O
antigo tanque de Betesda existiu na parte Norte de Jerusalém, próximo ao
mercado das ovelhas. Escavações realizadas no ano de 1888 revelaram que
existiam colunas rodeando o local e em uma delas a pintura – posterior a
Cristo - de um anjo agitando as águas. O que acontecia no tanque,
era um borbulhar temporário das águas, e cada vez que isso acontecia, as
pessoas se jogavam nas águas, para serem curadas. O nome Betesda pode ser traduzido como “lugar de derramamento”, “casa da graça” ou
ainda “casa de misericórdia”.
Betesda
havia se transformado em lugar de peregrinação, centenas de pessoas se
aglomeravam ao seu redor na espera do mover das águas e da
realização de milagres. Um lugar assim parece um sonho, uma lenda, é tão
fantástico que algumas traduções antiquíssimas do Evangelho de João
omitem a parte que fala “um anjo descia em certo tempo e agitava as águas”.
Penso que esse fato foi dado a João como revelação, as pessoas, porém que
frequentavam o local em busca de milagres, não sabia que os anjos agitavam as
águas, sabiam sim que havia algo sobrenatural naquelas águas.
Se em
sua cidade existisse um lugar assim, você iria? Penso que muitas razões
conduziriam pessoas a um lugar como esse: curiosidade, esperança, fé, louvor,
ganância (mercadores), misericórdia (para ajudar aos doentes), entre outros. É
estranho que em um lugar tão sagrado, um homem paralítico, necessitado da ajuda
para descer às águas, tenha passado despercebido: “ “Senhor, não tenho homem
algum que, quando a água é agitada, me coloque no tanque” Jo 5:7. Não obstante
eu ter citado a misericórdia como um dos motivos de frequentar-se o local, ela
parecia está bem distante dali.
Quem
Ama Serve
O que
podemos aprender com o abandono do paralitico por parte dos peregrinos em
Betesda? Buscar a Deus é bem diferente de buscar milagres. Um coração
amoroso encontraria naquele e em outros incapazes de andar, a oportunidade para
servir. Servir é marca dos filhos de Deus. É claro que aquele paralítico clamou
por ajuda, talvez com voz fraca, apatia, sem expressividade, de autoestima tão
baixa que não conquistou ou convenceu ninguém de sua urgência. Ninguém, exceto
Jesus. Ele conhece um clamor, ainda que silencioso ou silenciado pela multidão.
Betesda
retrata: o mundo, a igreja, as religiões e também a Salvação. Para alguns
o tanque era místico, o poder estava nas águas e não no Senhor das águas. Para
tantos outros, Betesda serviu para devolver a saúde, mas o espírito
continuou sedento, em sequidão. Betesda era um ritual, tal qual o praticado
pelos hindus ao banharem-se no rio Ganges. Betesda era o egoísmo dos
homens que só pensava em seu próprio bem estar e desconsideravam o outro.
Mas, Jesus esteve em Betesda e realizou a cura fora da água, do lado de fora do
tanque, porque Ele era a Água da vida, a fonte!
De
Onde me virá o socorro? Sl 121:1
Nosso
socorro e salvação não consistem em homens, nem em religiões, mas em Cristo
Jesus. Ele vai de encontro aos corações humildes e quebrantados. Aquele
solitário paralítico as margens do Betesda, quem sabe, se considerava o menor
dos homens, mas tinha algo de grande nele: a fé. Ninguém pode acusá-lo de
incredulidade. Penso que em sua posição (deitado na maca) ele olhou para
o céu e conversou com Deus. Vejo até lágrimas em seus olhos, de tão profundo
lamento. Homens não viram, mas Jesus viu no que foi atraído e o curou.
Mais Lições em Betesda
Caminhar
para lá e esperar o movimento das águas é fazer parte do
sobrenatural, dos sinais de Deus para os homens. Sem dúvida, o tanque era uma
dádiva, um bálsamo, uma solicitude dos corações sofridos e marcados pela
doença. Contudo, o amor e a misericórdia estavam distantes dali. Os olhares
concorriam para as águas e desprezavam o Senhor das águas. Quantas pessoas
tiveram um intimo encontro com Jesus em Betes da? A Bíblia nos diz que um
só homem.
Os
fariseus estavam lá, mas era sábado e sequer concordaram com a cura realizada
por Jesus: “É sábado, não te é lícito levar a cama” João 5: 10. De culto
ao exterior viviam os fariseus, amar era um verbo por demais doloroso para
eles, tão impressionados com rituais. Nem mesmo os milagres extraordinários
vistos no tanque, transformavam aqueles endurecidos corações. Eles não deixavam
Jesus entrar em seus corações trancafiados com mil ferrolhos.
E,
interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o reino de Deus,
respondeu-lhes, e disse: O reino de Deus não vem com aparência exterior.
Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre
vós. Lucas 17: 20-21
O que
de maior deve existir em nós é a sede por Deus, é a vontade de nos
relacionarmos com Ele e obedecê-Lo. Isso não requer sacrifício, porque estes
não agradam a Deus, mas implicam humildade. Conheço homens cheios de
conhecimento, doutores em suas áreas acadêmicas, mas de uma pobreza espiritual
sem limites, e o pior: impregnados pelo orgulho de seus status a tal ponto de
não ajoelharem-se diante de Deus. Misericórdia, que pelo poder e amor de Jesus,
sejam estes alcançados para conhecerem a verdadeira felicidade que não provém
de coisas exteriores.
“Deus
resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” Tg 4:6.
Encontrar
Jesus e ser resgatado para o Seu Reino em vida abundante e eterna, não é
privilégio de uma minoria, de eleitos, nada disso. Ele veio para todos (Jo 3: 16)
e todo o que Nele se firma, encontra a Vida, mesmo quando chega a morte:
"Eu sou a ressurreição e a vida . Quem crê em mim, ainda que morra
viverá." Jo 11:25. Que haja em nós essa humilde busca e entrega.
Deus
o abençoe.
Fonte: Bíblia de Estudo Plenitude, revista e atualizada, SBB Evangelho de João,
Capitulo 5, pg. 1076.
Sarepta era uma pequena cidade
costeira fora
das fronteiras de Israel, pertencia ao domínio de Sidon e era governada por
pagãos. Por toda região, no reinado de Acabe, houve uma grande seca. Por três
anos e seis meses nem uma gota sequer de água caiu do céu. Esta seca fora
predita pelo profeta Elias, que perseguido por corruptos governantes, se
refugia junto ao ribeiro de Querite. Elias ficou em Querite, sendo sustentado
pelos corvos até o riacho secar. Deus cuidou de Elias para que não morresse de
fome, já que não podia andar livremente pela região, o lugar e as
circunstâncias que vivia o profeta, eram incomuns. Ninguém sabia seu paradeiro,
a não ser Deus.
Certo dia Elias acorda e não vê
corvos, nem
comida, nem água. O riacho havia secado. Ele precisava partir algo novo lhe
esperava. Quem ordena que o riacho seque é o próprio Deus que lhe aponta um
novo caminho, nova direção: “Levanta-te, vai para Sarepta, que é de Sidom, e
habita ali; eis que eu ordenei ali a uma viúva que te sustente” I Rs 17:9.
Quando “o riacho” seca, é hora de
recomeço.
Chegando a Sarepta, a porta da cidade, está uma viúva, apanhando gravetos. Não
era lenha, eram gravetos. Lenha é para fogo alto. Gravetos, para pequeninas chamas,
que rapidamente se tornam em brasa, sinal de pouca comida. Elias, cansado da
viagem, cumprimenta a mulher e lhe pede um pouco de água e também pão: “Não
tenho comida em casa, só um punhado de farinha e um pouco de azeite, vês, só
peguei dois gravetos, vou prepará-lo para mim e meu filho para que comamos e
morramos” I Rs 17:12
A reação
de Elias, diante da confissão da viúva, é inusitada. Ele pede que o alimento seja dado
primeiramente para ele, assim Deus multiplicaria o azeite e a farinha até a
chegada da chuva. Sem questionar, a mulher obedece e a Palavra do Senhor se
cumpre, dando-lhe fartura de víveres.
Os Gravetos:
A viúva de Sarepta não
entregou apenas as
primícias da refeição para Deus, mas tudo que tinha. Os gravetos se
multiplicaram em sua casa. A noticia se espalhou e logo vieram pedintes. Muitas
outras pessoas foram alimentadas. Ali estava, uma viúva solitária, em
território pagão, falando do Deus de Israel e de suas maravilhas. E ela nem era
do povo escolhido! Jesus, disse que muitas viúvas havia em Israel na época da
grande fome, mas apenas a uma das viúvas, foi enviada providência. Lc 4:25.
A fé de uma gentia moveu o coração de
Deus. Israel
era tão populoso, uma vida, representa uma porta tão estreita... Onde estariam
os judeus? Adorando a Baal? Se curvando a Jezabel, Acabe? Esperando que estes
lhes trouxessem chuva? Estariam murmurando? Ao contemplar essa passagem
Bíblica, temo pela Igreja. Teríamos a mesma fé da mulher que atraiu Elias até
Sarepta? Estaria a igreja hoje como os judeus da época de Elias?
No apanhar dos gravetos, a viúva de
Sarepta, teve
um encontro com o Deus de Israel, a quem ela buscava e temia. Sua vida estava
por um fio, se Elias não tivesse chegado, a morte a alcançaria. Como está sua
vida? Chegou ao limite dos gravetos? Entregue os poucos que lhe restam para
Deus, confie e Ele lhe dará vida, em abundância. Não entregue sob medida, mas
por inteiro. Saiba que para Deus, não existe distância, barreira ou
circunstância, tudo que Ele quer é um coração que lhe adore, com todas as
forças. Ele mesmo removera "a fome", multiplicará “o azeite e a
farinha”.
Não
sei se você já esteve em meio a multidão tentando ver alguém famoso. É comum,
pessoas empurrarem e competirem por melhores lugares a fim não
apenas de ver, mas também de ser visto. O encontro de Jesus com Zaqueu se deu
nessas condições. Jesus estava em Jericó e uma multidão O seguia para receber,
ver milagres e disputar Sua atenção. Era praticamente impossível para
alguém de baixa estatura e pouca popularidade, se manter em destaque entre
tantas pessoas. Zaqueu era esse protótipo de homem que se perderia facilmente,
passaria despercebido ou quem sabe, seria pisoteado ao se misturar na multidão.
“E,
tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando. E eis que havia ali um homem
chamado Zaqueu; e era este um chefe dos publicanos, e era rico. E procurava ver
quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena
estatura. E, correndo adiante, subiu a um sicômoro bravo para o ver; porque
havia de passar por ali. E quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima,
viu-o e disse-lhe: Zaqueu desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua
casa. E, apressando-se, desceu, e recebeu-o alegremente. E, vendo todos isto,
murmuravam, dizendo que entrara para ser hóspede de um homem pecador”. Lucas
19: 1-7
Zaqueu
era um homem muito rico, sua fortuna era resultado de trabalho e também de
fraudes. Era chefe dos publicanos e superfaturava a cobrança de impostos que
fazia para o governo romano. Era judeu, e apesar do prestigio social alcançado
e da incontestável capacidade de liderar, sua presença não era das mais
desejáveis: Um baixinho avarento e ganancioso que em nada se parecia com seu
nome “Zaqueu” no hebraico, uma variação do nome Zacarias, significando
“puro”. Diante do histórico do moço, é provável, que fosse “detonado” pelos
olhares e gestos ao ser notado entre os seguidores de Jesus.
E
como todo líder comercial é dado a estratégias de marketing, Zaqueu não hesita
em planejar uma maneira de ver a Jesus. A passagem Dele em Jericó era um
acontecimento ímpar. Quem era o tão comentado carpinteiro que transformava a
vida das pessoas? Zaqueu queria saber, conhecer de perto. Seria a atitude dele
de fé ou de curiosidade? Eu diria que ambas as coisas. Algo já incomodava o
pequeno publicano, no íntimo. Caso contrário, por que se arriscar tanto? Zaqueu
estava curioso, mas ao mesmo tempo, fora despertado na fé, acreditava ser
Jesus alguém especial capaz de realizar milagres.
E lá
vinha Jesus, cercado de seguidores. Zaqueu corria pelas laterais, fazia
ziguezagues, esticava o pescoço e nada de chegar perto do Mestre. Ele então
corre rapidamente para se adiantar aos demais e sobe em uma figueira brava.
Esse tipo de árvore tem copa farta, muitas folhas e não é tão alta. É
interessante que a figueira escondia a Zaqueu, ele podia ver sem ser
visto. Ao parar embaixo da árvore para falar com Zaqueu, Jesus demonstra
sensibilidade e onisciência. Seu olhar foi muito além dos acontecimentos. As
pessoas devem ter sorrido, zombado do baixinho pendurado no galho, mas a reação
de Jesus é diferente e espanta a todos: “Zaqueu, desce depressa, vou para sua
casa”!
Os
murmurinhos da multidão eram de reprovação: “Como assim, repousar na casa desse
ladrão? Ele não merece essa honra, tem afligido a muitos de nós!”.
Jesus não estava preocupado em ser popular, em agradar a maioria, Ele
queria salvar a Zaqueu, regar a semente de fé que já brotava em seu interior. O
cobrador de impostos deixaria de ser figueira brava, para ser figueira de vide
excelente!
Jeremias
2: 21 Eu mesmo te plantei como vide excelente, da semente mais pura;
Como,
pois, te tornou para mim uma planta degenerada, como de vide brava?
Zaqueu,
o puro, precisava retornar a sua essência e aquele encontro era a chance. Não
sabemos como foi o diálogo de Jesus com Zaqueu no percurso até sua casa, o
certo é que o baixinho fora profundamente marcado. Todos os que buscam Jesus
são de fato, transformados através do diálogo, do encontro. A ordem de Jesus:
“Zaqueu,
desce da figueira” também pode ser traduzida como: “Zaqueu, abandona essa vida,
larga esses métodos corruptos, falhos, esses frutos imprestáveis”.
Posição
social elevada não é requisito de santidade. Status não compra salvação. Ainda
que seja o mais influente dos homens, é preciso se humilhar diante de Deus para
ser exaltado.
“Porquanto
qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se
humilhar será exaltado.” Lucas 14. 11. Desce Zaqueu, deixa à figueira brava!
Jantar
na casa de alguém em Israel era um costume que indicava amizade, cordialidade.
Jesus, ao se oferecer para ir à casa de Zaqueu demonstra todo seu carisma e
pacifismo. Jesus é irresistível como amigo, porque é verdadeiro e sem
preconceitos! Que grande alegria tem em saber que não existe fronteira, muro,
obstáculo de qualquer espécie que impeça Jesus de chegar até nós a não sermos
nós mesmos! Jesus escolhe Zaqueu sem se importar com as criticas. E por
que o escolhe? Porque existia um desejo no coração de Zaqueu em ser
transformado. Ninguém conseguiu ver isso. Para todos, ele era irrecuperável e
merecia mesmo era castigo e desonra. Jesus viu. Nada há que esteja oculto aos
Seus olhos, nem mesmo um pequenino homem acomodado entre a copa de uma
figueira!
E,
levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres
metades dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo
quadruplicado. E disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa, pois também
este é filho de Abraão. Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se
havia perdido. Lucas 19:8-10.
A
declaração de Zaqueu é de arrependimento, agora ele conhecia Jesus de fato, não
apenas de vista. Agora Zaqueu era o puro e não o caloteiro. Era
figueira excelente e não a brava (na qual se apoiou a vida inteira). Ele estava
se voluntariando para restituir além do que exigia a lei. Levítico 6:5 “... ou
qualquer coisa sobre que jurou falso; por inteiro o restituirá, e ainda a isso
acrescentará a quinta parte; a quem pertence lhe dará no dia em que trouxer a
sua oferta pela culpa.” Ao invés de restituir um quinto, ele restituiria quatro
vezes mais! È certo que a prática da defraudação não lhe seria mais própria
e aqueles que já haviam sido prejudicados seriam recompensados. Um novo
homem, uma nova vida!
A
vida de Zaqueu e seu encontro com Jesus nos ensinam muitas coisas, entre as
quais:
É preciso buscar um encontro real com
Jesus, não basta ouvir falar ou acompanhar de longe.
A transformação verdadeira do ser
advém desse encontro em que o arrependimento se faz necessário e é consequência
do relacionamento espiritual profundo com Deus.
Ao olhar para Jesus, nossas
limitações são vencidas, obstáculos são superados.
O pecado não é capaz de conduzir a
uma vida de paz.
Obedecer ao chamado de Deus
implica renunciar a práticas antigas.
Jesus capacita os escolhidos para
além do que olhos possam ver e ouvidos ouvir.
Jesus não faz acepção de pessoas.
É verdade, muitos de nós, mesmo
andando com Jesus, desacreditamos na conversão de Zaqueu, figueira brava.
“Descer da figueira”: se humilhar
perante Deus, confessar a culpa, abandonar o mundo.
Zaqueu, cujo nome significa puro,
retorna a essência ao deixar Jesus entrar em seu coração.
O pecado corrompe, Jesus limpa para
sermos quem Ele quer que sejamos.
Escolher obedecer a Deus pode
implicar em frustrar a popularidade.
Um
alunou entrou em sua escola atirando, e vários dos seus colegas de classe foram
mortos. Um homem ressentido por ter sido despedido de seu trabalho entrou
atirando no local em que trabalhava e matou seu chefe. Uma mãe empurrou seu
carro para dentro de um lago com seus dois filhos pequenos dentro, e os afogou.
Em pelo
menos dois continentes, milhares de pessoas têm sido mortas em virtude de
guerras motivadas pela limpeza étnica. Séculos de dominação da parte de dois ou
mais grupos étnicos são as razões para tais atrocidades. Homens, mulheres,
crianças e até mesmo bebês têm sido mortos, mutilados, espancados e
violentados.
Punir
esses bárbaros crimes com a pena de morte, mesmo para os assassinos a sangue
frio, é um ato condenado por muitos. Os grupos contrários à pena de morte
protestam em voz alta, chamando isso de um “ritual pagão” e desumano. Eles
perguntam: Será que esses assassinos estão além da redenção?
Qual é
a maneira mais humana de executar os criminosos condenados? A cadeira elétrica?
Alguns pensam que talvez seja uma droga letal que cause o mínimo de dor. Outros
defendem que a vida se encerraria mais rapidamente pelo enforcamento.
Mas, em
todos esses acalorados debates sobre a sentença de morte, há uma opção que não
é considerada por ninguém. Ninguém sugere que os assassinos a sangue frio, que
cruelmente acabaram com a vida de outra pessoa, paguem com a agonia física de
ser torturado até a morte. Ninguém, por exemplo, sugeriu até hoje que esses
assassinos queimem até morrer.
Por
incrível que pareça, muitos cristãos sinceros assumem que nosso Pai celestial
fará algo muito pior que isso. Eles alegam que os ímpios devem ser torturados a
fim de pagar por seus pecados. E que melhor maneira de Deus fazer isso do que
colocá-los num lugar de tormento eterno?
Mas, o
que realmente acontecerá com os ímpios? Como o destino deles pode ser
compatível com o amor e a justiça de Deus? Vamos procurar as respostas bíblicas
para essas perguntas.
1. O
ÚLTIMO SOFRIMENTO DE JESUS
Por 6.000
anos Deus tem amavelmente chamado homens e mulheres.
“Juro
pela minha vida, palavra do Soberano, o Senhor, que não tenho prazer na morte
dos ímpios, antes tenho prazer em que eles se desviem dos seus caminhos e
vivam!” Ezequiel 11:33 (A não ser quando indicado, todos os textos bíblicos da
série DESCOBERTAS BÍBLICAS são da Nova Versão Internacional da Bíblia [NVI].).
A cruz
revelou o quanto Deus deseja resgatar a humanidade caída. Quando Jesus clamou
na cruz: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo”, Ele expôs a
dor do Seu coração (Lucas 23:34). Pouco depois Jesus entregou Sua vida e,
alguns creem, morreu de um coração quebrantado (João 19:30, 34).
Mas,
mesmo com essa poderosa demonstração de amor divino, muitos indivíduos ainda
não se voltam para Jesus. Enquanto o pecado dominar este mundo, ele continuará
a multiplicar a miséria humana. Por isso o pecado deve ser destruído. Qual é o
plano de Deus para acabar com o pecado?
“O dia
do Senhor, porém, virá… Os céus desaparecerão com um grande estrondo, os
elementos serão desfeitos pelo calor, e A TERRA, E TUDO O QUE NELA HÁ, SERÁ
QUEIMADA”. II Pedro 3:10, nota da margem.
Deus
deve finalmente limpar o universo do mal e colocar um ponto final no pecado.
Aqueles que persistirem em se apegar ao pecado será finalmente destruído pelo
fogo que está preparado para o Diabo, seus anjos e o pecado de nosso mundo. Que
sofrimento para o coração de Jesus ao ver o fogo consumindo aqueles pelos quais
Ele morreu para salvar.
2. ONDE
E QUANDO VAI QUEIMAR O INFERNO?
Ao
contrário de algumas concepções populares, Deus não tem um local onde há um
grande fogo queimando, chamado de “inferno”, aonde os pecadores vão quando
morrem. O inferno acontece quando essa terra for transformada num lago de fogo.
Deus espera para efetuar a sentença sobre os ímpios até o julgamento final ao
final dos mil anos (Apocalipse 20:9-15).
“Os
céus e a terra que agora existem estão reservados para o fogo, guardados para o
dia do juízo e para a destruição dos ímpios”. II Pedro 3:7
Deus
nunca planejou que qualquer ser humano acabasse sua vida no fogo do inferno.
Contudo, quando as pessoas se recusam a abandonar Satanás e se apegam aos seus
pecados, eles finalmente precisam receber as consequências de suas escolhas.
“Então
Ele dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Malditos, apartem-se de mim para o
fogo eterno, PREPARADO PARA O DIABO E SEUS ANJOS’”. Mateus 25:41
De
acordo com Jesus, quando será o inferno?
“Assim
como o joio é colhido e queimado no fogo, assim também acontecerá NO FIM DESTA
ERA [FIM DOS TEMPOS, Nova Tradução na Linguagem de Hoje]. O Filho do Homem
enviará os Seus ANJOS, e eles TIRARÃO do Seu Reino TODO O QUE FAZ TROPEÇAR E
TODOS OS QUE PRATICAM O MAL. ELES OS LANÇARÃO NA FORNALHA ARDENTE, onde haverá choro
e ranger de dentes”. Mateus 13:40-42
O joio,
os que fazem o mal, não será queimado até o fim do mundo. Antes que essa
sentença seja levada a cabo, todo o universo deve ter certeza de que Deus foi
justo em todas as maneiras de lidar com o cada ser humano. Como foi detalhado
na Lição 22, no grande conflito que há entre Cristo e Satanás, Satanás tem
tentado provar para o universo que o seu modo de viver, o pecado, é melhor;
Jesus tem demonstrado que a vida de obediência é a chave para ter uma vida mais
satisfatória.
Ao
final dos mil anos, essa demonstração culminará no julgamento de Satanás, de
seus anjos, e dos ímpios. Depois que os livros de registro forem abertos, e for
revelada cada parte que cada pessoa desempenhou nesse grande drama, Deus
lançará Satanás, a morte, e o túmulo, juntamente com todos cujos nomes “não
foram encontrados no livro da vida… no lago de fogo” (Apocalipse 20:14, 15). De
acordo com o próximo verso, Apocalipse 21:1, depois que Deus purificar a terra
do pecado, com fogo, Ele criará “novos céus e uma nova terra”.
3. POR
QUANTO TEMPO QUEIMARÁ O INFERNO?
Muitos
crentes aceitam a ideia de que o fogo do inferno durará para sempre, existindo
assim um tormento eterno. Vejamos cuidadosamente os textos nos quais Deus
descreve o tratamento do pecado e dos pecadores.
“Ele
punirá os que não conhecem a Deus e os que não obedecem ao evangelho de nosso
Senhor Jesus. Eles SOFRERÃO A PENA DE DESTRUIÇÃO ETERNA, a separação da
presença do Senhor e da majestade de Seu poder”. II Tessalonicenses 1:8
Note
que “destruição eterna” não é a mesma coisa que “tormento eterno”. Significa
simplesmente que será uma destruição de consequências eternas. O efeito é a
morte eterna. Pedro falou do dia do julgamento e da “destruição dos ímpios” (II
Pedro 3:7).
De
acordo com Jesus, tanto a “alma quanto o corpo” são destruídas no inferno
(Mateus 10:28).
Em Seu
Sermão da Montanha, Jesus falou da porta estreita “que leva à vida”, e a porta
larga “que leva à destruição” (Mateus 7:13, 14). Em João 3:16, Jesus explica
que Deus “deu Seu Filho Unigênito” para que todo o que crê não “pereça, mas
tenha a vida eterna”. Jesus contrasta os dois resultados: a morte eterna ou a
morte – não ficar queimando para sempre. Devemos concluir que o inferno
definitivamente tem um término; ele resulta em morte e destruição dos ímpios.
Claras
afirmações por toda a Bíblia nos dizem que os ímpios serão destruídos. “A
descendência dos ímpios será eliminada” (Salmo 37:28); eles “serão destruídos”
(II Pedro 2:12); “desvanecerão como a fumaça” (Salmo 37:20). O fogo
reduzir-lhes-á a cinzas (Malaquias 4:1-3). “O salário do pecado é a morte”, não
vida eterna no lago de fogo; “o dom gratuito de Deus é a vida eterna” (Romanos
6:23).
O
propósito da punição final do fogo do inferno é para eliminar o pecado do universo,
não para preservar o pecado para sempre. É extremamente difícil imaginar que o
mesmo Cristo que chorou por causa do destino da teimosia de Jerusalém e que
perdoou aqueles que O mataram, seria capaz de passar a eternidade inteira
observando a agonia dos perdidos.
O
inferno tem um final. Ao final dos mil anos, Deus fará chover fogo do céu para
eliminar o Diabo, seus anjos, e os ímpios que persistirem em se apegar a seus
pecados. “Fogo” desce “do céu” e os devora (Apocalipse 20:9).
De
acordo com Jesus, esse fogo “nunca se apaga”. Ou seja, nenhum corpo de
bombeiros será capaz de apagá-lo, até que tudo tenha sido destruído e
purificado.
Deus
promete que, depois desse fogo purificador, Ele irá criar “uma nova terra”, na
qual “as aflições passadas serão esquecidas”; e “nunca mais se ouvirão nela voz
de pranto e choro de tristeza”. (Isaías 65:16-19).
Que dia
será aquele! Toda a causa de sofrimento será extirpada. Deus apagará as marcas
do pecado de cada coração, e nossa felicidade será completa.
4. “PARA SEMPRE” NAS ESCRITURAS
Em
Mateus 25:41, Jesus fala do “fogo eterno preparado para o diabo e seus anjos”.
Será que “eterno” aqui quer dizer para sempre? Judas 7 apresenta Sodoma e
Gomorra, que “estando sob o castigo do fogo eterno, elas servem de exemplo”.
Obviamente, aquelas cidades não estão mais queimando. Mas o fogo FOI eterno no
sentido que resultou na destruição permanente.
Em II
Pedro 2:6, mais uma vez lemos sobre o fogo eterno. Mas essa passagem também
aponta claramente que Deus “condenou as cidades de Sodoma e Gomorra,
reduzindo-as a cinzas, tornando-as exemplo do que acontecerá aos ímpios”. Os
ímpios de Sodoma e Gomorra não permanecem em agonia; eles foram reduzidos a
cinzas desde muito tempo atrás. E ainda assim, o fogo caiu sobre eles é
“eterno” em suas consequências: destruição permanente. Eterno aqui significa
castigo eterno, não castigar eternamente.
Apocalipse
usa uma linguagem tão vívida e simbólica que algumas de suas passagens têm sido
mal entendidas. Por exemplo, Apocalipse 14:11 ao falar dos perdidos, diz que “a
fumaça do tormento de tais pessoas sobe para todo o sempre”. Isso parece um
sofrimento sem fim. Mas, novamente, deixemos que a própria Escritura interprete
a Escritura.
Êxodo
21:6, na versão Almeida Revista e Atualizada, 2a edição, fala de um servo que
teria sua orelha furada como sinal de que serviria seu mestre “para sempre”.
Nesse caso, “para sempre” seria enquanto durasse a vida do servo. Jonas, que
passou apenas três dias e três noites no estômago de um grande peixe (Mateus
12:40), relata que ele esteve ali “para sempre” (Jonas 2:6). Sem dúvida, três
dias numa densa escuridão pode ter parecido uma eternidade.
Por
isso, devemos ser cuidadosos em entender como e quando a Escritura usa
linguagem poética e simbólica. O fogo que sobe para sempre do lago de fogo é
uma maneira vívida de expressar destruição eterna. Apocalipse 21:8 nos fala
mais claramente que o lago e o mar de fogo “é a segunda morte”. O inferno tem
um ponto final. Os ímpios serão consumidos; serão destruídos.
5. POR QUE É NECESSÁRIO HAVER UM
INFERNO?
No
princípio, Deus criou um mundo perfeito. Mas o pecado apareceu e trouxe muitos
desastres, decadência e morte. Se você ao voltar para casa certa tarde a encontrasse
toda saqueada e destruída, você a deixaria assim para sempre? Claro que não.
Você varreria a poeira e a sujeira, limparia o lugar de cima a baixo, e jogaria
fora todos os móveis arruinados e que não dessem mais para ser consertados.
Deus fará a mesma coisa. Ele dará fim aos destroços e poluição causados pelo
pecado de uma vez por todas, criando uma nova terra no lugar da antiga. O
propósito de Deus para fazer esse mundo purificado pelo fogo é preparar tudo
para que haja um mundo perfeito no qual os salvos viverão.
Mas
Deus enfrenta um sério problema, pois o pecado não apenas destroçou nosso mundo
físico, ele também infetou as pessoas. O pecado danificou nosso relacionamento
com Ele e uns com os outros. A humanidade continua a sofrer com os abusos de crianças,
o terrorismo, a pornografia, e milhares de outras doenças da alma. Deus algum
dia precisará destruir o pecado, pois o pecado está destruindo as pessoas. O
dilema de Deus é: como eliminar o vírus mortal do pecado do mundo e ainda assim
não destruir todas as pessoas infectadas por ele? Sua solução foi levar o vírus
em Seu próprio corpo. Ele permitiu que o câncer do pecado O destruísse na cruz.
Como resultado:
“Se
confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para perdoar os nossos
pecados e NOS PURIFICAR DE TODA INJUSTIÇA”. I João 1:9.
Deus
oferece a solução para o problema do pecado de graça para todos. Mas o fato
triste é que alguns insistem em se apegar à doença do pecado. Deus não forçará
as pessoas a escolherem o caminho da vida que Ele oferece. Aqueles que rejeitam
a solução que Ele oferece serão finalmente consumidos por esse mal. O motivo
real do inferno é esse:
“Pois
Eu os chamei, e vocês nem responderam; falei, e não me deram ouvidos”. Isaías
65:12
Afastados
de Jesus por suas próprias escolhas, os ímpios descobrirão que a única
alternativa que lhes resta é a morte eterna.
6. QUAL
SERÁ O CUSTO DE PERDER-SE?
Apesar
das Escrituras não nos ensinarem que o fogo do inferno resulta num sofrimento
sem fim, ela nos dá um vislumbre da terrível experiência que será estar perdido
para sempre. Os ímpios irão perder a vida eterna. Que desespero será perceber
que a alegria da vida eterna com Deus escorreu por entre os seus dedos; que
nunca experimentarão a alegria dos perfeitos relacionamentos de amor por toda a
eternidade.
Quando
Cristo foi crucificado na cruz e tinha os pecados do mundo separando Ele do
Pai, Ele deve ter sentido a agonia da perdição eterna. Quando os ímpios olharem
para a nulidade das trevas à sua frente, perceberá que só lhes restará a
destruição eterna. Eles devem morrer sem esperanças de uma segunda
ressurreição. Ao mesmo tempo, eles verão como expulsaram Cristo cada vez mais
de sua vida, sempre que Ele tentava se aproximar com sussurros de amor. Ao
final, eles cairão de joelhos e reconhecerão a justiça de Deus e o Seu amor
(Filipenses 2:10, 11).
Não é
de admirar que os escritores bíblicos nos alertassem com urgência para que
ponderássemos sobre o peso das nossas escolhas e as reivindicações de Cristo.
“Insistimos
com vocês para não receberem em vão a graça de Deus. Pois Ele diz: ‘Eu o ouvi
no tempo favorável e o socorri no dia da salvação’”. II Coríntios 6:1, 2
Não
posso imaginar outra tragédia pior do que alguém desperdiçar o sacrifício
incalculável de Jesus para escolher perder-se. As alternativas que temos diante
de nós são bastante claras: destruição eterna: ser excluído eternamente da
presença de Deus, ou uma amizade eterna com Cristo que supre nossos anseios
mais profundos. Qual será a sua escolha? Por que não descobrir o destino que
Deus tem para você agora mesmo?
A
“destruição eterna” não é a mesma coisa que “tormento eterno”. Significa
simplesmente que será uma destruição de consequências eternas. O efeito é a
morte eterna. Pedro falou do dia do julgamento e da “destruição dos ímpios” (2
Pedro 3:7).
Dizer alguma coisa, conquanto seja
verdade, não elimina o ônus de quem a diz. Por isso ninguém pode pensar que o
fato de falar a verdade o deixa imune às consequências. Isto porque podemos
dizer algo com toda franqueza, sinceridade e ideologia, mas o custo de dizê-lo
é inevitável.
Salomão, rei de Israel, deixou-nos
frase sapiente: “Ouve, filho meu, e sê sábio”. A sabedoria de um homem
não está no discurso impecável que possa fazer, mas no fato de ele conseguir
dominar os seus impulsos e aprender a ouvir. Não esqueçamos que foi a
imensurável sabedoria de Deus que nos fez com uma só boca, mas com dois
ouvidos. “Prontos para ouvir; tardio no falar”, diz o apóstolo.
Não entendendo quem o estava a
chamar, o jovem Samuel reportava-se ao sacerdote Eli. Tal coisa fazia porque
ainda não conhecia a voz de quem lhe chamava: Deus. Uma, duas, três vezes foi o
suficiente para sentir a diferença. Aprontou-se para sintonizar-se. Ao ouvir a
Deus pela quarta vez, responde-lhe apressadamente: “Fala, Senhor, porque o teu
servo ouve!”
Quanta ciência espiritual há nesta
narrativa. Aprendemos que a mudança de hábito é extremamente funcional em
situação de impasse. Em vez do antigo “ouve, Senhor, porque o teu servo fala”,
o “fala, Senhor, porque o teu servo ouve” ajusta-se perfeitamente aos apelos da
coerência e da discrição.
A essa altura, não seria lugar comum
dizer que precisamos ouvir mais a voz de Deus do que as vozes dos homens.
Todavia, eu penso que o ideal é conseguirmos ouvir a Deus nas vozes humanas,
sobretudo nas dos pobres, para não criarmos ainda mais espiritualidade
individualista. Melhor é conseguir ouvir os homens, sem preconceito, como Deus
nos ouve. Ouvir, sempre ouvir, até que aprendamos a arte de ouvir.
Ouvir é primeiro de tudo saber calar
e isto é mais que autocontrole, é maturidade; é aprender a viver; é sabedoria.
Acerca do tema não encontrei nada
mais curioso e profundo do que o trabalho do abade francês Josep
Antoine Toussaint Dinouart, datado de 1771, sob o título “A Arte de
Calar” - Silêncio.
1. Só se deve deixar de calar quando
se tem algo a dizer que valha mais do que o silêncio.
2. Não há menos fraqueza ou
imprudência em calar, quando se é obrigado a falar, do que leviandade e
indiscrição em falar, quando se deve calar.
3. É certo que, considerando as
coisas em geral, há menos risco em calar do que em falar.
4. O homem nunca é tão dono de si
mesmo quanto no silêncio: fora dele, parece derramar-se, por assim dizer, para
fora de si e dissipar-se pelo discurso; de modo que ele pertence menos a si
mesmo do que aos outros.
5. Quando se tem uma coisa importante
para dizer, deve-se prestar a ela uma atenção muito especial: é necessário
dizê-la primeiro a si mesmo e, depois de tal precaução, voltar a dizê-la, para
evitar que haja arrependimento quando já não se tiver o poder de voltar atrás
no que se declarou.
6. Quando se trata de guardar um
segredo, calar nunca é demais; o silêncio é então uma das coisas em que,
geralmente, não há excesso a temer.
7. A reserva necessária para
guardar o silêncio na conduta geral da vida não é uma virtude menor do que a
habilidade e a aplicação em bem falar; e não há mais mérito em explicar o que
se sabe do que em calar o que se ignora. O silêncio do sábio às vezes vale mais
que o arrazoado do filósofo; o silêncio do primeiro é uma lição para os
impertinentes e uma correção para os culpados.
8. Somos naturalmente levados a
acreditar que um homem que fala muito pouco não é um grande gênio e que um
outro que fala demais é um transtornado ou um louco. Mais vale passar por não
ser um gênio de primeira grandeza, permanecendo frequentemente em silêncio, do
que por louco, abandonando-se à comichão de falar demais.
9. Mesmo que se tenha propensão ao
silêncio, sempre se deve desconfiar de si mesmo; e, se houver muita paixão em
dizer uma coisa, este será um motivo suficiente para decidir não a dizer.
10. O silêncio é necessário em muitas
ocasiões, mas é preciso sempre ser sincero; podem-se reter alguns pensamentos,
mas não se deve camuflar nenhum. Há maneiras de calar sem fechar o coração; de
ser discreto sem ser sombrio e taciturno; de ocultar algumas verdades sem as
cobrir de mentiras.
Concluo esta reflexão dizendo - como já o fiz acima - que a maturidade e
a sabedoria de um homem acontecem quando ele aprende a ouvir - a arte de
calar.