quarta-feira, novembro 30, 2016
HISTÓRIA DE LÁZARO: QUEM FOI LÁZARO NA BÍBLIA?
HISTÓRIA DE LÁZARO: QUEM FOI LÁZARO NA BÍBLIA?
Lázaro
foi irmão de Marta e Maria, conhecido na narrativa bíblica por ter sido
ressuscitado por Jesus. O nome “Lázaro” é uma forma
abreviada do nome hebraico Eleazar, que significa “aquele a quem Deus ajudou”. A história de Lázaro está
registrada no Evangelho de João, e neste estudo bíblico conheceremos um pouco
mais sobre quem foi Lázaro na Bíblia.
Antes de falarmos sobre o Lázaro de Betânia,
obviamente não podemos deixar de mencionar o Lázaro personagem da história (ou
parábola) sobre o homem rico contada por Jesus e registrada no Evangelho de
Lucas (cap. 16:19-31).
A
história de Lázaro
Como já
dissemos, Lázaro morava em Betânia da Judéia,
e era o irmão de Marta e Maria. Sua história registrada na Bíblia encontra-se
no capítulo 11 (vers. 1-44) do Evangelho de João. Também no mesmo livro, Lázaro
aparece em um jantar dedicado a Jesus (Jo 12:1-3).
Nada se
sabe sobre a biografia de Lázaro ou suas
características pessoais além das informações sobre suas irmãs e o local onde
morava. A narrativa bíblica se concentra no episódio marcante do milagre de sua ressurreição.
Alguns
detalhes do texto bíblico nos mostram que Lázaro e sua família possuía
certa proximidade com Jesus, pois Jesus os amava (Jo 11:3,5), além
de que, ao falar com seus discípulos, Jesus se referiu a Lázaro como “nosso amigo” (Jo 11:11).
Jesus
ressuscita Lázaro
O capítulo 11 do Evangelho de João descreve um
milagre extraordinário realizado por Jesus. Os Evangelhos de Marcos e Lucas
também relatam outras duas ressurreições realizadas por Jesus, sendo elas: a
filha de Jairo (Mc 5:22-42) e o filho da viúva de Naim (Lc 7:11-18).
Entretanto,
o milagre sobre Lázaro se difere de certa forma dos outros, pois Lázaro
foi o único deles que já estava sepultado, no caso, já há quatro dias. Embora
Jesus tenha sido avisado sobre a enfermidade de Lázaro,
o texto de João enfatiza o propósito de Jesus naquela situação, a saber, ressuscitar um morto ao invés de curar um doente (Jo
11:3; 11-15).
Os estudiosos geralmente concordam que o milagre
realizado a favor de Lázaro, devido a sua proporção, tenha sido o maior milagre
que Cristo efetuou durante seu ministério antes de sua crucificação, morte e
ressurreição.
Certo é
que, tal milagre, foi profundamente revelador acerca da pessoa e da obra do
Senhor, apontando para Jesus como o Filho de Deus, “a
ressurreição e a vida” (11:25), de modo que, entre aqueles que
testemunharam tal milagre, não houve alguém que duvidou do ocorrido, mas houve
aqueles que creram em Jesus, e houve também aqueles que rejeitaram a glória de
Deus revelada através dEle, indo denunciá-lo aos principais dos sacerdotes e
fariseus (Jo 11:45-47).
Após a denúncia, a sequência do texto nos mostra
que o milagre da ressurreição de Lázaro despertou ainda mais a vontade dos
fariseus em condenar Jesus (Jo 11:57), além de também planejarem matar a prova
do milagre, o próprio Lázaro (Jo 12:9-11).
Lázaro
realmente foi ressuscitado?
Para quem
têm a Bíblia como a inerrante e infalível Palavra de Deus, a base presente no
texto do Evangelho de João é suficiente para atestar que Lázaro realmente foi ressuscitado. Entretanto, alguns
críticos tentam questionar a autenticidade do relato sobre Lázaro,
principalmente com base no fato de que os Evangelhos Sinóticos não registram
tal milagre.
Sobre esta questão, sabemos muito bem que o
Evangelho de João difere em seu estilo dos Evangelhos Sinóticos, bem como há
relatos sobre o ministério de Jesus (incluindo os milagres) que são priorizados
mais em um determinado evangelho do que em outro, de forma que os quatro
Evangelhos se completam. Logo, não há qualquer problema ou dificuldade no fato
dos Evangelhos Sinóticos não terem registrado o milagre de Jesus com relação a
Lázaro.
Ademais,
podemos dizer também que a história da ressurreição de
Lázaro foi registrada por uma testemunha ocular, não possui
qualquer semelhança com os fantasiosos registros apócrifos, ao contrário, é uma
descrição simples, clara, objetiva e sensível ao contexto da situação.
Também é digno de nota o silêncio acerca das
experiências de Lázaro durante os quatro dias em que esteve morto e sepultado.
É comum alguns pregadores e comentaristas se arriscarem em alegorias sobre essa
questão.
Eu mesmo,
infelizmente, já escutei uma pregação onde o pregador disse que “Lázaro estava participando de um culto no além, quando ouviu a voz
de Jesus o chamar“. Claro que isso é um absurdo.
A verdade bíblica sobre isto é que nenhuma palavra
nos foi dita. Podemos sim compreender a doutrina bíblica a respeito do estado
intermediário dos mortos, mas com base em outros textos.
Também não há qualquer justificativa para se
utilizar o silêncio do texto em relação ao que se passou com Lázaro enquanto
este estava morto, para tentar justificar o ensino acerca do sono da alma
(repouso inconsciente, psicopaniquia) como alguns fazem.
A Bíblia é
muita clara ao ensinar que, embora a alma esteja adormecida para o mundo
terreno (Jó 7:9; 10; Ec 9:6), ela está completamente despertada e consciente em
seu próprio mundo, seja no local de punição para os ímpios (inferno em
seu estado presente), ou ao lado do Senhor no céu (Lc 16:19-31; 23:43; 2Co 5:8;
Fp 1:21-23; Ap 7:15-17; 20:4).
Fonte: https://estiloadoracao.com/historia-de-lazaro-na-biblia/
AS SETENTA SEMANAS DE DANIEL
AS SETENTA SEMANAS DE DANIEL

As
setenta semanas de Daniel é como ficou conhecida pelos cristãos a profecia
registrada em Daniel 9:24-27. A
profecia das 70 semanas é um dos temas mais polêmicos e debatidos entre os
estudiosos devido a sua grande dificuldade de interpretação.
Neste
estudo bíblico, conheceremos alguns aspectos importantes da profecia das 70 semanas de Daniel, e as principais
interpretações sobre o assunto.
Quando
Daniel teve a revelação sobre as 70 semanas?
O capítulo
9 do livro do profeta Daniel nos
mostra que o profeta havia descoberto, estudando as profecias do profeta
Jeremias (Jr 29:10-14), que o tempo de cativeiro do povo
judeu na Babilônia duraria 70 anos.
Ao fazer tal descoberta, Daniel percebeu que o
momento em que estava vivendo já era a véspera do tão aguardado fim do exílio.
Daniel percebeu ainda, que o fim do exílio também estava diretamente
relacionado ao arrependimento de seu povo durante o período em que ficaram
cativos.
Entretanto, ao analisar a situação de seu povo na
Babilônia, Daniel concluiu que o povo ainda estava impenitente. Então, Daniel
se preocupou, pois ele entendia a relação pactual do Senhor com seu povo, ou
seja, onde bênçãos eram vistas na obediência, e maldições na desobediência.
Foi neste
cenário que Daniel orou ao Senhor. A oração de
Daniel consistiu primeiramente em adoração a Deus por sua fidelidade e
soberania, depois ele confessou o seu pecado e o pecado de seu povo, também
reconheceu a justiça de Deus em seu julgamento do pecado, e, finalmente, ele
fez uma grande suplica para que o Senhor, pela sua misericórdia, restaurasse a
cidade de Jerusalém tirando seu povo do exílio.
A Bíblia
diz que enquanto ele ainda orava, o anjo Gabriel veio ao seu encontro com uma
grande mensagem da parte do Senhor (Dn 9:21), onde lhe foi revelado os
propósitos de Deus acerca do futuro, e que seriam cumpridos durante
70 semanas.
O
que é a profecia das 70 semanas de Daniel? Por que 70 semanas?
O anjo
Gabriel falou a Daniel que 70 semanas estavam determinadas
sobre o seu povo (Dn 9:24). O próprio Gabriel, na descrição da
visão, organiza as setenta semanas em três subdivisões: primeiramente 7
semanas, depois mais 62 semanas e, por último, mais 1 semana.
Gabriel também fez referência a pelo menos dois
personagens principais: o primeiro aparece no versículo 25, e é o Ungido,
também denominado como “Príncipe” no mesmo versículo 25. Já o segundo aparece
no versículo 26, e trata-se de um príncipe que lidera um povo que destruiria a
cidade e o santuário. A identificação destes dois personagens da profecia varia
nas mais diversas interpretações sobre essa profecia.
Basicamente,
a profecia fala primeiramente acerca da restauração de Jerusalém, e depois de
uma nova destruição haveria de acontecer. Também são apresentados seis itens que deveriam ser cumpridos durante o período das 70
semanas, sendo eles: cessar a transgressão, por fim ao pecado,
expiar a iniquidade, trazer a justiça eterna, selar a visão e a profecia e
ungir o Santíssimo (Dn 9:24). A forma e o período em que esses itens são cumpridos
também variam de acordo com cada corrente escatológica.
Muitos
também se perguntam o porquê de serem 70 semanas.
A expressão “setenta semanas” traduz o original “setenta setes“.
Muitos estudiosos acreditam que se trata de uma referência direta aos 70 anos de exílio que o povo foi submetido, sendo
então, estes 70 anos, multiplicados sete vezes, de acordo com o padrão de
tratamento pactual (cf. Lv 26:14,21,24,28).
Seja como
for, todos os intérpretes consideram que as 70 semanas devem ser
entendidas não como semanas de dias, mas como semanas de anos, assim
como está em Levítico 25:8. Desta forma, a profecia das 70 semanas se
refere a um período de 490 anos (70×7).
Assim, a divisão das semanas estabelecida na
própria profecia seria a seguinte: 49 anos (7 semanas), 434 anos (62 semanas) e
7 anos (1 semana).
As
diferentes interpretações sobre as 70 semanas de Daniel
A
profecia das setenta semanas de Daniel sempre
foi muito debatida. Antes mesmo das discussões entre as diferentes correntes escatológicas,
tal profecia já era alvo de debate entre intérpretes judeus, depois latinos e
gregos.
São tantas
interpretações diferentes que seria algo quase impossível considerar todas elas
num único texto. Portanto, colocarei ênfase apenas nas principais
interpretações dentro do cristianismo, que, de alguma forma, são defendidas
pelas diferentes posições acerca da escatologia bíblica.
Não há
tanta discussão entre os cristãos a respeito das primeiras 69 semanas, apenas alguns debates acerca de
datas e eventos históricos. As discussões se concentram realmente no significado da septuagésima semana. Sobre isto, existem
três interpretações principais:
Interpretação
literal e futurista: interpreta as semanas de forma literal, ou
seja, representando um período preciso de tempo, a saber, 490 anos exatos.
Devido à interpretação estritamente literal, essa linha de interpretação
entende que 483 anos já se cumpriram, o que corresponde a 69 semanas (7+62) e a
última semana, no caso a septuagésima, foi adiada e transferida para os últimos
dias da presente dispensação. Assim, existe um hiato entre a sexagésima e a
septuagésima semana, uma lacuna de tempo, um período indeterminado que é a era
da Igreja. Finalmente, a septuagésima semana começa quando a Igreja for arrebatada e
o Anticristo revelado, e corresponde aos sete anos de grande tribulação. Esta é
a principal interpretação entre os pré-milenistas dispensacionalistas.
Interpretação
preterista: essa interpretação entende que as 70 semanas
já se cumpriram, e a septuagésima semana corresponde ao período desde a morte
de Cristo na cruz até a destruição de Jerusalém em 70 d.C. pelo exército
romano. Alguns preteristas entendem que a destruição de Jerusalém não ocorre
necessariamente dentro das 70 semanas, mas em algum momento depois dela. Muitos
pós-milenistas defendem esta interpretação.
Interpretação
simbólica: essa interpretação defende que as 70 semanas
devem ser entendidas de forma simbólica. Apesar de ser simbólica, essa
interpretação se mistura com historicidade, ou seja, as 70 semanas se cumprem
historicamente, porém não existe a necessidade das datas serem exatas. Assim, a
septuagésima semana é simbólica, e se refere à época da Igreja, ou seja, ao
período que compreende desde a primeira vinda de Cristo até sua segunda vinda.
Esta é a principal interpretação entre os amilenistas.
Como
interpretar as 70 semanas de Daniel?
Todas
as interpretações sobre as 70 semanas de Daniel possuem problemas.
O texto de fato não é claro, de forma que em qualquer posição que tomarmos,
necessariamente estaremos defendendo uma simples interpretação.
Sobre as
“setenta semanas” e suas três divisões, muitas tentativas já foram feitas para
estabelecer com exatidão a cronologia desse período, porém nenhuma delas se
mostrou realmente eficaz. Isso acontece porque “a conta não fecha” com precisão
em nenhuma das interpretações possíveis, isto é, sempre a data se mostra aproximada e não exata.
Para entendermos melhor as dificuldades que
existem, vamos analisar resumidamente o texto da profecia das 70 semanas.
Setenta
semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa Cidade, para
cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade,
e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o
Santíssimo. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para
edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e
sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos
angustiosos (Daniel 9:24,25).
Já vimos
que existem duas possibilidades de interpretarmos as 70
semanas, isto é, ou de forma simbólica ou literal. Se entendermos as
setenta semanas como literais, então temos a grande dificuldade de fazer com
que os 490 anos se encaixem nas datas propostas.
Um exemplo
dessa dificuldade pode ser visto na afirmação de que o tempo deveria ser
contado “desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém“.
Sobre isto, encontramos pelo menos três decretos que poderiam representar tal
“ordem”. O primeiro foi com Ciro no século 6 a.C., depois temos o primeiro
decreto de Artaxerxes em 457 a.C., e, por último, um segundo decreto em 444 ou
445 a.C. (embora não tenha sido tecnicamente um decreto e sim uma autorização).
O primeiro
decreto com Ciro é praticamente inviável, pois a data ficaria muito longe do
primeiro século depois de Cristo, além de que a ordem prioriza a reconstrução
do Templo e não da cidade. Vale dizer que há intérpretes consideram essa
data, colocando então o termino das 70 semanas no período intertestamentário,
na época de Antíoco IV Epifânio.
Como discutiremos aqui apenas as principais
interpretações dentro do cristianismo, então nos sobrariam as outras duas
possibilidades. Antes de falarmos sobre isto, devemos considerar a dificuldade
com relação ao tipo de calendário utilizado para fazer este cálculo, ou seja, é
possível calcular com o calendário lunar e o calendário solar.
Também se soma a isto o fato de que há um erro
entre 4 e 7 anos no cálculo feito por Dionísius Exiguus no calendário que nós
utilizamos hoje, cuja contagem dividiu a História em “a.C.” e “d.C”.
Alguns afirmam que as 69 semanas ou 483 anos, se
cumprem exatamente no ano em que Jesus começou seu ministério na Galiléia.
Outros afirmam que os 483 anos coincide no ano em que Cristo foi
crucificado. Entretanto, considerando as dificuldades que já mencionamos aqui,
podemos concluir que é impossível que seja estabelecida uma data exata para o
término das 69 semanas.
Particularmente,
prefiro considerar como sendo o mais provável, a ordem de 444 a.C., de forma
com que “os tempos angustiosos” citados na profecia, são aqueles
registrados no relato de Neemias. Assim sendo, de 444 a.C. devem ser contados
483 anos, resultando então em 37 ou 38 d.C. Considerando o erro de cálculo nas
contas Dionísius Exiguus entre 4 e 7 anos, então chegaremos a uma data
aproximada entre os anos 31 e 34 d.C., o que provavelmente corresponde ao
período do ministério de Jesus.
Na
interpretação preterista, que é a mais literal de todas, não há como fazer
encaixar o período entre a crucificação de Cristo e a destruição de Jerusalém
em 70 d.C. Assim, segue-se uma interpretação literal até a sexagésima semana, e
é preciso que se recorra a um arranjo para posicionar a septuagésima semana.
Como já dissemos, para resolver essa questão, geralmente os preteristas
defendem que Daniel não diz que a destruição de Jerusalém
ocorreria dentro da septuagésima semana.
Já na
interpretação dispensacionalista essa dificuldade não ocorre, porém por outro
lado, a septuagésima semana é adiada e inicia-se um hiato. O
problema é que o texto não faz qualquer referência sobre um possível adiamento
da septuagésima semana, nem mesmo que haveria uma lacuna de tempo após a
sexagésima semana.
Assim, penso que tal interpretação não pode
reivindicar uma condição especialmente literalista, pois utiliza um elemento
que não está literalmente no texto. Logo, é possível notar uma possível falta
de padrão no estilo interpretativo.
Outro problema também se dá pelo fato de que, se a
septuagésima semana corresponde ao período futuro de grande tribulação e esse
período deve ser interpretado de forma literal, então será possível calcular a
segunda vinda de Cristo a partir da manifestação futura do Anticristo, e não
existe qualquer base bíblica que aponte para essa possibilidade.
Talvez a
melhor possibilidade de resolver todos estes problemas é entender que a interpretação das 70 semanas deve ser simbólica, pois
assim, tais dificuldades serão eliminadas. Vale dizer que a interpretação
simbólica considera que o texto onde a profecia das setenta semanas aparece é
apocalíptico, e, como tal, existe o uso de elementos simbólicos.
Também é
preciso notar que o próprio número “7” é amplamente utilizado com significado
simbólico em textos apocalípticos da Bíblia. Assim, os interpretes dessa
posição entendem que o período de 490 anos
representa uma fórmula padrão, ou seja, a profecia não estava
estabelecendo necessariamente um cálculo exato de anos, mas segmentos de tempo
amplamente definidos.
Esse estilo de organização não era incomum na
literatura judaica, e pode ser observado em textos produzidos principalmente no
período intertestamentário, como por exemplo, o livro não canônico Jubileus,
que estrutura a História em períodos de 490 anos.
Se
as setenta semanas for entendida de forma simbólica,
então a primeira divisão da profecia em 7 semanas representa um curto espaço de
tempo até que Jerusalém fosse reconstruída com a volta do povo do cativeiro.
Depois, haveria um longo período de tempo (62 semanas) até que o Messias
estivesse na terra durante os primeiros dias do primeiro século, o que também
ocorreu em aproximadamente 434 anos depois da reconstrução de Jerusalém como já
vimos. Note sempre a condição “aproximadamente”, que, como já dissemos, indica
que não há necessidade de se estabelecer com exatidão uma data.
Também vale dizer que alguns estudiosos entendem
que o “Ungido” (ou Messias) citado no versículo 25 pode não ser uma referência
a Cristo, mas a um rei usado por Deus como instrumento para realizar sua
vontade. Neste caso, geralmente é utilizada a data do decreto de Ciro. Todavia,
creio que a melhor interpretação é que tal citação é referente ao Messias
mesmo.
Também
notamos no versículo 24 os seis itens que deveriam ser cumpridos durante as setenta semanas. Os dispensacionalistas entendem que
os seis itens só serão completamente cumpridos na segunda vinda de Cristo e no
estabelecimento de um reino milenar na terra (o milênio).
Já a outra
possibilidade é a de que os seis itens já foram
cumpridos na obra redentora de Cristo, mas que, em alguns aspectos,
alcançarão a plenitude em sua segunda vinda.
Observando
as profecias do Antigo Testamento à luz do Novo Testamento, percebemos que essa
é a melhor interpretação. Assim, podemos entender que a profecia das 70 semanas se concentra em grande parte a revelar a
obra do Messias em sua primeira vinda.
E
depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si
mesmo; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e
o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão
determinadas as assolações. E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e
na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das
abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado
será derramado sobre o assolador (Daniel 9:26,27).
Estes dois
versículos certamente são os mais difíceis. Apesar das dificuldades, e da
questão quanto à literalidade ou o simbolismo das setenta semanas, todas as
posições de certa forma concordam com o que ocorre nas primeiras 69 semanas da profecia (7+62), ou seja, independentemente
de ser considerado o primeiro decreto ou o segundo, as dadas são próximas à
reconstrução de Jerusalém e aos primeiros anos do século 1 d.C. durante o
ministério de Jesus.
O texto
claramente diz que “depois das sessenta e duas semanas será
cortado o Messias“, obviamente uma referência à crucificação de
Cristo. Quanto a isto, praticamente todas as interpretações concordam, exceto
aqueles que entendem que o Ungido citado no versículo 25 não é o Messias. Nesse
caso, então a morte do Ungido seria uma referência ao juízo de Deus sobre o rei
levantado por Ele mesmo, e que teria ultrapassado os limites como instrumento
do seu juízo. Realmente eu não creio nessa possibilidade.
Voltando ao texto, existe um debate entre as
diferentes posições sobre quando se deu a crucificação de Cristo, se na
sexagésima semana, durante o hiato ou na septuagésima semana.
Alguns dispensacionalistas afirmam que a
crucificação ocorreu na sexagésima semana, enquanto outros afirmam que ela
ocorreu após a sexagésima semana, mas não na septuagésima semana, já que esta
ainda é futura. Assim, a crucificação teria ocorrido durante a lacuna de tempo.
Já as
outras interpretações entendem que a morte do Messias ocorreu na
septuagésima semana. Particularmente penso que isso está claro no
texto, pois é uma interpretação lógica e natural que “depois da sexagésima
semana” se inicia a septuagésima semana.
Como já
disse, o problema é que o dispensacionalismo introduz um elemento estranho ao
texto, isto é, o hiato. Logo, creio que o texto obviamente está dizendo que o
Messias foi morto na septuagésima semana, até porque se não for assim não temos
o registro da septuagésima semana no texto, ou seja, não há no texto uma
expressão como “na septuagésima semana“, mas apenas
“depois da sexagésima semana“. É claro que ambas as
expressões se equivalem.
O
versículo 26 ainda diz que “o povo de um príncipe que há de
vir destruirá a cidade e o santuário“. Aqui penso que a melhor interpretação é a de que se trata de uma referência ao
general Tito Vespasiano e ao seu exército que destruiu Jerusalém.
Alguns estudiosos entendem que talvez haja aqui alguma menção ao grego Antíoco
IV Epifânio como precursor de Tito.
No
versículo 27 lemos que uma aliança seria feita: “Ele fará firme aliança com
muitos, por uma semana“. A interpretação
dispensacionalista entende que o “ele” é uma referência ao príncipe e não ao
Messias. Assim, para o Dispensacionalismo aqui se trata do
Anticristo, que fará uma aliança com o povo de Israel durante o período de
tribulação.
Ainda no
Dispensacionalismo, o Anticristo então “fará cessar o sacrifício e a
oferta de manjares“, o que significa que ele proibirá a prática
religiosa entre os judeus, o que resultará na segunda metade da septuagésima
semana, um período em que haverá intensa tribulação.
Entretanto, apesar da nossa tradução em português
parecer indicar que a melhor interpretação é entender que quem faz a aliança é
o príncipe e não o Messias, no texto original é impossível determinar quem está
fazendo a aliança. Note que no versículo anterior (26) duas pessoas são
citadas: o Ungido e o príncipe que lidera um povo. Assim, o “ele” que inicia o
versículo 27, gramaticalmente, pode ser tanto o Ungido quanto o príncipe.
Talvez haja uma pequena vantagem, gramaticalmente
falando, na interpretação de que o “ele” se refira ao Messias, pois o assunto
principal do versículo 26 é o Ungido e não o príncipe.
Se no texto original a identificação é praticamente
impossível, penso que quando interpretamos esse texto com base no restante das
Escrituras, a melhor interpretação certamente será a de que o “ele” se trata do
Messias.
Na Última
Ceia, quando Jesus tomou o cálice, Ele disse: “Este cálice é a nova aliança no
meu sangue; fazei isto todas as vezes que o beberdes em memória de mim”
(1 Coríntios 11:25). Compare o texto de Daniel que diz que “ele fará firme aliança com muitos“, com o texto do Evangelho de Mateus onde
Jesus disse: “Porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em
favor de muitos, para remissão de pecados” (Mt 26:28).
Sabemos
que cada vez que a Igreja se reúne para participar da Santa Ceia do Senhor,
ela está recordando, e ao mesmo tempo anunciando essa aliança. Assim,
entendemos que a morte de Cristo pois fim ao sistema
sacrifical do Antigo Testamento, de forma que, conforme o escritor
da Epístola aos Hebreus escreveu,
os sacrifícios levíticos eram sombras do sacrifício perfeito e definitivo de
Jesus no Calvário.
Sobre a
frase “fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares” alguns
preteristas entendem que seja uma referência à profanação e destruição do
Templo por Tito, enquanto outros entendem que seja uma referência à própria
morte de Cristo.
Como na
interpretação simbólica entende-se que a septuagésima semana
representa todo o período da era da Igreja, ou seja, ela é a última
semana, os últimos dias conforme o apóstolo Pedro interpretou a profecia do profeta Joel em
Atos 2:17, tal semana será dividida ao meio.
A primeira
metade representa o período de pregação do Evangelho pelo
mundo, onde nada poderá barrar o crescimento da Igreja de Cristo na terra e a
aliança estará sendo pregada. Já a outra metade corresponde ao período do “pouco tempo de Satanás” (Ap 20:3), onde o homem da
iniquidade (2Ts 2:3), o Anticristo, será revelado e haverá intensa perseguição
contra a Igreja. Essa segunda metade refere-se ao período final, a grande
tribulação que antecede a segunda vinda de Cristo.
Ainda
dentro dessa interpretação, a segunda metade não possui a mesma duração da
primeira metade, pois a semana é simbólica.
A segunda metade da septuagésima semana será um curto período de tempo, pois,
conforme Jesus falou em seu Sermão Escatológico,
“se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria;
mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias” (Mateus
24:22).
Aqui vale
uma observação de que para entender completamente a interpretação
simbólica, é preciso que se conheça a posição amilenista acerca da escatologia
bíblica, sobretudo ao que diz respeito à forma de se interpretar o milênio.
Finalmente,
o versículo 27 termina dizendo que “sobre a asa das abominações
virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será
derramado sobre o assolador” (Daniel 9:27). Os preteristas defendem
que essa frase é uma referência a destruição do Templo e queda de Jerusalém em
70 d.C. sob as ações de Tito.
Vale
também notar que Daniel utiliza expressões semelhantes a “uma abominação que causa desolação” em outras passagens
de seu livro (Dn 8:13; 11:31; 12:11). Em Daniel 8:13, por exemplo, essa frase
está diretamente relacionada à Antíoco IV Epifânio.
Porém, devido à data do decreto que utilizamos como
base para o período das 70 semanas, obviamente a passagem que estamos estudando
não pode se referir a Antíoco IV Epifânio. Logo, podemos dizer que Daniel pode
ter usado Antíoco IV Epifânio como uma pré-figura de outro governante que faria
atrocidades.
Assim, muitos intérpretes entendem que Antíoco IV
Epifânio foi um protótipo do Anticristo escatológico. Também podemos entender
que a própria profanação promovida por Antíoco IV Epifânio, prefigurou a
destruição promovida por Tito em 70 d.C. que, juntas, também prefiguram o
período de domínio do Anticristo escatológico.
Essa parece ter sido a interpretação de Jesus em
seu Sermão Escatológico (Mt 24:15; Mc 13:14). Se entendermos desta forma, então
essa frase se trata de uma profecia de múltiplo cumprimento, algo que é comum
nas profecias do Antigo Testamento.
Conclusão
sobre as 70 semanas de Daniel
Mais uma
vez quero dizer que a profecia das setenta semanas
realmente se trata de um texto bastante difícil de interpretar,
portanto é preciso que haja humildade entre os que se propõe a debatê-la e
respeito com os que pensam de outra forma.
Apesar de todas as dificuldades apontadas, vale
ressaltar que na Bíblia não há qualquer erro ou contradição, ou seja, as
opiniões conflitantes não significam que o problema esteja no texto bíblico,
mas em nossas interpretações, que buscam entender detalhes que Deus achou por
bem não nos revelar de maneira tão clara.
Por fim,
penso que antes de qualquer debate sobre detalhes específicos dessa profecia,
precisamos apontar para o glorioso cumprimento da mensagem principal que ela
nos traz, a saber, a obra redentora do Messias.
Isso certamente nos leva a admirar a verdade de que somente um Deus soberano, Senhor da História, é quem poderia
revelar mistérios tão profundos ao seu Servo Daniel.
Fonte:
https://estiloadoracao.com/as-setenta-70-semanas-de-daniel/
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