sagrado, tão propaladas no meio “euvangélico” atual, sendo esta mais uma razão pela qual ela deve ser enfatizada.
Em quinto lugar, se queremos ser realmente bíblicos em nossa forma e propósito, precisamos elaborar uma eclesiologia menos centralizadora, que faça jus a doutrina protestante do sacerdócio de todos os crentes e introduza os leigos no ministério cristão, servindo com seus dons. Uma das maneiras de conseguir isso é através de pequenos grupos, reuniões caseiras, criando uma estrutura que promova a comunhão ao mesmo tempo em que permite que os crentes descubram seus talentos e ministrem a outros. Ao fazê-lo, estaremos permitindo que “a justa operação de cada parte produza o crescimento”.
Finalmente, creio que devemos ser sensíveis o suficiente para perceber até que ponto vale à pena lutar contra o sistema, e em que ponto é necessário abandonar o barco. Como disse no início deste texto, opor-se ao mercantilismo evangélico, as barganhas e vida pecaminosa dos líderes eclesiásticos, sem dispor o próprio coração para ser você mesmo a cura que a igreja precisa, nada mais é do que palavrório vão. As “igrejas S/A” tem ferido a milhares de pessoas, e é preciso que se levantem servos de Deus para apascentar, restaurar e reorientar estas pessoas. Há uma grande necessidade de igrejas sadias no nosso país e eu oro para que alguns dos críticos de hoje ultrapassem a barreira da crítica pela crítica e se proponham a ser a mudança que a igreja precisa. Oro para que muitos dos que hoje acusam a igreja de tantos pecados, se disponham a serem, eles mesmos, os líderes que anelam ver.
É claro que há muitos outros aspectos em que a igreja brasileira pode e deve melhorar, mas creio que se conseguirmos aplicar estes, já teremos feito um grande progresso.

Fonte: http://igrejinha.org.br
Leonardo Gonçalves ama a igreja e deseja amá-la cada vez mais. Sonha com uma igreja diferente e se dispôs a ser – ele mesmo – a resposta da sua oração. E você? Será que você está disposto a se transformar na igreja que você sonha ver? Está disposto a se transformar no líder ético e espiritual que você anela ter? #isso_é_reforma!
 Vale a pena Ler.

domingo, fevereiro 27, 2011

GOGUE E MAGOGUE

                                                                                                                         Por Antônio Gilberto




(Ezequiel, caps. 38 e 39)

Nos capítulos 38 e 39 de Ezequiel temos uma importante profecia sobre a batalha de Gogue e Magogue que ocorrerá nos “últimos dias”, após os judeus retornarem à sua terra. (Ez 38.16).

Ezequiel, no cap. 38 explica que p grande chefe da banda do Norte, chamado Gogue, reunirá uma confederação de nações para juntos invadirem Israel. Outras nações, em vão tentarão evitar essa agressão. Uma vez consumada a invassão, Deus interverá, destruindo o agressor, usando como arma um grande terremoto e fogo do céu. 

Como resultado desta batalha, Gogue perderá 5/6 das suas forças (Ez 39.2, na Versão autorizada). Israel levará sete meses para enterrar restos mortais das tropas de Gogue, e mais sete anos para remover os escombros dessa guerra (Ez 39. 9,12). 

Os Participantes da Batalha de Gogue 

Gogue, o chefe da região Norte, que comandará esta invasão, terá um reino chamado Magogue, composto de duas regiões denominadas Meseque e Tubal. De acordo com Gênesis 10.2, Meseque e Tubal eram os nomes de dois filhos de Jafé. Na profecia de Ezequiel, estes nomes não se apaíses da atualidade, mas á regiões do globo que hoje fazem parte da região da Rússia.

Os aliados de Gogue serão o Irã (Persas), Gômer (leste da Europa), Cuxe e Pute (Centro e Norte da África), e Túrquia (Togarma). Os oponentes de Gogue são também mencionados na profecia: Sabá e Dedã, são antigos países da atual Península Arábica. Os mercadores de Társis antigamente referiam-se ao oeste da Europa como os “leões”, e os tinham como aliados. 

A Época da Batalha de Gogue e Magogue 

No Novo Testamento encontramos referências a outra batalha de Gogue e Magogue, predita como tendo lugar no final do Milênio, quando Satanás uma vez solto de sua prisão, liderará o mundo numa rebelião contra o reinado de Cristo. Porém, esta batalha de apocalipse é inteiramente diferente da que é mencionada em Ezequiel. 

É importante que o leitor compreenda as distinções entre estas duas batalhas que levam o nome de Gogue e Magogue, para evitar uma grande confusão. Primeiramente, a batalha mencionada em Ezequiel ocorrerá nos “últimos dias” do domínio gentílico neste mundo (Ez 38.16). No contexto da passagem de Ezequiel, juntamente com outras semelhantes, esta batalha deverá ocorrer no início da Tribulação, ao passo que a batalha mencionada em Apocalipse muito depois: no final do Milênio (Apoc  20. 7,8). 

Vejamos outras distinções entre estas duas batalhas:



(Ezequiel 38 e 39)
  
1.  A batalha segue-se a um período de tempo em que o nome de   Deus estará sendo profanando (Ez 39.7).
2.  Deus dirige Gogue em direção à Israel (Ez 38.16).       
3. A invasão vem somente do Norte; de algumas nações bem identificadas na Bíblia (Ez 38. 15). 
4. O propósito de Gogue nesta invasão é saquear Israel (Ez 38. 12)

(Apocalipse 20)
1. A batalha segue-se a um período de tempo de glória milenária (Apo 20. 6). 
2. Satanás dirige Gogue e Magogue contra Israel (Apo 20. 9). 
3. Nesta invasão de Gogue as nações do mundo inteiro, são incitadas à guerra Apo 20. 7, 8).
4. As nações são enganadas, pelo Diabo e se rebelam contra Deus para destruírem Jerusalém (Apo 20. 8).



Logo se torna evidente, que quando o apóstolo João usou a expressão Gogue e Magogue em apo 20. 8, estava usando estes nomes como títulos, simbólicos, representando os últimos inimigos de Israel. 

Alguns eruditos desenvolveram outra teoria: que a profecia de Ezequiel 38; 39 trata-se da Batalha de Armagedom mencionada em Apo 16.16. Comparados os livros de Ezequiel e apocalipse e mais Joel, sobre o assunto, vê divergências insolúveis para se manter esta posição. Vejamos a seguir uma idéia destas divergências. 

(Ezequiel 38; 39)

1) Deus conduz a Gogue (Ez 38.16; 39.2) 
2) Limitado número de nações participam da invasão de Israel, (Ez 38. 2, 5, 6).
3) Sobrevive 1/6 dos invasores (Ez 39. 2 –  (versão autorizada).
4) A batalha é precedida de um tempo de grande prosperidade em Israel (Ez 38. 8, 11).

(Apocalipse)


1) A Besta conduz os exércitos das nações amotinadas contra Cristo (Ap 19.19). 
2) Participação mundial das nações na guerra contra o povo de Deus (Ap 19. 21). 
3) Nenhum inimigo sobrevivente (Ap 19. 21). 
4) A batalha é precedida de grande tribulação, com intenso sofrimento para Israel (Ap 12. 17; 13. 7). 


A batalha de Gogue e Magogue, de Ezequiel 38 e 39, é precedida de uma outra batalha: a do “Rei do Sul” contra a Besta (o mesmo que o anticristo), no “tempo do fim”, descrita em Dn 11.40. o “Rei do Sul” será então um bloco de nações norte e centro-africanas que atacarão a Besta, certamente por motivo da aliança firmada entre esta e Israel. A seguir, o “Rei do Norte” (o bloco soviético) atacará também a Besta, certamente pelas mesmas razões. A seguir o “Rei do Norte” atacará também Israel, sendo destruído sobrenaturalmente no próprio território de Israel (Dn 11. 45). 

A Batalha de Gogue e Magogue no Contexto dos Eventos Finais 

1) Israel faz uma aliança de paz e defesa mútua com a Besta (o mesmo que o Anticristo), Dn 9.27.  o império da Besta é sem dúvida os países do MCE e seus aliados. 
2) O “Reino do Sul” (um bloco de nações norte e centro-africanas árabes) atacará a Besta, certamente em oposição ao tratado de defesa mútua Israel/Besta (Dn 11.40). 
3) O “Rei do Norte” atacará a Besta, em oposição ao tratado Besta/Israel (Dn 11.40).
4) O “Reino do Norte” e seus aliados atacarão e invadirão Israel e serão sobrenaturalmente destruídos no próprio território desse país. É a Batalha de Gogue e Magogue, de Ez 38  e 39.
5) A Besta trairá Israel, rompendo o pacto feito com ele e invadindo-o com a adesão de outros países do Oriente Médio (Dn 11.41-45). Aqui terminam os primeiros três anos e meio do pacto de sete anos que fora feito entre a Besta e Israel, e, tem início os últimos três anos e meio. Esse período é da Grande Tribulação; a sua fase pior.
6) A Besta e seus exércitos serão destruídos sobrenaturalmente  Armagedom, ao aparecer Jesus em Glória, em Jerusalém (Ap 19. 11-14,19-21). 

O Propósito da Batalha de Gogue e Magogue e Outros Eventos Simultâneos. 

Deus usará os sofrimentos da tribulação futura para cumprir seus propósitos para com os judeus, o seu povo. No capítulo 37 de Ezequiel, os ossos secos foram se juntando, porém, sem vida. Assim Israel se reunirá e se organizará como nação, sem a regeneração do Espírito, a qual vem somente pela fé em Cristo. A guerra de Gogue e Magogue para destruir Israel, e o milagre da intervenção poderosa de Deus, serão os meios, de conduzir o povo de Israel ao arrependimento e à vida espiritual. O próprio Ezequiel explica o propósito de Deus nesta batalha.

 “Manifestarei a minha glória entre as nações.. desse dia em diante, os da casa de Israel saberão que eu Sou o Senhor Seu Deus”.
Ezequiel 39.21,22.

Na ordem cronológica dos eventos finais, vem a seguir a julgamento das nações e o Milênio de Cristo sobre a terra.


Mestre Antônio Gilberto


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OS QUATRO TIPOS DE AZEITE



"Mas eu sou como a oliveira verde na casa de Deus; Confio na misericórdia de Deus para sempre, eternamente” (Salmo 52:8)


Por que Davi desejou ser como oliveira verde na casa de Deus? Não o poderia ter escolhido outra planta para representar sua presença no templo?

A Oliveira: -

Uma das características mais impressionantes da oliveira é sua perenidade! Elas crescem praticamente sob quaisquer condições: nas montanhas ou nos vales, nas pedras ou na terra fértil. Crescem otimamente sob o intenso calor, com pouca água e são quase indestrutíveis! Seu desenvolvimento é lento, porém contínuo. Quando é bem cuidada, pode atingir até 7 (sete) metros de altura. Até as oliveiras doentes continuam a lançar novos ramos! Algumas árvores têm troncos torcidos e velhos, mas sempre com folhas verdes. Ainda que estejam velhas, as oliveiras não deixam de lançar de si novos ramos e dar frutos! Ate 10 ou mais mudas brotam da raiz envolta da árvore.

§   A oliveira simboliza principalmente fidelidade e perseverança. Estas duas características são principalmente resultados de nosso relacionamento com o Deus Eterno.

§   Cada árvore pode produzir até 80 litros de azeite por ano. A oliveira é um produto necessário à vida, portanto a azeitona é valiosa. Não é notável que Deus nos tenha comparado justamente a esta tão significativa árvore? Notemos como metaforicamente nos parecemos a esta árvore.

§   Assim como a oliveira nós fomos chamados pelo Eterno para darmos frutos independentes do local onde formos plantados!

§   Não importam as condições do terreno, mas sim a nossa perseverança em frutificar ali! O Eterno nos chamou justamente para que sejamos "plantados" em solos hostis para ali darmos os frutos necessários naquela situação.

Nos tempos de Davi existia em Israel um local conhecido como Moenda, onde as azeitonas eram levadas para extração de azeite. Este local continha quatro grandes pedras que giravam esmagando as azeitonas da seguinte forma:







*           Primeira Pedra- Primeiro Azeite

A primeira pedra da moenda esmagava as azeitonas e davam origem ao primeiro azeite. Este azeite era usado no templo como azeite da unção e da adoração. Davi desejou ser um adorador de Deus, mesmo que tivesse que passar pelas pedras.



*                Segunda Pedra- Azeite da Alimentação

Esmagadas pela segunda vez, das azeitonas se extrai o azeite para alimentação dos judeus. Davi desejou está na casa de Deus servindo de alimento aos mais necessitados.

"Também ungirás a Arão e a seus filhos e os santificarás para me administrarem o sacerdócio. E falarás aos filhos de Israel dizendo: Este me será o azeite da santa unção nas vossas gerações" (Êx 30:29,30).

"Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (Atos 20; 35).






*           Terceira Pedra- Azeite da Luz

A terceira prensa das azeitonas davam origem ao Azeite da Luz, usado nas lâmpadas do templo.

Davi desejou ser luz para sua geração, referência, bênção, oposição às trevas.

"Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte" (MT 5;14)

Também em Mateus (25:1a 13), na parábola das dez virgens, Jesus fala da necessidade de manter azeite nas lâmpadas para aguardar a chegada do Noivo.

O azeite da Luz representa ainda a chama do Espírito Santo que Davi desejou manter sempre acesa. Alguém sempre cheio do Espírito discerne bem todas as coisas e mantêm a comunhão com Deus.




*           Quarta Pedra - As Borras de Azeitona

Ao chegar à quarta pedra, só existiam borras de azeitonas. Essas borras seriam aproveitadas para fazer sabão, utilizado na própria moinha e também comercializado entre os judeus.

Davi desejou ser como esse sabão: Que purifica limpa. Desejou ser motivo de inspiração na casa de Deus para coisas puras.

"Quem subirá ao Monte do senhor ou quem estará no seu lugar santo? Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega sua alma a vaidade nem jura enganosamente” Sl 24:3, 4.

Davi desejou ser "oliveira verde na casa de Deus" porque conhecia todas as funções que a pequena azeitona teria na Casa de Deus, ele também sabia isso lhe custaria sacrifício, renúncia, mas, que compensaria.