quinta-feira, março 24, 2011

O DOM DE CUIDAR


A recomendação bíblica de dedicação ao ensino envolve também o zelo pelos alunos

O dom de cuidar
Por Alberto Alves da Fonseca*

“Assim nós embora muitos, somos um só corpo em Cristo, e individualmente membros uns dos outros. De sorte que, tendo diferentes dons segundo a graça que nos foi dada, se é profecia, seja ela segundo a mediada da fé; se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino; ou se exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade, o que preside, com zelo; o que usa de misericórdia, com alegria...”, Romanos 12.5-8 – grifo nosso.

Dom de ensinar é uma capacitação divina para expor, ensinar, explicar, esclarecer, defender e proclamar as verdades referentes à Palavra e ao Reino de Deus: “...como não me esquivei de vos anunciar coisa alguma que útil seja, ensinando-vos publicamente e de casa em casa”, At 20.20; “E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros”, 2Tm 2.2.

Dom de ensinar é um dos dons concedidos por Deus aos seus servos com o objetivo específico de manifestar sua graça, glória e poder na edificação do Corpo de Cristo, a igreja: “Com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da plenitude de Cristo”, Ef 4.12-13. Na lista dos dons espirituais no Novo Testamento temos o dom do ensino (Rm 12.-6-8; 1 Co 12.8-10, 12.28-29 e Ef 4.11-13).

O ensino faz parte da essência da fé cristã, é fundamental e significativo na missão que o Senhor Jesus Cristo entregou à sua Igreja: “Ide e fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado...”, Mt 28.19-20.

Estamos terminando esse último trimestre de 2010. Como professores da Escola Dominical jamais podemos perder a correta definição do termo ensinar. Paulo declara explicitamente sobre esse dom em Romanos 12.7b: “... se é ensinar, haja dedicação ao ensino”, Rm 12.7b, ou “... o que ensina, esmere-se no fazê-lo...”.

É importante observar que na língua grega a declaração aponta tão somente para: “...aquele que ensina, no seu ensino...”. Aparentemente parece até uma redundância, no entanto, a profundidade da ideia nos remete a “dedicação” ou “diligência” que todo professor deve estar atento para:

- esforçar-se em aprimorar os seus conhecimentos;
- esforçar-se em aprimorar a eficácia dos seus métodos de ensino;
- esforçar-se no interesse pessoal por aqueles que são seus alunos.
    
A parte mais importante


Assim, além da importância de uma formação continuada que todo professor de Escola Dominical deve ter, dedicando-se a oração, leitura da Bíblia, literatura bíblica, pedagógica, secular e contextualização, ele jamais deve perder o interesse pessoal por aqueles que são seus alunos: “Com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da plenitude de Cristo”, Ef 4.12-13.

O professor da Escola Dominical deve conhecer seus alunos, se preocupar com eles, compreender que os alunos são a parte mais importante da ED, sem eles não existe Escola Dominical. O professor deve compreender que o dom de ensinar sem amor, nada é (ler 1Coríntios 13).

Portanto, o alvo principal e inequívoco da ED são os alunos, e dedicação ao ensino, é dedicação aos alunos. Todo o preparo da aula, as condições da classe, a linguagem, as novas técnicas e ideias, tudo objetiva o crescimento do aluno.

Ao terminarmos esse trimestre, é fundamental que cada professor, pegue a sua lista de presença, e observe se houve ausência acima da média e tente se perguntar quais foram os motivos para que isso ocorresse. Não seria pertinente o professor visitar tal aluno ou ao menos contatar por telefone ou e-mail? Lembre-se da recomendação: “...haja dedicação...”.

Palestrantes ou professores?

Infelizmente, um dos grandes problemas da ED em todo o Brasil é a rotatividade dominical de professores. Em muitas escolas, a cada domingo, um professor diferente está ministrando à classe, ou seja, estes acabam sendo meros palestrantes dominicais. Isso embora possa resolver problemas da pseudo-oportunidade para todos, traz uma ruptura de compromisso professor-aluno.

Deve haver ligação e comunhão plena entre o professor e os alunos. O professor deve estar inserido no cotidiano do aluno da ED, caso contrário, a aprendizagem é prejudicada. Pois, como um professor que não está semanalmente em contato com os alunos perceberá se eles estão ausentes ou não? Como perceberá as necessidades pedagógicas dos mesmos? Ou seja, se o professor não conhece os seus alunos, como poderá ajudá-los?

Há professor que é ausente em todo o trimestre, e que aparece somente na ED quando se trata do dia dele ministrar a aula. Isso é uma aberração pedagógica, já que, nesse caso, não é o aluno o mais importante, mas o professor. Veja a inversão da Palavra!

Seria pedagogicamente mais adequado que a ED tivesse, minimamente, um professor responsável por trimestre, obviamente com seu substituto para qualquer eventualidade. Pelo menos durante aquele trimestre, o professor responsável criaria laços e conheceria o cotidiano de sua classe para apresentar melhorias educacionais de aprendizado e acompanhamento de sua classe satisfatoriamente.

A rotatividade de professores, se necessário, poderia ser trimestral e nunca dominical, pois essa troca semanal tem criado uma Escola Dominical frágil, onde todos, professores e alunos, estão de certa maneira descompromissados, não criando vínculos profundos e nem responsabilidade.

Neste contexto, a ED deixa de ser escola, sendo apenas e simplesmente palestras dominicais, onde a cada domingo aparece um professor novo que dá sua palestra ou “aula”, conta as suas experiências, sem compromisso algum com o corpo docente e discente, com o estado da sala de aula, com as faltas, presença de visitantes, etc. Ele cumpre seu papel específico: dar aula naquele domingo e ponto final. Talvez haja exceção, mas não podemos trabalhar em cima dela. 

As responsabilidades do dom
    
É salutar revermos várias questões, entre elas, convidarmos os professores para uma reflexão responsável, estudarmos a Palavra de Deus em Romanos 12.5-8, compreendermos integralmente o dom de ensinar, e as responsabilidades inerentes ao mesmo.

Não basta o professor dá uma palestra dominical, ou infelizmente, como muitos, ir a ED e ler a lição para os alunos. Isso o aluno poderá fazer em sua própria casa e, muitas vezes, com maior conforto. A ED deve ser um local onde o professor é o primeiro a chegar e estar atento às necessidades básicas da sala de aula; está sempre pronto a receber seus alunos, notando a ausência dos mesmos, e sabendo elogiar a presença deles. E, por fim, onde ele procura diversificar seu método de ensino com novidades pedagógicas que despertem no aluno o desejo de frequentar as aulas. 

Outro fator importantíssimo pelo qual o professor deve conhecer seu aluno é que ele deve orar e interceder por suas necessidades, ter uma linguagem apropriada, compreender a homogeneidade da classe, além de trazer grande crescimento espiritual para os alunos, levando estes e outros ao encontro de Cristo.

Você, que ministrou neste último trimestre, e dedicou-se à causa do Senhor, receba em seu coração esta Palavra: “Meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor”, 1Co 15.58.

Aos professores da ED que iniciarão e vivenciarão esse novo momento, a Palavra está diante de todos vós: “...se é ensinar, haja dedicação ao ensino”, Rm 12.7b, ou “...o que ensina, esmere-se no fazê-lo...”. Pense em sua classe, em seus alunos, nos métodos que pretende utilizar; conheça seus alunos, sua construção cultural, suas necessidades, faixa etária; incentive-os a trazer novos alunos, visitantes; incentive-os a orar; desafie-os a ler a Bíblia, a participar de outras atividades na igreja; seja um dínamo de bênção para sua classe.

Seja amigo de seus alunos, fomente o relacionamento pessoal, o interesse em ensinar, isto é, um relacionamento comprometido, sincero e dedicado na forma de comunicação entre professor e aluno. Isso resulta em aprendizado para ambos.

Parabenizo você, professor, por seu abençoado trabalho neste último trimestre e desejo que tenha a vivência e experiência plena de Romanos 12.7. Termino essa pequena reflexão citando o escritor Augusto Cury: “Bons professores são mestres temporários; professores fascinantes são mestres inesquecíveis”. Seja um professor fascinante, cheio do Espírito Santo de Deus e ministrador do dom que há em ti.

*Alberto Alves da Fonseca é pastor na Assembleia de Deus em Campinas (SP), formado em Teologia, História e Direito, escritor e professor do Curso de Capacitação para os Professores da Escola Dominical da AD em Campinas (SP).

Ensinador Cristão, Número 44, Ano 11, out-nov-dez / 2010, Página 48, CPAD.



Estudo indica que religião pode acabar em 9 países ricos


Pesquisa seguiu um modelo de dinâmica não-linear que leva em conta fatores sociais

Estudo indica que religião pode acabar em 9 países ricos
Dados de censos colhidos desde o século 19 indicam que a religião pode ser extinta em nove nações ricas que foram analisadas em um estudo científico. 

A pesquisa identificou uma tendência de aumento no número de pessoas que afirmam não ter religião na Austrália, Áustria, Canadá, Finlândia, Irlanda, Holanda, Nova Zelândia, Suíça e República Tcheca --o país com o índice mais elevado, com 60%. 

Usando um modelo de progressão matemática, o levantamento --divulgado durante um encontro da American Physical Society-- mostra que as pessoas que seguem alguma religião vão praticamente deixar de existir nestes países. 

Na Holanda, por exemplo, 70% dos holandeses não terão religião alguma até 2050. Hoje, esse grupo é de 40% da população. 

"Em muitas democracias seculares modernas, há uma tendência maior de as pessoas se identificarem como sem uma religião", afirma Richard Wiener, que trabalha em um centro de pesquisa em ciência avançada, subordinado ao departamento de física da Universidade do Arizona. 

A pesquisa seguiu um modelo de dinâmica não-linear que leva em conta fatores sociais e a influência que exercem em uma pessoa a fazer parte de um grupo não-religioso. 

Os parâmetros se mostraram semelhantes em vários países pesquisados, indicando que a religião está a caminho da extinção nessas nações. 


Fonte: BBC Brasil

 

O CRESCIMENTO CRISTÃO NA HISTÓRIA


Conheça em números avanço do Cristianismo do primeiro século da Era Cristã até nossos dias

Sobre os dados do crescimento do número de cristãos durante a História, é preciso destacar inicialmente que, em alguns anos mais remotos, os dados são aproximados, mas mesmo assim são, muito provavelmente, bem próximos da realidade.

No final do primeiro século da Era Cristã, havia meio milhão de cristãos no mundo. No final do segundo século, esse número já subira já era 2 milhões. No terceiro século, 5 milhões; e no quarto século, quando o Cristianismo se tornou religião oficial do Império Romano, o número de cristãos já alcançara a impressionante marca de 10 milhões, apesar do assassinato de dezenas de milhares de cristãos nos primeiros séculos da história da Igreja.

No quinto século, estima-se que havia 15 milhões de cristãos no mundo. No sexto e no sétimo séculos, eram respectivamente 20 milhões e 24 milhões. No oitavo século, eram aproximadamente 30 milhões. Nos séculos seguintes, houve um “boom” no crescimento do Cristianismo. No nono século, 40 milhões de cristãos e no décimo, 50 milhões.

No ano 1000, a população mundial era de cerca de 250 milhões, dos quais 50 milhões (20%) de cristãos, concentrados na Europa. No décimo primeiro século, os cristãos eram 70 milhões. No décimo segundo, 80 milhões. No décimo terceiro, caiu para 75 milhões. No décimo quarto século, voltou a 80 milhões. No décimo quinto século, quando a população mundial já era de 400 milhões, havia aproximadamente 100 milhões de cristãos no mundo; ou seja, 25% da população mundial era de cristãos.


A partir do ano 1500, manifesta-se uma aceleração no crescimento da população mundial, provocada pelos progressos da higiene e da Medicina. Em 1600, havia 580 milhões de pessoas no mundo, dos quais 125 milhões de cristãos. Em 1700, 770 milhões, dos quais 155 milhões de cristãos. Em 1800, havia 900 milhões de pessoas no planeta, dentre elas 200 milhões de cristãos. O primeiro bilhão no crescimento populacional no mundo é superado por volta de 1820 e o segundo, meio século mais tarde, aproximadamente em 1925. Em 1900, havia 400 milhões de cristãos no mundo.

A partir de 1950, houve uma verdadeira explosão no crescimento populacional mundial. O terceiro bilhão é atingido depois de 35 anos, em 1960; o quarto, 15 anos mais tarde, em 1975; e o quinto, após 12 anos, em 1987.

Em 2009, éramos aproximadamente 6,7 bilhões de pessoas no mundo, dentre as quais 2,2 bilhões de cristãos, 1,4 bilhão de muçulmanos, 888 milhões de hindus, 391 milhões de budistas e 15 milhões de judeus. E destes 2,2 bilhões de cristãos, há 1,13 bilhão de católicos romanos, 806 milhões de protestantes de várias matizes e 253 milhões de ortodoxos.





Fonte: http://www.cpadnews.com.br/

O modelo do verdadeiro Pentecostes (1ª parte)


Mestre Antônio Gilberto

Um breve estudo sobre as características do genuíno Pentecostes nas Sagradas Escrituras
Estamos na era dos substitutivos, do artificialismo e das aparências; a era dos plásticos, dos “aglomerados” e dos sabores artificiais. E no campo espiritual não é diferente. Vivemos em um tempo marcado por imitações, inovações, falsificações, misticismo e mudanças injustificáveis dentro das igrejas.

A Palavra de Deus fala claramente sobre as mudanças indevidas e seus resultados funestos. Paulo falou sobre isso na sua carta aos romanos. “E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis (...) pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém. Pelo que Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza”, Rm 1.23,25-26.

Profeta Daniel também nos fala de mudanças que serão realizadas pelo anticristo. “E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos, e a lei; e eles serão entregues na sua mão por um tempo, e tempos, e metade de um tempo”, Dn 7.25.

Algumas mudanças condenáveis que vemos nos dias de hoje são a Teologia da Libertação, o culto à prosperidade e a transformação indevida de fatos e eventos bíblicos em doutrina. Apóstolo Paulo nos alerta quanto a falsificar a Palavra de Deus: “Antes, rejeitamos as coisas que por vergonha se ocultam, não andando com astúcia nem falsificando a Palavra de Deus; e assim nos recomendamos à consciência de todo o homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade”, 2Co 4.2.

Tendo em vista a situação hodierna e o que nos diz as Sagradas Escrituras, urge enfatizarmos a necessidade da busca do padrão bíblico para a Igreja. Paulo exortou Timóteo a guardar o ensino da Palavra de Deus transmitido por ele. “Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e na caridade que há em Cristo Jesus”, 2Tm 1.13.

Assim como Moisés, que ordenou que se fizesse o Tabernáculo conforme o modelo que lhe foi entregue por Deus no monte, devemos observar à risca o padrão bíblico para a Igreja, pois a Palavra de Deus é o nosso manual de vida, nossa única regra de fé e prática. “Os quais servem de exemplar e sombra das coisas celestiais, como Moisés divinamente foi avisado, estando já para acabar o tabernáculo; porque foi dito: Olha, faze tudo conforme o modelo que no monte se te mostrou”, Hb 8.5. Paulo, em 1 Coríntios 3.10 e 13, falou sobre a importância de termos cuidado com a forma como edificamos.


O modelo do verdadeiro Pentecostes (2ª parte)




Algumas características do verdadeiro avivamento conforme o Livro de Atos dos Apóstolos
Há 14 palavras-chaves (ou frases) em Atos 2. Essas expressões marcaram o primeiro Pentecostes, indicando fatos que devem acompanhar o verdadeiro Pentecostes através dos tempos. Vejamos uma por uma.

Pentecostes
 – “E cumprindo-se o dia de Pentecostes”, At 2.1. Em Levítico 23, Deus estabeleceu sete festas sagradas para Israel observar, as quais prefiguravam de antemão todo o curso da História da Igreja. Essas festas sagradas falam também do caráter alegre que iria caracterizar a Igreja. Festa pressupõe alegria. Lembremo-nos que Jesus sempre foi um homem alegre, apesar de viver à sombra da cruz!

Das sete festas sagradas de Israel, a quarta era a de Pentecostes (Lv 23.15-16), também chamada de Festa das Semanas (Dt 16.10) e Festa das Colheitas (Êx 23.16). A Festa de Pentecostes ocorria no terceiro mês (Sivã) e durava um dia. Dia seis de Sivã, que corresponde mais ou menos ao nosso mês de junho.

A Festa de Pentecostes era precedida por três outras festas conjuntas: a Páscoa, em 14 de Abibe; Festa dos Pães Asmos, de 15 a 22 de Abibe; e Festa das Primícias, em 16 de Abibe. As três levavam oito dias e eram celebradas no mês de Abibe, que é o primeiro mês do calendário sagrado de Israel. O primeiro mês do calendário civil era Tisri, que corresponde mais ou menos ao nosso mês de outubro.

A Festa de Pentecostes era seguida de três outras festas: Festa das Trombetas, no 1° de Tisri; Expiação, em 10 de Tisri; e Festa dos Tabernáculos, de 15 a 21 de Tisri. As duas primeiras duravam apenas um dia cada uma, enquanto a última durava sete dias. O dia da segunda também era conhecido como “O grande dia da Expiação”. Como pode se ver, essas três festas ocorriam no mesmo mês, Tisri, o início do ano civil de Israel.

Pentecostes era a festa central das sete que o Senhor determinou para Israel observar em Levíticos 23. São 3+1+3. Essa centralidade fala da importância do batismo no Espírito Santo para a Igreja, e do equilíbrio espiritual que dele resulta.

Ninguém sabe ao certo o dia do natal de Cristo, nem o dia de sua morte, mas todos sabemos o dia da sua ressurreição (o primeiro da semana), bem como o Dia de Pentecostes (o 50° dia após a Festa das Primícias). Assim, a Festa de Pentecostes era uma profecia: 7x7 semanas + 1 dia= 50 dias, a contar da Festa das Primícias (Lv 23.15), a qual falava da ressurreição de Cristo (1Co 15.20). Essa colocação das festas também nos mostra que sem Páscoa, isto é, sem o Cordeiro de Deus, morto e ressurreto, não teríamos Pentecostes.

Recapitulando, a Páscoa era celebrada primeiro (14 de Abibe – um dia), sendo seguida por Pães Asmos (15 a 21 de Abibe – sete dias) e Primícias (16 de Abibe – um dia). Primícias e Pães Asmos, portanto, eram festas conjuntas.

Vejamos algumas particularidades sobre a Festa das Primícias e a de Pentecostes, conforme Levítico 23.9-14.

Na Festa das Primícias era movido perante o Senhor um molho (feixe) de espigas de trigo (Lv 23.10-11). Na Festa de Pentecostes eram movidos perante o Senhor dois pães de trigo (Lv 23.15-17). Isso falava da Igreja, que seria formada de judeus e gentios, formando, assim, um só corpo – o Corpo de Cristo (Ef 2.14; Jo 11.52). O feixe de espigas fala da união, mas os pães vão além. Eles falam de unidade (Ef 4.3). Em um feixe de espigas, os grãos estão simplesmente presos às espigas, porém isolados uns dos outros. Em um pão é diferente: o trigo é o mesmo, mas os grãos passaram por um multiforme processo e formam agora um todo, um corpo único. O derramamento pentecostal fez isso na formação da Igreja em Atos 2, e quer continuar a fazer o mesmo hoje.

Todos – “Todos reunidos no mesmo lugar”, At 2.1. “Todos foram cheios do Espírito Santo”, At 2.4. “Do meu Espírito derramarei sobre toda a carne”, At 2.17. “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”, At 2.21. “Todos os que estão longe; tantos quanto...”, At 2.39. “Em toda alma havia temor”, At 2.43. “Todos os que criam estavam juntos”, At 2.44. “Todos” é uma palavra inclusiva. Isso indica que todos os salvos são candidatos ao batismo no Espírito Santo.

A salvação não é o batismo no Espírito Santo. Este deve seguir à salvação. Os discípulos do Senhor, juntamente com as mulheres, Maria e outras mais (At 1.13-14), já eram salvos antes do Dia de Pentecostes. A Palavra de Deus elimina qualquer dúvida nesse sentido (Jo 14.17; At 2.18, 38-39 e 19.2).

Reunidos – “Todos reunidos no mesmo lugar”, At 2.1. Isso indica não só união, mas unidade no Espírito Santo. Acabaram-se as diferenças pessoais e ali estavam todos juntos, reunidos. Pedro, João, Tomé, Felipe, Tiago, todos unidos.

Céu – “Veio do céu”, At 2.2. O que está ocorrendo em sua vida, igreja ou movimento religioso vem mesmo do céu? Ou vem simplesmente dos homens? “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?”, Jr 17.9. Ou será que vem do astuto enganador?

Jesus, antes de ser ascendido ao céu, se referiu ao derramamento do Espírito da seguinte forma: “E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai: ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder”, Lc 24.49. Quando a experiência de Pentecostes se repetiu na casa de Cornélio, Pedro frisou que ela se deu “como no princípio” (At 11.15). Paulo exorta sobre o perigo de recebermos “outro espírito” de falsos profetas (2Co 11.4).

Som – “Veio do céu um som”, At 2.2. O Espírito Santo veio primeiramente como um som. Para quê? Para despertar os dormentes, acordar do sono espiritual, alertar do perigo, avisar, convocar para o trabalho, reunir (1Co 14.8) e para a Igreja louvar a Deus com “música de Deus” (1Cr 16.42 e Cl 3.16).

Vento – “Som como de um vento veemente e impetuoso”, At 2.2. O texto esclarece que não ouve vento mesmo, só seus efeitos sonoros. Vento fala de muitas coisas:
a) Força impulsora, como nas velas dos barcos e nos moinhos.
b) O vento separa a palha do grão (Sl 1.4 e Mt 3.12). Ele separa o leve do pesado.
c) O vento move e movimenta águas e árvores.
d) O vento fertiliza, levando o pólen, a vida (Ct 4.16 e Jo 3.5,8).
e) O vento limpa árvores e campos.
f) O vento não tem cor, logo pode significar também a ausência de favoritismo, individualismo e discriminação.
g) O vento não pertence a um clima único. Ele é universal.
h) O vento move-se continuamente (Ec 1.6 e Gn 1.2).
i) O vento não tem cheiro, mas espalha perfume. Aqui podemos lembrar do papel do Altar do Incenso no Tabernáculo.
j) O vento quando se move é infalivelmente sentido, notado.
l) O vento refresca e suaviza o calor.
m) O vento (ar) alimenta e vivifica pulmões e a vida orgânica. Em Ezequiel 37.8-10, vemos nos corpos ossos, nervos, carne, pele, mas não vida, até que o Espírito assoprou sobre eles. Aleluia! Há muitos crentes por aí que têm de sobra “ossos”, “nervos”, “carne” e “pele”, mas falta-lhes a vida abundante do Espírito.
n) O vento é misterioso (Jo 3.8).
Devemos ter cuidados com as falsificações, com os ventos nocivos (Mt 7.25 e Ef 5.14).

Casa – “E encheu toda a casa”, At 2.2. A família cristã cheia do Espírito Santo tem um papel muito importante para a Igreja. A família é a primeira instituição divina na Terra. Foi por meio dela que o Senhor fundou a nação que traria o Messias ao mundo e também dela serviu-se para que nascesse o Messias. O Diabo luta com todas as suas hostes para destruir a família na face da Terra, inclusive dentro da Igreja, mas o Senhor tem provido salvação para a família. Antes de julgar o mundo com um dilúvio, Deus proveu salvação para Noé e sua família (Gn 6.18). Na noite em que Deus julgou os egípcios, os israelitas foram milagrosamente salvos pelo sangue do cordeiro. Ali, Deus instruiu cada família a tomar um cordeiro para si (Êx 12.3-4). “Serás salvo tu e a tua casa” é uma promessa de Deus para os chefes de família (At 16.31) e na promessa pentecostal toda a família está incluída (At 2.17).

Línguas – “Línguas repartidas como que de fogo”, At 2.3. O verdadeiro Pentecostes tem algo para se ouvir do céu (“veio do céu um som”), algo para se ver do céu (“foram vistas por eles línguas”) e algo para se repartir vindo do céu (“línguas repartidas”). Devemos observar algumas características das línguas estranhas:
a) Línguas estranhas não precedem o derramamento do Espírito, mas seguem-se a ele. “Foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas”, At 2.4.
b) Línguas no derramamento espiritual indicam o Evangelho falado, pregado, cantado, comunicado. Porém, são línguas “como que de fogo”, não língua de flores.
c) Vários dons do Espírito Santo são exercidos através da língua, da fala.
d) Deus usou as línguas estranhas como sinal externo do batismo no Espírito Santo para demonstrar sua inteira posse e controle da nossa língua ao batizar-se (Tg 3.8).
e) Línguas estranhas como evidência física inicial do batismo no Espírito (Veja a lei da primeira referência, comparando Atos 2.4, 10.44-46 e 11.15).
f) Línguas estranhas como um dos dons do Espírito Santo (1Co 12.10,30).
g) Dons espirituais podem ser concedidos por Deus no momento do batismo no Espírito (At 2.17 e 19.6).
É importante ensinarmos nas igrejas a doutrina do batismo no Espírito Santo.

Fogo – “Línguas como que de fogo”, At 2.3. Esse fogo de que fala o texto sagrado é sobrenatural, celestial. Não é fogo estranho. Vejamos algumas características do fogo, e que podem ser aplicadas no campo espiritual:
a) O fogo alastra-se, comunica-se.
b) O fogo purifica. Contra a impureza espiritual, a principal força é o Espírito Santo.
c) O fogo ilumina. É o saber, o conhecimento das coisas de Deus.
d) O fogo aquece. A Igreja é o Corpo de Cristo. Todo corpo vivo é quente.
e) O fogo, para queimar bem, depende muito da madeira, se ela é boa ou ruim.
f) O fogo tanto estira o ferro duro como a roupa macia.
g) Foi o fogo do céu que fez do templo de Salomão a Casa de Deus. Nós somos templos do Espírito Santo (2Cr 7.1 e 1Co 3.16).
h) “Quem nasce sob o fogo não esmorece sob o sol”.

Cheios – “E todos foram cheios do Espírito Santo”, At 2.4. Quanto mais cheia e mais alta, mais pressão e peso tem a caixa d’água. Assim é com o crente cheio do Espírito Santo. Lembremo-nos também que não é só o crente que fica cheio, o ambiente também: a casa – “E encheu toda a casa”, At 2.2. Outra coisa a se observar é que os símbolos e figuras manifestos no Dia de Pentecostes falam de poder, como fogo e vento. Poder, energia e força nós usufruímos, embora não saibamos defini-los plenamente (Jo 3.8).

Nações – “Todas as nações que estão debaixo do céu”, At 2.5. Jesus já havia feito uma declaração em Atos 1.8 sobre o revestimento de poder e a evangelização de todos os povos. Em Marcos 16.15, Jesus também fala de evangelização e missões. O verdadeiro movimento pentecostal terá que ser um movimento missionário. Deve ser um movimento que ora por missões, contribui para missões, promove missões e vai ao campo missionário.

A igreja que não evangeliza breve deixará de ser evangélica. Para os que pensam em missões, é importante lembrar a relevância da compreensão do fenômeno da transculturação hoje.

Zombaria – “E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto”, At 2.13. Esses zombadores não eram pessoas ímpias. Eram pessoas religiosas. Hoje acontece a mesma coisa. Zombadores e críticos religiosos se levantam contra o genuíno derramamento do Espírito. Judas alertou quanto a isso: “Mas vós, amados, lembrai-vos das palavras que foram preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo, os quais vos diziam que no último tempo haveria escarnecedores que andariam segundo as suas ímpias concupiscências. Estes são os que causam divisões, sensuais, que não têm o Espírito”, Jd 17-19.
Quando não aparece um Judas, traidor, do lado de dentro, aparece um Pilatos do lado de fora, ainda se defendendo, mas devemos fazer como Jesus: fazer a obra que Deus nos confiou, porque críticos e zombadores sempre teremos aqui.

Pedro – “Pedro, porém, pondo-se em pé”, At 2.14. Vemos, aqui, o homem de Deus na disposição da graça. Se analisarmos Pedro antes e depois do Pentecostes, vamos notar uma mudança enorme em sua vida. Dali para frente, Pedro jamais mudou (1Pd 1.1-5 e 2.4-5). Aqui, é importante frisar o cuidado da igreja com a teologia modernista, liberalista e especulativa, que está permeando o mundo e procura mudar o perfil da Igreja.

Palavra de Deus – “Pedro disse-lhes: Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel”, At 2.14-15. No Dia de Pentecostes, a primeira pregação da Igreja foi pura exposição da Palavra de Deus (At 2.16-36).

Nosso ministério e nossa congregação experimenta um abundante e poderoso ministério da Palavra? A pregação e o ensino fundamental têm endereço certo: o coração do ouvinte. “E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração”, At 2.37. Há atualmente um esvaziamento da Palavra de Deus no púlpito de inúmeras igrejas. E como está a sua igreja neste particular? O tempo que deveria ser da Palavra de Deus é ocupado por música, canto profissional (não genuíno louvor) e atividades sociais, restando apenas alguns minutos para a pregação da palavra de Deus? É a falta da Palavra que gera elevado número de retardados espirituais nas igrejas.

É preciso vigilância com os chamados hinos especiais duplos e triplos de cantores, conjuntos e corais em nossos cultos. Devemos atentar para a dosagem e equilíbrio na adoração a Deus (Ex 30.34-38 e 2Cr 29.27). Devemos considerar a expressão “porão em ordem”, em se tratando de holocausto ao Senhor (Lv 1.7-8,12 e 1Co 14.40).