sexta-feira, novembro 08, 2013

FELICIANO E MALAFAIA: SIM?!?!

Feliciano e Malafaia: SIM, Eles Representam os Evangélicos!


 Silvio Santo da Costa
Malafaia e FelicianoNão defendo em absoluto todas as coisas que Pastor Marco Feliciano pregou, admito que foi infeliz em algumas de suas colocações. Não me coaduno com a nova posição teológica da prosperidade que pastor Silas Malafaia passou a expor em seu programa e pregações (inclusive denuncio os perigos de algumas publicações de sua editora em difundir ensinos do evangelho da prosperidade que sempre carregam fragmentos da confissão positiva). Esses homens são falhos, devem ter lá os seus pecados, terão contas a prestar acerca do que falam e fazem – afinal, ninguém é perfeito. Mas, também não posso me conformar com essa desunião evangélica por conta dos dois em torno de temas que à luz da Bíblia deveriam ser de entendimento harmonioso entre todos os seguidores de Jesus Cristo.
Temos nos desviado do foco da reflexão principal quando tão somente nos ocupamos em esculachar o “homofóbico político” Feliciano e a condenar o “homofóbico pastor” Malafaia. O centro da discussão não pode continuar sendo a figura particular, isolada e polêmica dos dois. Já passou da hora de considerarmos a representatividade evangélica que detiveram – ainda que eu e você não aceitemos – isso é verdade, são esses pastores que o Brasil lê, assiste e acompanha na mídia – e querendo ou não, falando bem ou mal, protestando ou não – eles nos representam nos meios de comunicação para a sociedade. Destacaram-se cada um ao seu modo em suas plataformas como evangélicos e inegavelmente como formadores de opinião – hoje, são as pessoas mais públicas da igreja evangélica nacional. 
Precisamos parar com essa pirraça esquerdista injustificável de que Feliciano não nos representa. Escrevo a pessoas esclarecidas e bem informadas, então conclamo ao senso da consciência cristã quanto ao posicionamento social da igreja neste país. Pela via direta dos votos que Feliciano recebeu, até que você pode dizer que não te representa politicamente; mas pela dimensão dos clamores sociais (nada cristãos) e das posições políticas (nada democráticas) em Brasília, é inegável que sim, ele te representou lá como cristão! Fico a pensar se não existisse um deputado de primeira viagem como Feliciano, que num partido pequeno e de pouca influencia foi corajoso e procedeu como crente de verdade naquela até então inexpressiva comissão da casa de leis.
A inexperiência política de Feliciano, foi suprida pela ousadia e destemor frente às consequências assumidas pelo fato de defender as convicções de quem o elegeu; e penso no que teria acontecido de ainda mais nefasto naquela CDHM, com inclusões de favorecimentos às minorias (GLBTT) em detrimento dos direitos da maioria, se um Feliciano da vida não estivesse por lá? Não estou misturando religião com política, estou citando um caso que envolveu um sujeito que foi eleito se dizendo crente (e o Feliciano se diz servo de Deus), e que a exemplo do profeta Daniel em um cargo político em que sua fé foi testada, assim foi Marco Feliciano em Brasília. Esse Pastor me representou num ato de postura cristã, que nem eu sei se teria coragem de praticá-lo como Feliciano o fez, admito.
A igreja evangélica brasileira passa por sua maior crise existencial e representativa – uma crise marcada pela desarmonia bíblica de sua posição contra o pecado, de sua apresentação igual das verdades absolutadas. Será que neste país, algum crente ainda tem dúvidas quanto à distinção bíblica da natureza humana e sua identidade sexual: macho e fêmea (homem e mulher). Ainda será possível que pastores, apóstolos, doutores e teólogos tenham dúvidas abissais quanto ao que a Bíblia diz sobre práticas sexuais ilícitas tais como: fornicação, adultério, homossexualismo, lesbianismo e sodomismo? Porventura algum de nós colunistas de grandes portais de informação cristã, ainda temos dificuldade de entender a posição bíblica da constituição e modelo da família; do papel do cristão na sociedade e no trato com seus direitos e deveres civis; creio que não. Então porque essa briga, esses debates que não nos levarão a lugar algum, a não ser para tornar mais evidente de que estamos ainda mais desunidos do que nunca? Por acaso Feliciano e Malafaia estão falando contra esses princípios que todos aceitamos comumente? Claro que não; então como podemos dizer que não nos representam?
Como afirmar que Malafaia não é a exemplificação da fé evangélica na TV em algumas de suas posições? Para surpresa e desagrado de muitos, esse sujeito imperfeito, sanguíneo, quase milionário (se já não o for) e mais recente pregador da prosperidade é um dos poucos que tem se levantando nesse país como voz evangélica a favor dos direitos iguais declarados na constituição federal de 1988, não só para evangélicos – mas para todos os brasileiros. É este pastor que alguns dizem ser metido a psicólogo (ele realmente tem formação) que com a Bíblia em punho – quando perguntado em determinado programa de TV, qual era sua fala como cristão acerca da prática homossexual, citou Romanos 1.18-32 e deixou insatisfeitos os proponentes da teologia inclusiva.
Como posso dizer que esse “camarada Malafaia” (é ele que usa esse termo), não me representou? Foi um dos poucos que em rede nacional de TV a reafirmar a veracidade absoluta de um dos textos mais claros e incisivos das Escrituras contra a prática homossexual! Como posso dizer que Malafaia não me representou quando organizou um necessário movimento pró-família em tempos de destruição da mesma por essa política anticristã e liberal, apoiada sutilmente por um Estado influenciado por correntes comunistas e esquerdistas? Foi Malafaia muito antes de Feliciano, uma das poucas vozes cristãs deste país a manifestar-se pelo vigor dos direitos legais de liberdade de opinião, fé e culto; sem restrições vexatórias e supressões de leis antidemocráticas.
Na verdade meus irmãos, as Escrituras deixaram de ser nosso ponto de referência, mesmo que nossos credos doutrinários confessem crenças históricas da fé e legado cristãos, parece que elas (as Escrituras) em sua inspiração plenária, inerrância e infalibilidade, perderam autoridade para muitos de nós, frente às cosmovisões desta era pós-moderna. Realmente as verdades salutares da Palavra, deixaram de ser o nosso ponto de encontro no comum do corpo de Cristo – comunhão na confissão das verdades atemporais e sem quaisquer aculturações relativizadas, pois mesmo sendo membros de igrejas evangélicas diferentes, a luz delas (das Escrituras), como corpo místico de Cristo, deveríamos estar unidos em torno de suas sentenças inegociáveis e nada redefinidas pela vontade dos homens.
Bom, se Feliciano e Malafaia me representam como evangélico, em algumas de suas ações,também sei daqueles que que me representam negativamente na fé e na confissão cristã evangélica. Aqueles que disseram que se fossem Deus, ressuscitariam Hugo Chávez e amaldiçoariam com um câncer maligno o Feliciano – esses representam o desequilíbrio e a falta de amor cristão entre evangélicos. Aqueles que dizem que a bíblia não é inerrante e infalível – representam um cristianismo oco e cético em sua aceitação parcial e deturpante da inspiração da Palavra de Deus; aqueles que em suas revistas e publicações (do que parece  uma esquerda evangélica) descrevem apenas o lado negativo de evangélicos como Feliciano e Malafaia e que só vendem polêmicas e mais dissensões para a já desmembrada igreja nacional – esses representam os que se renderam aos encantos e apelos do humanismo secular.
Nos representam negativamente aqueles que ignorando a verdade escancarada da bíblia contra práticas imorais, através de seus doutorados acadêmicos tentam sistematizar a teologia inclusiva – que incoerência! Pergunto-lhes, qual é a nossa posição contra esses discrepantes pensadores cristãos? Porque ninguém os questiona? Será que é porque concordamos com suas posições anticristãs? Será mais edificante tentar destruir aos que de alguma forma se levantam contra erro, do que combater os que querem arrancam as raízes doutrinárias da Igreja Evangélica verde e amarela e sua posição contra o pecado?
Se amanhã, Feliciano e Malafaia pisarem na bola e comprometerem ainda mais o testemunho evangélico nesta nação com pecados explícitos (e não com julgamentos dos outros como percebemos hoje), também nos representarão mais negativamente, nem que seja por momentos. Porquanto oremos por todos esses homens para que continuem ao menos, tendo a coragem de nos representar nas reafirmações de algumas verdades que acreditamos e que muitos parecem ter esquecido!

terça-feira, novembro 05, 2013

O JULGAMENTO DO CRENTE

O JULGAMENTO DO CRENTE

II Coríntios 5. 10






A Bíblia ensina que os crentes terão, um dia, de prestar contas “antes o Tribunal de Cristo”; de todos os seus atos praticados por meio do corpo, sejam bom ou maus. No tocante a esse julgamento do crente, segue-se o estudo de alguns de seus pontes:

1)       Todos os crentes serão julgados, não haverá exceção (Rm 14. 10, 12; I Co 3. 12 – 15; 2 Co 5. 10; Ec 12. 14).

2)       Esse julgamento ocorrerá quando Cristo viver buscar a sua Igreja. (Ver Jo 14. 3 nota; cf. I Ts 4. 14 – 17).

3)       O juiz desse julgamento é Cristo (Jo 5. 22, cf. “todo o juízo”; 2 Tm 4. 8, cf. “juiz”.

4)       A Bíblia fala do julgamento do crente como algo sério e solene, mormente porque inclui: para este a possibilidade de dano ou perda (I Co 3. 15; cf. 2. Jo 8); de ficar envergonhado (I Co 3. 13 – 15). Esse julgamento, não é para sua salvação, ou condenação. É um julgamento de Obras.

5)       Tudo será conhecido! A palavra “comparecer”, significa “tornar conhecido; aberta; ou publicamente”. Deus examinará e revelará abertamente, na sua exata realidade, a)nossos atos secretos (Mc 4. 22; Rm 2. 16); b) - nosso caráter (Rm 2. 5 – 11); c) nossas palavras (Mt 12. 36, 37); d)nossas boas obras (Ef 6. 8); e)nossas atitudes (Mt 5. 22); f) – Nossos motivos (I Co 4. 5); g) – nossa falta de amor (Cl 3. 23 – 4.  1); e h)nosso trabalho e ministério (I Co 3. 13).

6)       Em Suma, o crente terá que prestar contas da sua fidelidade ou infidelidade a Deus (Mt 25. 21, 22; I Co 4. 2 – 5) e das suas práticas e ações, tendo em vista a graça, a oportunidade e o conhecimento que recebeu (Lc 12. 48; Jo 5. 24; Rm 8. 1).

7)       As más ações do crente, quando ele se arrepende, são perdoadas no que diz respeito ao castigo eterno (Rm 8.1), mas são levadas em conta quanto à sua recompensa: “mas quem fizer agravo receberá o agravo que fizer” (Cl 3. 25, cf. Ec 12. 14; I Co 3. 15; II Co 5. 10). As boas ações e o amor do crente são levados por Deus e por ele recompensados (Hb 6. 10): “cada um receberá do Senhor todo o bem que fizer” (Ef 6. 8).

8)       Os resultados específicos do julgamento do crente serão vários, como obtenção ou perda de alegria (I Jo 2. 28); aprovação divina (Mt 25. 21), tarefas e autoridade (Mt 25. 14 – 30), posição (Mt 5. 19; 19. 30), recompensa (I Co 3. 12 – 14; Fp 3. 14; 2 Tm 4. 8), e honra (Rm 2. 10; cf.  I Pe 1. 7).

9)       A perspectiva de um iminente julgamento do crente deve aperfeiçoar neste o temor do Senhor (II Co 5. 11; Fp 2. 12; I Pe 1. 17); e levá-lo a ser sóbrio, a vigiar e orar (I Pe 4. 5, 7), a viver em santa conduta e piedade (2 Pe 3. 11) e a demonstrar misericórdia e conduta a todos (Mt 5. 7; cf. 2 Tm 1. 16 – 18).




                            Que Deus nos abençoe em Cristo Jesus.

                                     Culto de Doutrina na ADMEP.

                                         Pastora, MARIA VALDA

segunda-feira, novembro 04, 2013

CRISTÃOS OU GOSPEL? - OS PERIGOS DA MODERNIDADE CRISTÃ

SER EVANGÉLICO ESTÁ NA MODA



Será que o mundo precisa de homens
como João Batista? Para gritar
no deserto da atualidade.
À bem da verdade é ser gospel. Para falarmos disso acredito ser necessário começar por falar sobre a origem desta palavra. Gospel, no original Godspell, tem o significado Palavra do Senhor, mas de início era usado no Brasil para denominar as canções cristãs, já que havia certo preconceito contra as coisas evangélicas e seus termos, assim, tudo era gospel e não se falava mais no assunto. Com a onda de conversão e pseudo conversão que assola o Brasil desde o início dos anos 90, a palavra tornou-se aceitável pelos evangélicos.

Os cristãos de hoje esquecem-se que ser diferente é o que prova a nossa filiação. Somos separados do mundo, ou deveríamos ser.

Nosso pastor nos trouxe uma palavra magnífica no que se refere a saída do Egito, mas precisamente sobre a Décima Praga, a morte do primogênitos egípcios. Ele dizia que ao ler a Palavra teve a direção de Deus para entender porque o Senhor, ao dar orientações ao povo hebreu, explicou a Moisés para marcar os umbrais da porta de suas casas com o sangue. 

O anjo que viria ceifar as vidas dos primogênitos sabia quais eram as casas dos hebreus, então qual o objetivo desta orientação?

Além de ser um marco para o próprio povo hebreu para que se lembrassem do livramento do Senhor, era para dar-nos a idéia que o povo de Deus tem uma marca. Esta marca hoje não é representativa, como foi o sangue do cordeiro, é real e deve ser notada na diferenciação do mundo.

Se o Sangue de Cristo nos purifica de todo pecado e nos separa do mundo, então o que fazíamos de errado antes da conversão deve ser deixado para trás e visto como abominação (II Coríntio 5,17). O próprio apóstolo diz: O que roubava não roube mais, antes trabalhe para que se torne útil ao seu irmão (Efésios 4,28) e deixa adverte ainda que não devemos dar lugar ao diabo (verso 27).

Deixando para trás a velha criatura e seus hábitos, estaremos nos portando de forma diferente, com o objetivo de agradar ao Senhor e mostrar ao mundo o poder de seu senhorio em nossas vidas.

Jesus levou na cruz os nossos pecados
voltar a eles é tornar inútil seu
sacrifício. Algo pra não esquecer:
Ele disse vou ao
meu Pai,mas voltarei
Principalmente o que é imoral, ilícito e que trás ruína ao nosso novo ser, os vícios que destrói nosso corpo, que agora passou a ser templo do Espírito Santo e assim deve permanecer santificado por sua presença em nós (I Coríntios 6,19). O apóstolo Paulo adverte aos romanos e à nós também que não devemos permitir que o pecado reine em nosso corpo (Romanos 6.12), já Tiago nos diz que devemos nos sujeitar apenas à Deus, quanto ao diabo devemos resistir a ele (4.7).

Ora os frutos da carne são conhecidos de todos nós e devem ser deixados para trás, (Gálatas 5. 19 a 21 e Colossenses 3. 5ao 11), sendo estes: prostituição, feitiçarias, inimizades,porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas bebedices, glutonarias e cousas semelhantes.

Uma vez que alguém se diz convertido e ainda pratica estes erros, não pode se declarar de fato cristão. É válido lembrar que não se pode zombar de Deus e fazer algo que o desagrada é tornar inválida a sua Palavra e ato de zombaria.

Sempre que o povo de Israel deixava de obedecer ao Senhor e seguia aos ídolos dos povos vizinhos, o Senhor os declarava adúlteros, já que para Ele era comparado à prostituição o deixar sua verdade e desprezar sua deidade para dar valor aos deuses pagãos.

Mesmo sendo moda ser crente hoje, ser fiel a Deus é algo bastante diferente. Vê-se por aí que entre as pessoas que ainda mantêm laços com a carta de valores éticos, certos comportamentos da Sociedade é inadequado, feio ou obsceno, desagradando ao próprio homem, que dirá a Deus que é Santo. Aceitar que alguém que declara ser seu servo e seguidor cometer estes atos e expor o nome do Senhor, sem se preocupar em ser um dos que trazem o escândalo ao Evangelho. 

Algumas igrejas priorizando a quantidade
tem aceito todo tipo de conversão
Agora além de ser moda ser gospel
ainda existe o Crente
Celebridade.
É claro que a Bíblia diz que escândalos virão, mas deixa claro que seu agente será cobrado em sua responsabilidade.

Com a chegada do Carnaval, por exemplo, muitos que se dizem cristãos – e não são – já preparam seus trens elétricos e suas fantasias para festejarem suas paixões carnais e exercitarem seu ego, além de deixarem seus corpos expostos aos olhos alheios, esquecidos que se entregaram suas vidas à Deus, o Espírito Santo é ciumento.

Fica uma pergunta: que sóis vós, cristãos ou pensam que são? Pergunta esta que se faz necessária frente ao fato que ser cristão é ser protestante e se nos juntamos ao pecado, como podemos protestar contra ele?

Certos comportamentos se pautam num equivoco de interpretação do verso de Romanos 8 que afirma “Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”, mas isto é uma garantia para os que passaram da morte para a vida, ou seja aceitaram mudar de atitudes. 

Que possamos lembrar que somos fonte de água e para matarmos à sede alheia devemos nos manter puros.








quinta-feira, outubro 31, 2013

O RETORNO A PALAVRA DE DEUS


Mestre: Pastor Antônio Gilberto (Foi meu Professor no IBP)

Vale a Pena Ler Esta Entrevista


Consultor teológico e doutrinário da maior igreja evangélica do Brasil, o pastor assembleiano Antônio Gilberto ressalta a essencialidade da Bíblia.


Enquanto aguardam a liberação de uma sala para a entrevista, Antônio Gilberto e o repórter conversam sobre a Igreja Evangélica e assuntos relativos à fé cristã no Brasil. 


O pastor folheia um exemplar de CRISTIANISMO HOJE. “Não há mais muito temor a Deus”, comenta, a respeito do conteúdo de uma reportagem. Ele dá uma olhada pela janela e balbucia como se falasse consigo mesmo: “Quem de nós tem buscado ao Senhor em espírito e em verdade?”. 


Em dado momento, a secretária lhe traz as informações que solicitou sobre um evento. A procura não é tão grande como o esperado. “É impressionante, irmão”, diz. “Antigamente, eram comuns campanhas de oração de uma semana, cultos de consagração que duravam um dia inteiro. Agora, o pessoal não quer orar nem por cinco minutos.”




Não, Antônio Gilberto não vive do passado, embora admita que os tempos idos lhe trouxessem ótimas recordações. É um homem ativo e perspicaz, para quem a chegada dos 80 anos de idade parece ter trazido apenas mais experiência. Sobem com desenvoltura os três lances de escada na sede da Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD), no Rio. Ali, ele sente-se mesmo em casa. Respeitado por seu profundo conhecimento das Escrituras, é professor e consultor teológico e doutrinário não só da editora, mas da denominação. Integrante da Diretoria da Convenção Geral das Assembléias de Deus do Brasil (CGADB), é presença certa em seminários e congressos sobre Escola Bíblica Dominical, assunto em que é especialista. “O crente deve estudar, estudar e estudar a Palavra de Deus”, afirma. “Só quem está ao lado da Bíblia pode manter-se espiritualmente de pé.”


Ao longo desta entrevista, por diversas vezes Antônio Gilberto assumiu uma postura de contrição. “Glórias a Deus, irmão, glórias a Deus”, disse, erguendo os braços e fechando os olhos, todas as vezes que foi solicitado a falar acerca de suas realizações na obra do Senhor. Elas não têm sido poucas ao longo dos últimos 65 anos, desde que se converteu ainda adolescente. Casado, com quatro filhos e oito netos, o pastor diz que quer servir ao Senhor enquanto lhe der graça e força. “Minha oração é para permanecer fiel. A fidelidade traz felicidade.”


OLHO1: Se a doutrina cristã for observada com sabedoria, ela certamente levará à prática de bons costumes.


OLHO2: A Igreja neotestamentária, que teme ao Senhor, é necessariamente diferente do mundo. Quando o mundo diz sim, a Igreja diz não. É assim que deve ser


OLHO3: Se esse pacote de leis sobre união civil de homossexuais, legalização do aborto e liberalização de drogas for aprovado, perseguições tremendas virão.


CRISTIANISMO HOJE – Como Está a Assembléia de Deus Hoje, às Portas do Centenário?





ANTÔNIO GILBERTO – Eu digo que ela está caminhando bem, pela graça de Deus. O início de nossa igreja e seu crescimento são provas de que esta obra não pode ser dos homens. Como o trabalho daqueles dois obreiros estrangeiros [N.da Redação: os missionários suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg, oriundos dos Estados Unidos, fundaram a Assembléia de Deus no Pará, em 1911] poderia despertas espiritualmente o país se não fosse pela ação do Espírito Santo? Hoje, a Assembléia de Deus é querida e acatada, tem comunhão com as igrejas coirmãs e é uma referência em sentido geral.


Quantos Membros Tem a Denominação?


É uma pergunta muito difícil de ser respondida, inclusive por causa de seu tamanho. Há mais de quinze anos, fizemos um levantamento amplo. Embora não tenha havido o retorno de todas as informações solicitadas, projetamos com segurança uma membresia da ordem de 11 milhões. O levantamento baseou-se apenas nos membros batizados, sem levar em conta as crianças e os freqüentadores eventuais. Claro que não podemos afirmar este número com rigor científico, mas serve para dar uma noção da amplitude de nossa igreja.


Durante muito tempo, a Assembléia de Deus foi vista como uma igreja conservadora em relação a usos e costumes. Hoje, percebe-se maior liberalidade, sobretudo no contexto urbano. Houve exageros no passado?


Acontece que muitos irmãos e irmãs do passado, com pouco conhecimento do assunto à luz das Escrituras, praticaram excessos, estabelecendo regras individuais e regionais desnecessárias. Usos e costumes bons e santos devem fazer parte do testemunho cristão.


O uso da TV, por exemplo. Dizia-se que o crente não podia assistir à televisão, mas hoje os evangélicos usam-na largamente para anunciar o Evangelho.


Exato. Já se disse que a TV era anátema e pecaminosa. Aqueles irmãos do passado eram sinceros em sua fé, mas a ignorância e o exagero levam ao erro de muitas maneiras. Sabemos também que a mera observação de usos e costumes na igreja, de modo legalista, sem o lastro e a prática da doutrina bíblica, leva o cristão ao farisaísmo, ao legalismo, ao fanatismo religioso, à falsa santidade e à pretensa salvação pelas obras. Só que hoje vem ocorrendo o abandono de bons costumes que têm origem na doutrina cristã.  Hoje, há pessoas que dizem que a Bíblia não trata de costumes. É que a palavra “costume” nem sempre é traduzida pelo emprego deste termo na Bíblia. Se a doutrina bíblica for compreendida e observada com sabedoria e discernimento, ela certamente levará à prática de bons costumes. A doutrina é a garantia de perenidade de qualquer igreja.


Diversas igrejas independentes têm usado o nome “Assembléia de Deus”, mesmo sem qualquer ligação com a CGADB. A denominação cogita alguma medida contra isso?


Quem pode pronunciar-se sobre este ponto é a Direção nacional da igreja. Esses chamados “pentecostais” ou “neopentecostais” lêem a Bíblia, mas não a estudam no sentido estrito deste termo. Eles só querem saber de manifestações humanas, como gritar, rolar, pular, expulsar demônio, praticar exorcismo. É um inominável erro cuidar só de manifestações e não do verdadeiro relacionamento com Deus, aquele que transforma a vida das pessoas. Primeiro, a predominância do Espírito Santo segundo as Escrituras; depois, os efeitos de sua manifestação. No início do movimento neopentecostal no Brasil, por volta dos anos 1960, várias igrejas que surgiram me convidavam para lhes ministrar sobre as doutrinas fundamentais da fé cristã. Esse interesse arrefeceu como é fácil detectar nos seus escritos e programas de rádio e televisão. Esses grupos precisam despertar a tempo para, em primeiro lugar, dar espaço contínuo e amplo ao estudo sistemático da Palavra de Deus. A Assembléia de Deus está correndo o mesmo perigo; muito pouco estudo da Bíblia, priorizando suas doutrinas básicas.  

E Quais São as Doutrinas Básicas Observadas Pela Assembléia de Deus?

O assunto é muito extenso para tratar numa entrevista, mas eu poderia destacar algumas. A inspiração divina da Bíblia, que é específica, única e plenária. Quando o apóstolo João encerrou o Apocalipse e guardou a sua caneta, encerrou-se também, na providência divina, o cânon das Sagradas Escrituras. Sua inspiração é plenária no sentido de que Deus colocou na mente dos santos escritores sagrados não só a ideia ou o conceito da mensagem recebida dele, mas, além disso, guiou-os sobrenaturalmente na escolha das palavras. Também enfatizamos a salvação pela graça divina, quando o homem carente da salvação aproxima-se de Deus pela fé em Cristo. Ninguém tem mérito algum para ser salvo. Ser moralista, caridoso e altruísta é agradável a Deus, mas nada disso leva à salvação. Também cremos no Deus trino e triúno. Essa é uma verdade bíblica e doutrinária que transcende a mente humana, por mais capacitada que ela seja. Nem gênios como Newton e Einstein foram capazes de entender a triunidade de Deus. O que nos cabe é aceitar pela fé o que o Senhor diz na sua Palavra. O Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus. E também várias outras doutrinas fundamentais, como a do pecado, a da santificação, a da volta de Jesus em breve...


A Doutrina do Pecado Não Tem Sido Muito Falada...


O assunto pecado é antipático e tem sido evitado, mas é real, assim como são reais o céu e o inferno. Quem crê em Cristo, segundo as Escrituras, está salvo da condenação eterna; quem não crê, já está condenado. É esse o Evangelho que eu prego com amor; o amor com que Deus nos ama.


Como a Igreja Evangélica Deve Agir Em Face do Mundo?

A Igreja de Jesus – a verdadeira Igreja, aquela que teme ao Senhor e segue a sua Palavra – não pode se coadunar com a filosofia do mundo, que cada vez mais afunda no pecado. A Igreja neotestamentária é necessariamente diferente do mundo; de modo que, no dia em que a Igreja se coadunar com o mundo, e vice-versa, será o fim. Quando o mundo diz sim, a Igreja diz não. É assim que deve ser.


Essa Diferença Tem se Diluído?


Infelizmente, a Igreja está muito mais parecida com o mundo do que deveria. Nós devemos enxergar esse processo como sinal dos tempos – e, sem querer ser pessimista ou negativo, tudo que tem acontecido ao redor do mundo faz parte de um panorama profético. E haverá choques tremendos entre o povo de Deus e o mundo. Veja esse pacote de leis que hoje tramitam no Congresso Nacional e nas Assembléias Legislativas. Refiro-me a temas como a chamada união civil de homossexuais, a legalização do aborto, a descriminalização do uso de drogas hoje ilegais e as restrições ao trabalho de evangelização, entre tantos outros pontos. Mais do que nunca, o crente precisa manter-se fiel. A segunda vinda de Jesus ao mundo é um acontecimento iminente. A qualquer momento, o Senhor virá. Que bom seria se o mundo despertasse para buscar ao Senhor enquanto é tempo!


O Senhor Prevê Uma Perseguição Contra a Igreja no Brasil?


Mas sem dúvida nenhuma. A propósito, eu faço parte de uma comissão em nossa denominação encarregada de redigir posições bíblico-doutrinárias sobre assuntos como união de homossexuais, família, casamento e o divórcio, inclusive o de obreiros. Queremos dar orientação clara ao nosso povo. Estamos nos debruçando sobre isso já prevendo que, se este pacote de leis for aprovado, perseguições tremendas virão, como já tem acontecido aos cristãos em outras partes do globo. Somente uma Igreja neotestamentária, ortodoxa, que teme ao Senhor e respeita a Bíblia no sentido correto, estarão preparados para enfrentar estes novos tempos. A profecia de Daniel, nos capítulos 2 e 7 de seu livro, sem dúvida abarca o que estamos a responder. Tudo começou com “ouro”, mas terminou com “ferro misturado ao barro”. Não haverá inversão disso, como querem os homens que pensam sem Deus. A Palavra do Senhor é fiel e infalível. Há uma degradação crescente e geral no mundo, conforme I João 4.3.  


Esse Panorama de Degradação o Deixa Chocado?


Não, eu não me choco com isso. Vejo tudo como uma advertência espiritual. O Senhor advertiu a todos sobre isso textos como o de Mateus 24. O mundo está posto no maligno. Todas as instituições seculares sofrem com a influência e ação malignas. Não estou dizendo que todas as pessoas que não conhecem o Senhor agem deliberadamente de má-fé. Mas o secularismo da sociedade as afasta de Deus. E neste contexto, a Igreja de Cristo deve proceder como dela está escrito em I Pedro 2.11, como peregrina e forasteira. Isto é, ela não pertence a este mundo. E por falar nisso, ela está perdendo sua identidade bíblica. E como recuperá-la? Voltando à Palavra de Deus e, ao mesmo tempo, clamando por um avivamento genuíno, soberano, irresistível, como já aconteceu tantas vezes na Bíblia e também na história da Igreja.


Como Definir Avivamento?


Há quem pense que o avivamento espiritual da Igreja caracteriza-se apenas pela manifestação de dons sobrenaturais e operação de milagres. Segundo as Escrituras, avivamento é uma renovação espiritual soberana da parte de Deus, uma sobrenatural intervenção divina entre o seu povo. E isso se caracteriza inicialmente pela fome incontida pela Palavra de Deus. Sempre que uma igreja é despertada pelo Espírito de Deus, ela busca sem cessar a renovação espiritual, a santificação e o conhecimento constante e profundo da Palavra de Deus, tanto na congregação como na vida de cada crente.  


Mas Então Como a Igreja Evangélica Tem Crescido Tanto No País?


Não é bem assim no presente momento. O número de genuínas decisões por Cristo vem diminuindo nas igrejas. A Igreja tem crescido em quantidade. Não sou contra a quantidade – quanto mais pessoas se tornarem crentes em Jesus, melhor. Mas, quanto aos seus, o Senhor conta primeiro com a qualidade de vida espiritual, moral, social e familiar. Lembre-se do caso de Gideão: Deus só permitiu que ele fosse acompanhado por 300 homens à guerra, ao invés dos milhares que havia. Ora, do dia para a noite você consegue encher um templo ou um estádio de gente; basta dizer o que as pessoas gostam e querem ouvir. No início da Igreja, praticamente não havia necessidade de apelo e convite para o povo vir a Cristo. O poder de Deus era tão manifesto que as pessoas, por livre iniciativa, procuravam os apóstolos com a pergunta: “Que devo fazer para ser salvo?”.


A Situação Está Assim Por Culpa da Liderança?


Nesta resposta, eu gostaria de substituir a palavra “liderança” por “os pastores”. Liderança tem a ver com direção, mas, em termos de igreja prefiro abordar o assunto partindo dos pastores, aqueles que receberam de Deus o chamado e o ministério de apascentar. O pastor tornar-se líder porque antes já era pastor; ele não é pastor simplesmente porque é líder de uma obra. Nem todo líder cristão é obreiro do Senhor só pelo fato de ser líder. O pastor que apenas é líder torna-se um profissional, e não um vocacionado da parte do Senhor. E os pastores precisam enfatizar a importância primordial da Bíblia Sagrada. Está faltando a Palavra em nossos púlpitos. Hoje, nos cultos evangélicos, 80% do tempo é gasto com assuntos e atividades que nada têm a ver com a exposição da Palavra de Deus. Veja as músicas de hoje – não têm nada de Bíblia, é só passatempo. Muitas vezes, quem compõe nem salvo por Cristo é. O resultado está aí: carência espiritual, pobreza de fé, crentes sem vida. Nossos pastores precisam despertar para semear a Bíblia. O povo está sem alimento. Se a ovelha recebe comida fraca, ou adulterada, pobre dessa ovelha!


A Solução Seria o Incentivo à Escola Bíblica Dominical (EBD), Uma Instituição Que Atravessa Uma Crise Em Tantas Igrejas?


Repito que uma igreja, um povo, uma família, quando despertados por Deus, mediante o Espírito Santo e a Palavra, procurarão com perseverança conhecer a Bíblia. A EBD deve enfatizar o estudo da Palavra de maneira metódica, atingindo desde o bebê até ao ancião, com professores treinados, de maneira sistemática. É preciso haver currículos definidos, senão o assunto fica a esmo. É claro que, mesmo se for ministrada de maneira precária, a Palavra sempre trará resultados na vida das pessoas, pois ela é viva e não volta vazia. Contudo, não atingirá o objetivo de construir uma igreja forte. No passado, a luta do inimigo era para destruir a Bíblia. Quantas bíblias foram queimadas na Idade Média, nas fogueiras da Inquisição? Hoje, como o diabo sabe que não há como fazer isso, sua luta é para corromper a mensagem da Palavra. E está conseguindo!



Em 1989, a Assembléia de Deus Dividiu-se Em Dois Grandes Segmentos, a CGADB e a Convenção de Madureira (Conamad). Passados Vinte Anos, Os Dois Grupos Estão Mais Próximos ou Mais Distantes?


Não chamaria o que aconteceu de divisão, e sim, de cisão administrativo-eclesiástica.  Acompanhei bem de perto o processo e sei que havia desde algum tempo certas discordâncias, mas não desavenças espirituais, religiosas e doutrinárias. As igrejas Assembléias de Deus professam a mesma doutrina. Eu integro a CGADB e, regularmente, sou gentil e honrosamente convidado por colegas obreiros da Conamad para participar de eventos e ministrar a Palavra de Deus. Sinto-me honrado e também grato a esses companheiros de ministério por essas solicitações. Da mesma forma, temos regularmente pastores e outros líderes de Madureira em eventos da CGADB. Eu, pessoalmente, mantenho a expectativa de desaparecimento desta cisão.


O Que o Senhor Experimentou No Passado e Sente Falta Nos Dias de Hoje?


Ah! Do movimento dinâmico e sempre crescente de evangelização; da inflexível e intensa disposição e vontade de todos os crentes de ganhar pessoalmente almas para Jesus. Logo que Jesus me converteu, aos 14 anos de idade, Deus me usou para evangelizar uma família inteira, ajudado por outros irmãos. Aquelas sete pessoas se entregaram a Cristo e se tornaram crentes fiéis, perseverantes e frutíferos para a glória de Deus. Que alegria! Sinto falta também dos cultos de oração e de vigília daquela época. Hoje, o tempo que passamos na presença do Senhor, buscando a sua face em cultos coletivos, é tão curtinho... Outra coisa maravilhosa era a comunhão cristã fortíssima entre os irmãos. Todas na igreja era unidas. O que acontecia a um era compartilhado por todos.


A Esta Altura Da Vida, Qual a Sua Prioridade?


Permanecer fiel. Fiel a Deus; fiel à sua Palavra; fiel à doutrina; fiel à família; fiel aos compromissos assumidos; e fiel à minha igreja e aos colegas de ministério. A fidelidade só pode trazer felicidade. Imagine a alegria de, conforme Paulo disse em II Timóteo 2.15, podermos nos apresentar a Deus como obreiros aprovados! Mas Deus dá-nos da sua graça. “A minha graça te basta”, disse Deus ao apóstolo.