UM EVANGELHO “CHEIO DE GRAÇA” É SEM GRAÇA!
Por Silvio Costa -
5 de julho de 2016

Estilos
de pregação são distintos no campo homilético; formas de pregar são variadas
num universo de oportunidades e em cenários de ambiente; de forma que cada
pregador apresenta peculiaridades em sua maneira de apresentar um sermão
bíblico – isso tudo é comum em nossas reuniões e eventos – só que o pregador não pode comprometer a
aplicação da mensagem por conta de seu estilo. Em
contrapartida, existe preferência por parte de quem escuta a pregação – e há
alguns que preferem uma mensagem mais bem elaborada, encorpada com teor
bíblico; outros de uma exposição mais espontânea e emotiva e ainda aqueles que
gostam do “movimento”, de pregadores que gritando ao microfone “quebram tudo”,
pois o que conta é o “reteté” que na compreensão destes é sinônimo da manifestação
do poder de Deus.
Antes,
preciso esclarecer que eu não tenho nada contra palestras bem-humoradas, em
anedotas “evangélicas” que se margeiam pelos limites do conveniente; em
ilustrações que apesar de cômicas não saem dos trilhos da seriedade – pois o que
deve se destacar é a mensagem cristã. Também não curto pregadores que parecem
“espalhadores de medo”, expoentes de uma “mensagem carrancuda”, eloquentes das
sentenças divinas – que não apresentam remédio, muito menos salvação e o céu –
gente que fazendo uso da Palavra fere o auditório, envergonha determinados
ouvintes e expõe ao ridículo em ajuntamentos públicos certos casos já
conhecidos pelos presentes – isso não é pregação do Evangelho, é absoluta falta
de bom senso!
Eis
que eu sou contra os profetas, diz o Senhor, que usam de sua própria linguagem,
e dizem: Ele disse (Jr 23:31)
Feitas as minhas considerações, a reflexão em curso mira em outra figuração
homilética bem apreciada em nossos dias – as pregações “cheias de graça”. Mas, não são cheias de graça no
sentido de serem carregadas de dons, favores ou dádivas de Deus – são “cheias
de graça” por que são engraçadas, porque muitas igrejas promovem, por que fazem
a gente rir de montão e como programa de fim de semana é melhor que qualquer
stand-up comedy porque é gospel! É impressionante como esse estilo de pregação
consegue atrair a atenção do auditório que absorto não perde nenhum gracejo do
“hilariante-pregador”. Alguns irmãos choram de tanto rir, e a congregação que
deveria ouvir a Palavra do Senhor em reverência, descamba numa frenética
casquinada, pois frente ao que o pregador sugestiona o santo tornou engraçado,
o sério foi despojado de sua rigidez necessária e o templo tornou-se numa casa
de humor (chocarrices).
O
meu corpo estremece diante de ti; as tuas ordenanças enchem-me de temor (Sl
119:120)
Na
verdade, não há motivos para risadas pois estamos diante de um circo de
irreverências; frente a seguidas violações da “casa de Deus”,
diante de homens que fizeram da pregação um show e do templo um local de
espetáculos. Não existe justificativa ou argumento que me convença do contrário
pois a falta de temor no que se faz e no que se fala em muitos púlpitos é a
manifestação mais escancarada de profanação! Estamos sacrificando porcos no
altar reservado aos cordeiros ao ceder nossas tribunas sagradas a “pregadores
cheios de graça” que ministram sob as vidas de muita gente “sem graça” e que
apesar do riso, da comédia e do humor, continuarão sem receber a verdadeira
graça de Deus. Amados, igreja não é lugar de piada é lugar da genuína Palavra
de Deus; é local santo e de reverente adoração a Cristo; é ambiente privado à
espiritualidade – é também ambiente da manifestação do Santo Espírito!
Senti
as vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em
pranto, e o vosso gozo em tristeza (Tg 4:9)
Depois dessas reuniões “cheias
de graça”, o povo volta para casa com o humor em alta, mais leves de suas
tensões – pois riram à vontade; e o tal pregador passa a ser mencionado como
“aquele pastor engraçado”, indicado inclusive a outros que não foram à reunião
das piadas e das encenações cômicas, onde o “comediante-pregador” com um tom de
voz que remetia à alguma imitação brincalhona – fez todo mundo achar graça do
sermão apresentado. Estamos
diante de um modismo perigoso e pseudo da pregação do evangelho; estamos dando
ao povo o que eles querem e não o que precisam. Nunca encontrei uma mensagem cômica de
Jesus, Paulo, Isaías, Daniel, João Batista e muito menos de Deus em qualquer
parte da bíblia falando ou revelando-se de forma engraçada – e essa meus irmãos
é a característica da pregação cristã, pois é uma pregação séria, tratando de
assuntos sérios e revelando um Deus que jamais brincou no que disse e fez.
Que Deus ilumine nossas mentes
e corações e que nossos líderes sejam mais criteriosos ao convidarem certos
pregadores para nos trazerem as mensagens de Deus expostas na bíblia.
Fonte: https://colunas.gospelmais.com.br/um-evangelho-cheio-de-graca-e-sem-graca_31765.html