Assembléia de Deus Ministério Estudando a Palavra
Pastora Maria Valda
A IGREJA DO SÉCULO 2
1 Timóteo 4.1,2
Introdução: Relativismo moral, corrupção, incertezas, tem sido o império das trevas aparentemente ganhando forças, tem sido o cenário do presente século 21. Como responder as questões do nosso tempo? Como Igreja de Cristo deveríamos ser a solução onde os sistemas mundanos falharam? Será que a nossa missão é mudar o sistema? O Ministério da Reconciliação dado a Igreja através da pregação do Evangelho é carregado de graça e verdade, misericórdia, justiça e juízo. Parafraseando Jacques Ellul: A mensagem do Evangelho apresenta O totalmente Outro, portanto não vai dar certo no mundo. Os principais mensageiros de Deus foram assassinados pelo sistema desse mundo. Temos que manter a nossa responsabilidade profética e há muitos desafios como Igreja, mas de tudo que precisamos fazer a princípio é:
– Discernir o presente século andando como sábios, remindo o tempo;
– Compreender qual a mensagem do Espírito para o nosso tempo: “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz as igrejas...”
– Conhecer e atuar no poder que temos em Cristo como Igreja para cumprirmos nossa missão.
I. DISCERNINDO O NOSSO TEMPO
1) O Senhor Jesus exortou os do seu tempo por sua hipocrisia e insensatez: “Hipócritas! Sabeis muito bem interpretar os sinais da terra e do céu. Como não conseguis discernir os sinais do tempo presente? ” (Lucas 12.56 KJA).
2) Características da Igreja do século 21. (1 Tm 3.1-9)
Neste texto podemos perceber que a construção social da cultura ocidental impulsiona o homem a ser exatamente conforme foi descrito por Paulo há tanto tempo. Vejamos algumas das características que Paulo descreve e vejamos se ela se encaixa na nossa realidade:
• Egoístas (amantes de si mesmos): O dicionário nos mostra que "egoísmo" é o "amor exclusivo à pessoa e aos interesses próprios". Ou seja, é a preferência do "eu" ao invés do todo. Será que precisamos de alguma prova que somos todos egoístas? No tempo dos apóstolos em Atos a palavra nos mostra que "todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum" Atos 2:44. As características da Igreja são avessas aos interesses próprios, pois o nosso interesse é fazer a vontade de Deus e não a nossa.
• Avarentos: O dicionário nos diz que "avareza" é o "apego sórdido ao dinheiro para o acumular" e ainda é a "falta de generosidade". Infelizmente a avareza também já faz parte nas nossas comunidades e denominações. Nos tempos de Jesus ele limpou o templo com um azorrague e certamente limpará também nos nossos dias. O que verdadeiros cristãos fazem com seu dinheiro: "Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade" Atos 2:45."Não podeis servir a Deus e às riquezas" Mateus 6:24.
• Presunçosos: Os presunçosos são pessoas que demonstram excessiva confiança ou orgulho exagerado em si mesmos. Eles confiam em si e não são humildes ou modestos, mas são excessivamente arrogantes e desprezíveis não considerando as outras pessoas. Uma outra tradução para esta característica é exatamente a arrogância.
• Soberbos: De igual modo, os soberbos são altivos, orgulhosos e arrogantes. Porém esta atitude está mais ligada ao fato dessas pessoas se consideraram melhor que as outras. O soberbo sempre exige o melhor lugar, a melhor companhia, o melhor de tudo. É a exaltação do eu em detrimento do meu próximo.
• Blasfemos: Os blasfemos são aquelas pessoas que enchem a sua boca de violência, crueldade, insultos ou são rudes no falar. Que mentem, são dissimulados, caluniadores e difamadores. Quem anda na direção do Espírito é diferente (Pv 10:31-32; Mt 12:34). Ou seja, aquilo que falamos representa quem somos.
• Desobedientes a pais e mães: O século nos ensina que os nossos pais são velhos e não entendem os novos tempos e as novas ideias. A bíblia, porém, nos ensina o contrário: ela nos ensina a honrar nossos pais (Ex 20:12).
• Ingratos: Para entendermos a ingratidão é necessário compreender a gratidão. A gratidão é o sentimento de lembrança e agradecimento por algo realizado em relação àquele que realizou o ato. As festas judaicas eram para lembra o povo os feitos do Senhor. Hoje temos a Ceia do Senhor como memorial. Só vão para o inferno os ingratos que não receberam com gratidão a salvação de Deus!
• Profanos: Os profanos são aquelas pessoas que não se importam com a santidade ou em se santificarem a Deus. São pessoas que vivem suas vidas despreocupadamente em seus delitos e pecados diariamente. Elas são pessoas normais como eu e você, mas desprezam viver uma vida de oração e de leitura da palavra de Deus. Eles até sabem da importância de viver dessa forma, mas não se importam em viver do seu próprio modo seguindo suas próprias paixões.
• Sem afeto natural: O original grego nos revela o sentido de uma pessoa insensível e desumana. Em nosso tempo o capitalismo selvagem nos torna pessoas assim. Hoje vemos que somos demasiadamente desumanos e insensíveis com as pessoas. Parábola do bom samaritano, o nosso próximo são todas as pessoas à nossa volta.
• Irreconciliáveis: Os irreconciliáveis são aquelas pessoas que, caso tenham alguma desavença com alguém, se recusam fortemente a se reconciliar por motivos fúteis. São implacáveis e não tornam atrás em suas decisões. É uma característica clara daqueles que não possuem o fruto do Espírito.
• Caluniadores: Os caluniadores são aqueles que acusam falsamente e são encrenqueiros buscando sempre uma confusão, bate-boca ou complicações.
• Incontinentes: Os incontinentes são pessoas que não possuem moderação ou não se contém. Está relacionado a falta de moral e a uma conduta degradante da pessoa. É o contrário do domínio próprio, que é parte do fruto do Espírito.
• Cruéis: O sentido no original grego para os cruéis está mais amplo. O sentido é de uma pessoa incontrolável, selvagem e feroz. Que naturalmente machuca as pessoas à sua volta sem se preocupar.
• Sem amor para com os bons: Aqui o sentido é exatamente este mesmo. São pessoas que não se alegram com aqueles que estão cheios de Deus ou que fazem o bem. Talvez por motivos interesseiros ou por inveja e ganância. Infelizmente isso também acontece com grande frequência.
• Traidores: A traição é a maior prova da falta de caráter de uma pessoa. Demonstra que somos pessoas invejosas, orgulhosas e que não nos importamos com as pessoas ao nosso redor.
• Obstinados (precipitados, imprudentes): A tradução em português trouxe "obstinado", mas o sentido não é este. O melhor sentido para esta característica é precipitado, imprudente. Pessoas que não consideram antes de fazer alguma coisa ou de tomar alguma posição.
• Orgulhosos: Os orgulhosos também são pessoas presunçosas e soberbas que se julgam melhor que os outros. Porém esta característica vai um pouco além das duas anteriores. O sentido no original grego é de alguém tão orgulhoso que este orgulho o faz cegar em densas trevas. Ou seja, por se tornar uma pessoa orgulhosa, estas pessoas não conseguem se desvencilhar em uma névoa de orgulho que os cobre e cega.
• Mais amigos dos deleites do que amigos de Deus: Hoje vemos que a maioria das pessoas se entrega a muitos prazeres em detrimento de se entregarem a Deus e ao Espírito Santo, Talvez essa seja uma das grandes características do nosso tempo.
• Aparência de piedade, mas negando o seu real poder: Aqui é um dos pontos culminantes pois fala de hipocrisia e falsidade, e na sequência do texto (v.6) mostra um tipo de gente que se aproveita de pessoas também cheias de desejos promíscuos e mergulham nessa podridão. São os falsos profetas e mestres interesseiros.
• Sempre aprendendo, mas jamais conseguem chegar ao conhecimento da verdade: São pessoas que ouvem, ouvem e ouvem a Palavra mas não tem efeito, pois o conhecimento da verdade liberta (Jo 8.32)
Agora vejamos o que o Espírito tem a dizer em sua totalidade a essa Igreja.
II. O QUE O ESPÍRITO TEM A DIZER PARA A IGREJA NO PRESENTE SÉCULO?
O Apocalipse nos apresenta em seus três primeiros capítulos a mensagem do Espírito de Cristo às Sete Igrejas da Ásia Menor. Sabemos que a mensagem a princípio foi para aquelas igrejas do passado, mas que em sua totalidade compreendemos também que fala as igrejas do nosso tempo. Sete pecados e sete virtudes foram reveladas pelo Espirito em Apocalipse 2 e 3 e sete vezes aparece: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça o que o Espírito diz às Igrejas...”:

Sete pecados que a Igreja não deve cometer
1º) Tradicionalismo
2º) 2º Covardia
3º) Heresia
4º) Idolatria
5º) Hipocrisia
6º) Intolerância
7º) Soberba
Sete virtudes que a Igreja deve manter
1) Amor
2) Fidelidade (Martírio)
3) Amor a Verdade
4) Abnegação
5) Autenticidade
6) Misericórdia
7) Humildade
Agora vejamos que poder temos como Igreja de Cristo para vencer.
III. COMO IGREJA, QUE PODER ATUA EM E ATRAVÉS DE NÓS?
Ao orar pela igreja de Éfeso o apóstolo Paulo deixou explicito o que a Igreja precisa saber sobre a sua vocação e sobre o poder que em nós opera (Ef 1.16-20).
1) Uma oração para termos revelação. Paulo ora para que tenhamos um espírito de sabedoria e revelação e para que os olhos do nosso coração sejam iluminados para que saibamos qual é a esperança do chamamento de Deus, a riqueza da glória da herança de Deus nos santos e a suprema grandeza do poder de Deus para conosco, os que cremos (Ef 1:17-23):
• Temos de ser amigo de Deus, pessoas que entendem o Seu coração; temos de ver, conhecer e ter a visão da eternidade, uma visão que nos apanha e captura com tal intensidade que vivemos a vida da eternidade e fazemos a obra da eternidade (Gl 1:15-16; 2:20; 4:19; 1Co 2:9-10; 6:17; 15:10; 16:10).
• A esperança do chamamento de Deus é “Cristo em vós, a esperança da glória” (Cl 1:27). A esperança do chamamento de Deus é a consumação final do nosso desfrute de Cristo, que será a transfiguração do nosso corpo e a manifestação dos filhos de Deus (Ef 4:4; Fp 3:21; Rm 8:19, 23-25).
• A riqueza da glória da herança de Deus nos santos - fala de Deus nos selar Consigo mesmo para nos tornar a Sua herança para o Seu desfrute e de Deus Se dar como penhor a nós para se tornar a nossa herança para o nosso desfrute (Ef 1:11, 13b-14, 18). A glória de Deus tem sua riqueza, que são os diversos itens que constituem os atributos divinos de Deus, tais como luz, vida, poder, amor, justiça e santidade, expressados em graus diferentes.
• A suprema grandeza do poder de Deus – o poder de ressurreição, poder de ascensão (transcendente), poder de sujeição (subjugador) e poder de encabeçamento (governante) – opera “em nós”, é “para conosco, os que cremos” e é para “a igreja” (Ef 3:20; 1:19-23).
Como Igreja fomos chamados acima de tudo a transmitir a Glória e a Vida de Deus!
Conclusão: Como Igreja do século 21 precisamos avançar pois a Vinda do Senhor está próxima. Que não sejamos o cumprimento das profecias negativas e sim aqueles que venceram pelo Sangue do Cordeiro, pela Palavra do seu testemunho e que não amaram as suas vidas até morte (Ap 12.11).
Que Deus nos abençoe,
Professor, José Fábio