segunda-feira, maio 02, 2016

“ALIANÇA DAVÍDICA”



Rua, Visconde de São Leopoldo, 52 - Irajá, Rio de Janeiro - RJ

Departamento de Educação Cristã
Escola Bíblica Dominical



ALIANÇA DAVÍDICA”


Texto Áureo:

“E, estando reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus, dizendo: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Eles disseram-lhe: De Davi.
Mateus 22. 41, 42



LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
II Samuel 7. 8 – 16




§     Palavra Introdutória – Após os primeiros 450 anos de fidelidade da parte de Deus e de infidelidade da parte do homem, Israel acrescentou mais um pecado a longa lista de transgressões contra a Lei de Deus. Israel se enfadou da sua relação de ser “sacerdote” em favor das demais nações e queria ser igual as outras. Não quiseram mais Jeová como Rei sobre eles, mas queriam um rei (homem) que se assentasse num trono de um palácio como as outras nações da terra. Mesmo assim, a paciência de Deus e a Sua Graça não se esgotaram, e Deus concedeu-lhes o seu pedido reservando para Si apenas o direito de escolher a esse rei. O primeiro rei foi a Nação que escolheu. Deus lhes deu essa oportunidade e não souberam escolher, pois olharam para a aparência e estatura de um homem e foram tremendamente enganados, (I Samuel 16. 7). O mal que Saul praticou e o desapontamento que causou a Israel, serviram para preparar o caminho para a coroação da escolha de Deus, Davi, filho de Jessé.

Com esse jovem, fez Deus Aliança, pois era “homem segundo o coração de Deus, e Deus prometeu-lhe que:  - (1) De sua semente viria o “Prometido”; - (2) O Messias sentar-se-ia no trono de Davi para sempre. Dessa maneira a promessa messiânica feita pela primeira vez em Gn 3. 15 e depois a Abraão, Isaque, Jacó e Judá, agora se concentrou na casa real de Davi.


Introdução: - Aliança Davídica: A Sétima Aliança. II Sm 7.  9 – 17, sobre o qual o futuro Reino de Cristo, “O qual Segundo a Carne veio da Descendência de Davi”.  (Rm 1. 3), devia ser fundamentado, dada a Davi:

1.           A promessa da posteridade na casa de Davi;
2.           Um trono simbólico de autoridade real;
3.           Um Reino ou Governo sobre a terra; e
4.           Certeza de cumprimento, pois as promessas a Davi “serão estabelecidos (as) para sempre”.


I.          A ALIANÇA DAVÍDICA 2 Samuel 7. 16; I Cr 17; 3 -15; Lc 1. 31 – 33.    Esta Aliança é EXCLUSIVA para os Judeus, e não tem nada a ver com a Igreja, porém, estaremos juntos com Jesus nesse tempo.

Do mesmo modo que a Aliança Abraâmica delineou as bênçãos espirituais, nacionais, territoriais e pessoais para Israel, a Aliança Davídica foi dada para elaborar o aspecto Nacional com referência ao Rei. Essa Aliança prometeu a Davi que os seus descendestes teriam os direitos do trono de Israel para sempre, e que a linhagem seria através de Salomão, o construtor do Templo. A importância disto deu base para Mateus provar no NT o direito de Jesus ser o “Rei de Israel” em virtude da sua genealogia através de José (legalmente), remontando-se à época de Salomão e Davi.

1.1.     Os versículos 8 a 17 do Capítulo 7 de II Samuel:

Relatam que Deus tez um pacto com Davi, no qual prometeu a ele e aos seus descendentes o trono e o reino para sempre. Citamos o Dr. Scofield: “Este pacto, sobre o qual o glorioso reino de Cristo da semente de Davi segundo a carne, será fundado, assegura:

1.1.1.           Uma “casa” a Davi, a saber: posteridade, família.
1.1.2.           Um “trono”, a saber: autoridade real.
1.1.3.           Um “reino”, a saber: uma esfera de governo.
1.1.4.           Perpetuamente, “para sempre”.

Esta Aliança quádruplo tem só uma condição: A desobediência na família de Davi será punida com castigo, mas não com a anulação do pacto (2 Samuel 7. 15; Salmo 89. 20 - 37; Isaías 53. 3). O castigo se impôs, primeiro na divisão do reino sob Roboão, e finalmente nos cativeiros (2 Reis 25. 1 – 7). - Desde esse tempo SÓ UM rei da Família Davídica foi coroado, e ele o foi com espinhos. Mas o pacto Davídico confirmado a Davi pelo juramento de Jeová e renovado a Maria pelo Anjo Gabriel é imutável (Salmo 89. 30 - 37), e o Senhor Deus dará ainda ao que foi coroado de espinhos o trono de seu pai Davi” (Lc 1. 31 – 33; Atos 2. 29 – 32).


II.            SÉTIMA ALIANÇA e a (Última Dispensação). Será no Milênio.

Esta Aliança é a que precede o Novo Céu e a Nova Terra. Neste período de 1.000 anos Cristo porá seus inimigos sob seus pés. (Ef 1. 10, 21; I Co 15. 24 – 28; Ap 20. 1 – 6).

2.1.     Se chamará o Reino Divino porque Cristo Reinará. - O qual Segundo a Carne veio da Descendência de Davi”.  (Rm 1. 3).


A.       Começará com a Vinda de Cristo em Glória. (Ap 19. 11 – 16; Mt 24. 16 – 30).

B.       Garante a restauração final e a conversão de Israel (Dt 30. 5; Rm 11. 26 -  32)

C.       Estabelece a perpetuidade da família Davídica (cumprida em Cristo, Mt 1.1.; Lc 1. 31 – 33; Rm 1. 3), e do reino Davídico sobre toda a terra, a ser cumprida em e Cristo (II Sm 7. 8 – 17; Zc 12. 8; Lc 1. 31 – 33; Atos 15. 14; I Co 15. 24).

D.       Terminará com o Juízo Final, ou Grande Trono Branco. (Ap 20. 11 – 15).

E.        Durará 1.000 anos. (Ap 20. 4 – 6).

F.        Ele, Jesus, é a “Semente”, o “Herdeiro” e o “Rei da Aliança Davídica” (Mt 26. 28; I Co 11. 25).


III.          CIRCUNSTÂNCIAS FAVORÁVEIS NESTA ALIANÇA


3.1.     Cristo reinará com ajuda dos santos, Is 4. 2,3; 9. 6 – 7; 11. 1 – 9; Jr 23. 5 – 8; Ap 11. 15.

3.2.     Satanás será amarrado no abismo, Ap 20. 1 – 13.

3.3. O governo será perfeito em Justiça. Não será Monarquia, nem Democracia, nem Autocracia, mas uma Teocracia. Os santos de todos os tempos e eras terão parte no Reino, (Oséias 3. 5; Jr 30. 9; Ez 34. 10).

3.4.  A terra estará livre da maldição que atualmente pesa sobre ela. Isaías 32; 33; Rm 8. 20 – 22). – É a Quinta Metamorfose da Terra: Terra Regenerada ou Restaurada (Is 65.  17 – 25; 11. 6 – 11). - Um “Rio” que nasce debaixo do Templo, de onde Cristo reinará, correrá e levará vida por onde passar, inclusive ao “Mar Morto”, e haverá muito peixe e árvores frutíferas, de todas as espécies. Ez. 47. 1 – 12.

3.5.  Haverá um só Reino que cobrirá toda a terra. Haverá uma única Capital, Jerusalém. Pecadores estarão no reino, mas estará obrigado a obedecer às leis do Reino. Isaías 2. 2 – 5; Sl 2. 7 – 9; Mq 4. 3; I Co 15. 25 – 28; Ap 20. 1 – 10; Zc 14. 16 – 21.

3.6.     Haverá um Novo Templo. Cristo será seu Construtor. Zc 6. 9 – 15. O Templo que os judeus construíram e que foi profanado pelo Anticristo será destruído na Batalha do Armagedom. 2 Ts 2; Mt 24. 15; Ap 11. 1 – 2.


IV.         A PROVA DA ALIANÇA SERÁ


4.1.     Recepção de Cristo como rei da Vida Natural e na alma para a vida Espiritual e eterna.


4.2.     Obediência às leis divinas do Governo divino. O Diabo será solto no fim desta Aliança (Dispensação) para provar a Humanidade (Ap 20. 7). A humanidade nesta Aliança terá que ser provada, como nas outras Alianças e Dispensações anteriores.


4.2.1.           Fracassos

Como nos períodos anteriores esta Aliança terminará em fracasso. Quando Satanás for solto, muita gente que aparentemente obedecia às leis divinas, se unirá ao Diabo para o último confronto e esforço para vencer a Cristo, filho de Davi.

4.2.2.           O Juízo - (ou Castigo de Deus)

O juízo será que eles (os rebeldes) serão destruídos no corpo e irão ao Grande Trono Branco para serem julgados e lançados no Lado de Fogo para Sempre. O Diabo também será lançado no Lado de Fogo (Ap 20. 10 – 15).

4.3.     A Segunda Ressurreição

A Segunda ressurreição acontecerá no fim do Período desta Aliança (Período Milenial) e antes do Juízo Final. Aí estarão todos os mortos desde Adão até o fim desta Aliança e Dispensação, Fim do Milênio, que morreram sem salvação (Ap 20. 4 – 6; 11. 15; Jo 5. 28 – 29; At 24. 15; Dn 12. 2). Todos estes ressuscitados comparecerão diante do Grande Trono Branco para receberem a Condenação Final. E é daqui para frente que começa:


4.3.1.           Novo Céu e Nova Terra

Depois do Juízo diante do Grande Trono Branco e da destruição do primeiro Céu e da Primeira Terra, João escreve em Apocalipse 21. 1 sobre essa grande realidade da última mudança que Deus fará no UNIVERSO.

4.3.2.           A Nova Jerusalém

Em Apocalipse 21. 2, João escreve sobre a Nova Jerusalém. E na visão do apóstolo essa cidade aparentemente já existia durante o período prévio ao Milênio. Não se sabe onde estava situada, mas a visão diz que desceu do Céu de Deus. E começa a:

4.4.              A Eternidade: - Com o fim do Milênio e depois do Grande Trono Branco começará uma era sem fim, a Eternidade. (Ap 21. 2 – 22.1). -  Será um Período Especial e Eterno, onde O Ungido (hb. Mashiach) o único rei davídico ideal, que incorporará de modo adequado o reinado justo de Deus, por toda Eternidade, - CRISTO, O FILHO DE DAVI. (Mt. 1.1). Glória a Deus!!



Conclusão: - Então se cumprirá a palavra do Anjo Gabriel a Maria, em Lucas 1. 32, 33. “... Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; (v. 32) ele reinará para sempre sobre a Casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim”.


Cristo, o Filho de Davi, nos ajude, estar com Ele, nesse Reino Eterno de Glória!





                                         Aula Elaborada, pela professora,
                                               Pra. Maria Valda – ADMEP

Material Pesquisado:
ü   Apostila: As Dispensações e as Alianças aos Homens – Prof.ª Maria Valda.
ü   Apostila: Dispensações e Alianças do Professor, Adaylton de Almeida Conceição.
ü   Apostila: O Plano Divino Através dos Séculos, Pr. Professor: Gustavo Adiers.
ü   Livro por Livro Através da Bíblia – Ed. Vida. Myer Pearlmam.
ü   Bíblia de Estudo com as Referência e Anotações de Dr. C.I Scofield.
ü   Apostila ao Evangelho de Mateus – Professora, Maria Valda
ü   Lição da editora Gospel                                                                                                     
ü   Comentarista, Pr. Samuel Malafaia





SHIRLEY CARVALHAES - RENUNCIA






MINHA HISTÓRIA CANTADA POR  SHIRLEY CARVALHÃES!

MINHA VIDA TEM SIDO DE RENÚNCIA CONSTANTE...


JÁ PERDI, APARENTEMENTE MUITAS COISAS,

POSIÇÕES QUE ME FARIA UMA MULHER PODEROSA...

PERDI MUITAS COISAS NESTA VIDA...

O SENHOR, COMO DISSE: "TENHO UM CAMINHO MAIS EXCELENTE PARA TI"

UM DIA EU CHEGO LÁ NO CÉU... 

E POR ESTA CAUSA QUE LUTO.

RENUNCIO TUDO E TODOS PELO CÉU E ESTAR COM JESUS PARA SEMPRE.!!

sábado, abril 30, 2016

DIFERENÇA DE DOGMA, DOUTRINA E COSTUMES


DIFERENÇA DE DOGMA, DOUTRINA E COSTUMES




O ponto fundamental de qualquer religião é o seu conceito acerca de Deus. A teologia define, conceitua e organiza as revelações contidas nas Escrituras. Os dogmas, as doutrinas e a religião estão interligados de modo recíproco, de tal forma que é impossível ter um conjunto de doutrinas não dogmatizadas. Esses termos, ainda correspondentes, não são idênticos. Por isso, se faz necessário observarmos a diferença, e até mesmo a possível relação, entre dogma, doutrina, costume e religião.


DOGMA

1.1. Definição

A palavra “dogma” deriva do grego “dokeō”[1], sendo usado no Novo Testamento com o sentido de “mandamento, decreto, ordenança” (Lc 2.1; At. 16.4; 17.7; Ef 2.15; Cl 2.14). No aspecto filosófico, dogma refere-se às “afirmações doutrinárias que expressam o ponto de vista oficial de um mestre ou escola filosófica em particular”.

Um dogma religioso é uma verdade bíblica baseada sobre a autoridade, oficialmente formulada por qualquer assembleia eclesiástica.

A primeira vez que a igreja aprovou declarações “dogmáticas” foi no Concílio de Nicéia, em 325 d.C., ocasião em que a consubstancialidade do Filho com o Pai foi declarada como uma confissão de fé.

A consubstancialidade do Filho com o Pai é o dogma segundo o qual o Pai e o Filho são uma mesma substância, ou seja, iguais, o que significa que ambos são Deus.

Na Idade Média, a igreja Católica Romana desenvolveu o conceito do depositum fidei (“depósito de fé”), conceito este que sustentava que à igreja era confiada um depósito de verdades, cujas ramificações podiam ser licitamente desenvolvidas pela igreja. Finalmente, através do Concílio de Trento (1545-63) e o primeiro Concílio do Vaticano (1870), os pronunciamentos dogmáticos da igreja (católica) passaram a ser consideradas infalíveis. Então, o dogma era visto, no catolicismo romano, até mesmo antes desta reforma, como uma verdade cujo conteúdo objetivo é revelado por Deus e definido pela igreja.[2]

Os reformadores se posicionaram contrariamente a esta visão católica, e sustentavam que todos os dogmas devem ser confrontados com a revelação de Deus nas Sagradas Escrituras. Karl Barth disse: “A Palavra de Deus está tão acima do dogma quanto os céus estão acima da terra”.[3]

Para os reformadores, fé é confiança pessoal em Deus, e relacionamento com Ele mediante Jesus Cristo, e o necessariamente o assentimento àquilo que a igreja ordena que seja crido.[4]  

Dogma veio significar uma sentença de verdade doutrinária. Este, por sua vez, foi reconhecido como sendo de alto valor eclesiástico, sem, contudo, qualquer reivindicação à infalibilidade.


1.2.  Credo Dogmático

Credo[5] dogmático[6] é uma declaração da doutrina tal como diz as Escrituras Sagradas. O credo dogmático, determinada pela sã doutrina, é um fundamento indiscutível da teologia cristã. Apesar de existirem fragmentos do Credo dos Apóstolos, a primeira declaração dogmática universal ocorreu em 325 d.C., no Concílio de Nicéia, onde o Filho foi declarado igual ao Pai.

1.3.  Dogmas Heresiológicos

Dogmas Heresiológicos são afirmações contrárias às Escrituras. Muitas declarações dogmáticas são propensas a distorcer as escrituras. Alguns exemplos são:

a)     Dogma ariano (325 d.C.)
Nega as duas naturezas de Cristo.
b)    Dogma mariológico (Concílio de Latrão – 1198)
Afirma que Maria é sempre virgem e mediadora.
c)     Dogma Russelita (Testemunhas de Jeová)
Afirma que Satanás deu origem à doutrina da Trindade.


DOUTRINA

A palavra “doutrina” procede do grego “didaskō”[7] e significa “ensino ou instrução”.
Doutrinas não verdades fundamentais da Bíblia, dispostas de forma sistemática. São revelações da verdade como se encontra nas Escrituras. O Novo Testamento usa o termo de forma genérica para referir-se a qualquer tipo de ensino ou instrução. Como por exemplo:

a)     Doutrina dos fariseus (Mt 16.12);
b)    Doutrina dos homens (Mc 7.7);
c)     Doutrina dos apóstolos (At 2.42);
d)    Doutrina de demônios (1 Tm 4.1);
e)     Doutrina de Deus (Tt 2.10);
f)     Doutrina de Cristo (2 Jo 9).


Entretanto, há um padrão doutrinário estabelecido pelos apóstolos, conhecido como “sã doutrina” (1 Tm 1.10), “boa doutrina (1 Tm 4.6), “doutrina de Cristo” (2 Jo 9). Quando estudamos o texto de Hebreus 6.1-2 que entendermos tratar-se de uma forma universal e sistemática das doutrinas de Cristo.





DOGMA
DOUTRINA

É a declaração do homem acerca da verdade apresentada em um credo:
a)   pode ser humana ou influ-ência demoníaca (1Tm 4.1; Cl 2.22);
b)  Seus assuntos podem se contrapor;
c)   quando não enganosa, é suscetível ao erro;
d)  Alguns dogmas baseiam-se em interpretações equivocadas dos textos das Escrituras, sendo, muitas, vezes, desprovidos do aval das mesmas (2 Pe 1.20);
e)   É a declaração do homem acerca da verdade.

É a revelação da verdade sobre um tema teológico em particular, como se encontra nas Escrituras:[1]

a)   É divina (2 Tm 3.16; 2Pe 1.19-21);
b)   É coerente nos assuntos (Jo 10.35);
c)   É verdadeira (Sl 119.86; Jo 17.17);
d)   Existe a aprovação das Escrituras e do Espírito Santo (1 Co 2.4-10);
e)   É a revelação de Deus e seu relacionamento com suas criaturas expostos nas Escrituras.


COSTUME

O termo “costume”, como o conhecemos, deriva de dois termos latinos: “com”, que significa totalmente; e “suescere”, que significa acostumar-se com. Logo, temos a definição “algo que alguém fica acostumado”. O correspondente em grego é “ethos”[9], de onde deriva a palavra ética, que significa a conduta costumeira de um povo.[10]

Seguindo uma definição do dicionário, os costumes, numa sociedade específica, são práticos de comportamentos prescritos, do ponto de vista moral. Atitude ou valor social consagrado e que se impõem aos indivíduos do grupo e que se transmite através de gerações.[11]

A partir dessas definições podemos concluir que “costume” é tudo aquilo que um grupo, a partir de uma evolução histórico-cultural, acredita e afirma ser a melhor forma de conduta e comportamento para o coletivo, regendo, assim, a vida disciplinar diária daquela sociedade.
Podemos ainda avaliar, a partir da análise de Champlin [12], a conceituação de costumes segundo as ópticas filosóficas e religiosas.
 Vejamos:

a)            Na Filosofia

De acordo com as teorias humanistas e relativas, os costumes formariam a base da ética. Dentro da teoria do com-sensus gentium (consenso comum), os costumes dos povos formar-se-iam mediante consenso coletivo, porquanto refletiam as leis naturais e a verdade. A partir desta teoria, algumas sociedades tendem por considerar os seus costumes como se fossem universais. No entanto, a ética absolutista e ateísta nega que os costumes sejam a base da verdadeira ação ética. Antes, essa base vem de alguma fonte externa ao homem, como por exemplo, Deus e a Bíblia, de tal modo que os homens receberiam as regras do certo e errado da parte de algum poder mais alto do que eles, e não dos costumes fixados através das experiências do dia-a-dia.

b)                Na Religião

O costume é uma questão meramente humana, embora possa estar apoiada nas leis naturais e nos impulsos da consciência, estando assim em harmonia com a vontade de Deus. Por outro lado, os costumes podem ser totalmente perversos, acompanhando a natureza pecaminosa do homem. Por conseguinte, um dito popular, que peca pela raiz, é aquele que diz: “A voz do povo é a voz de Deus”. Na verdade, em face da natureza pecaminosa e rebelde do homem, definitivamente a voz do povo corresponde a voz de Deus; antes, geralmente contraria a vontade revelada de Deus. É precisamente por isso que o evangelho é pregado ao mundo inteiro, conclamando os homens ao arrependimento, ou seja, à mudança de atitude mental.

A ética alicerça-se sobre as leis naturais e sobre a revelação divina, mas jamais sobre os costumes sociais, partem eles de onde partirem. Podemos então perceber que um costume geralmente é um conceito que parte do censo comum, mas isso não significa que seja a verdade Absoluta.
De forma alguma estamos sugerindo que o costume gire sempre em torno do erro. O que pretendemos afirmar é que o costume jamais estará acima da verdade Escriturística, e sim que ele apenas é básico para elaboração de um sistema ético. Se assim não for, os costumes tornam-se dogmas, fazendo, assim, os conceitos serem obrigatórios, autoritários. A verdade é sempre maior do que qualquer costume.

Infelizmente, não são todos que compreendem este fato e acabam por tornar os seus costumes como sendo “a verdade”, passando a fazer com que estes sejam a tradição de determinado grupo. A questão da tradição vem à tona, na presente discussão, porque todas as denominações são, na verdade, resultantes de tradições que professam.

O teólogo Antônio Gilberto, com maestria, nos aponta pelo menos três diferenças básicas entre doutrina bíblica e costumes humano, quais sejam:

Quanto à origem
A doutrina é divina;
O costume é humano;
Quanto ao alcance
A doutrina é universal;
O costume é local;
Quanto ao tempo
A doutrina é imutável;
O costume é temporário;[13]









É certo que as doutrinas bíblicas geram os bons costumes, mas os costumes não geram doutrinas bíblicas. Há igrejas que têm um somatório imenso de bons costumes, mas são rasas no conhecimento das doutrinas. O prejuízo desse comportamento é que seus membros naufragam com facilidade no mar de heresias, justamente por não terem o lastro espiritual da Palavra.

 RELIGIÃO

No grego do Novo Testamento, o vocábulo “thrēskeía”[14] é traduzido por “religião” (At 26.5) e “culto” (Cl 2.18). Lactâncio, antigo escritor cristão, afirmou que a palavra “religião” era procedente do verbo latino “religare” que significa “tornar a ligar” e traduz a ideia de um “religamento das relações rompidas pelo pecado entre o homem e Deus”. Entretanto, essa afirmação tem sido contestada, pois segundo Teixeira, o particípio de “religare” dá o sentido de “pessoas piedosas, prestando culto e reverência a deuses”, o que este relacionado com o significado do original grego.[15]

Isto posto, religião relaciona-se às atividades que liga o homem a Deus numa determinada relação (At 25.19; 18.15; 26.3,5; Tg 1.26,27).

Relação Entre Teologia e Religião

Teologia é o conhecimento acerca de Deus, enquanto que religião é a prática que formalizou esse conhecimento. Religião e Teologia devem coexistir na verdadeira experiência cristã; todavia, na prática, às vezes acham-se distanciadas de tal maneira que é possível ser teólogo sem ser verdadeiramente religioso e, por outro lado, ser verdadeiramente religioso sem possuir um conhecimento sistemático doutrinário.

“Se conheces estas coisas, feliz serás se as observares”, é a mensagem de Deus aos que lidam com a Teologia.

“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade. ” (2 Tm 2.15); é a mensagem de Deus ao homem espiritual.



ESTUDO EXTRAÍDO DO LIVRO TEONTOLOGIA
 CURSO DE TEOLOGIA SISTEMÁTICA, IBT

Por Pr Eduardo Rodrigues
Lisboa - Portugal





[1] Idealmente, a doutrina é formada com o intuito de ser fiel às Escrituras e ao mesmo tempo dar atenção às tradições da igreja. Cf. GRENZ, J. Stan-ley; GURETZKI, David. Dicionário de teologia: mais de 300 conceitos teológicos definidos de forma clara e concisa. São Paulo: Vida, 2000. p. 42.
[1] δοkέω (dokeō) pensar, crer, supor, considerar, conforme podemos observar nos seguintes textos: Mt. 3.9; Lc 24.37; 1 Co 3.18; Hb 10.29. O termo pode significar “parece-me melhor, eu resolvo ou decido” (Lc 1.3). Cf. GINGRICH, F. Wilburt; DANKER, Frederick W. Lé-xico do N.T:grego/português. São Paulo: Vida Nova, 1984. p. 58.
[2] Cf. MCKIM, D.K. Dogma. In: ELWELL, Walter A. (ed) Enciclopédia historico-teológica da igreja cristã. São Paulo: Vida Nova, 1988. V 1 (A-C). p. 490.
[3] Cf. BARTH, Karl. Apud MCKIM, D.K. Dogma. In: ELWELL, Walter A. (ed) Enciclopédia historica-teológica da igreja cristã. São Paulo: Vida Nova, 1988. V 1 (A-C). p. 490.
[4] Cf. MCKIM, D.K. Dogma. In: ELWELL, Walter A. (ed) Enciclopédia historica-teológica da igreja cristã. São Paulo: Vida Nova, 1988. V 1 (A-C). p. 490.
[5] Credo: termo oriundo da palavra latina credo (creio); trata-se de uma declaração da fé cristã. Primordialmente, o propósito dos credos era de apresentar uma súmula da doutrina cristã. Posteriormente, os credos tornaram-se ferramentas para instruir os novos convertidos, para rebater as heresias e até mesmo para serem usados no culto. Há três famosos credos que foram estabelecidos durante os cinco primeiros séculos da história eclesiástica, que são: credo Apostólico, o Credo de Niceno e o Credo de Atanácio. Cf. GRENZ, J. Stanley; GURETZKI, David.Dicionário de teologia: mais de 300 conceitos teológicos definidos de forma clara e concisa. São Paulo: Vida, 2000. p. 32.
[6] A dogmática é uma das mais tradicionais disciplinas da teologia cris-tã. Sua tarefa especial é a implantação crítica das doutrinas da fé da igreja à luz de nosso conhecimento a respeito das origens do cristianismo e do desafio representado pela situação contemporânea. Cf. BRAATEN Carl E.; JENSON, Robert W. Dagmática cristã. São Leopoldo: Sinobal, 1990. p. 29. Na ortodoxia oriental, dogmas são ensinos oficialmente aceitos pela igreja, e não meras teorias desse ou daquele teólogo. Cf. GRENZ, J. Stanley; GURETZKI, David. Dicionário de teologia:  mais de 300 conceitos teológicos definidos de forma clara e concisa. São Paulo: Vida, 2000. p. 42
[7] Διδάσkω (didaskō), ensinar (Mt 1.21; At 15.35; 1 Co 11.14). O termo possui a mesma raiz de didakhê (διδαχή), “ensino como uma atividade, instrução”. Em sentido passivo significa “o que é ensinado”, “ensino”, “instrução”. Deste termo é formado didaskalos (διδάσkαλος), “mestre” ou “professor” (Rm 2.20; Hb 5.12); didaktos (διδαkƮός), “ensino” ou ”instruído”; didaktos (διδαkƮός θϵοv), isto é, “ensinado por Deus” (Jo 6.45).  Cf. GINGRICH, F. Wilbur; DANKER, Frederick W. Léxico do N.T: grego/português. São Paulo: Vida Nova, 1991, p. 56.
[8] Idealmente, a doutrina é formada com o intuito de ser fiel às Escrituras e ao mesmo tempo dar atenção às tradições da igreja. Cf. GRENZ, J. Stanley; GURETZKI, David. Dicionário de teologia: mais de 300 conceitos teológicos definidos de forma clara e concisa. São Paulo: Vida, 2000. p. 42.
[9] ἒθος (ethos) hábito, costume, uso. Cf. GINGRICH, F. Wilbur; DANKER, Frederick W. Léxico do N.T: grego/português. São Paulo: Vida Nova, 1991, p. 56.
[10]  Cf. CHAMPLIM, R.N; BENTES, J.M. Enciclopédia de Bíblia, teologia e filosofia. São Paulo: Candeia, 1991. V1 (A-C), p. 944.
[11] Cf. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da língua Portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p. 490.
[12] Cf. CHAMPLIM, R.N; BENTES, J.M. Op. cit. p. 944.
[13] GILBERTO, Antônio. Manual da Escola Dominical. Rio de Janeiro: CPAD, 1995. p. 85.
[14] θρησkϵία (thrēskeia), religião ou culto, Cl 2.18 e Tg 1.26. Cf. GINGRICH, F. Wilbur; DANKER, Frederick W. Léxico do N.T: grego/português. São Paulo: Vida Nova, 1991, p. 98. Thrēskeía é o termo empregado para classificar ritos e leis que regem uma sociedade religiosa (At 26.5) e atos filantrópicos (Tg 1.26,27). Cf. ESCOLA PREPARATÓRIA DE OBREIROS SILOÉ – EPOS. Heresiologia. Joinville: Equipe de Pesquisa, 2002. p.11.
[15] Deve-se observar que a etimologia latina desta palavra difere de autor para autor. Para Cícero, ela vem do latino religio e deriva-se do verbo relegare ou seja, reler, que significa cuidadosa reconsideração e profunda concentração da mente em objetivo ou de culto externo, chama-se latreia – Culto (ver Rm 12.1) e thrēskéia – religião (Tg 1.27); no sentido subjetivo, chama-se pistis – fé; enquanto que eusebeia – piedade (1 Tm 4.7,8) inclui o sentido dos dois grupos de palavrasThrēskeía pode significar religião real, mas refere-se mais a organização exterior, enquanto eusebeia indica uma relação pessoal e real com Deus e só se refere a uma comunidade quando esta é composta de verdadeiros adoradores. Cf. TEIXEIRA, Alfredo B. Dogmática evangélica. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Pendão Real, 1976. p.43.