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domingo, dezembro 02, 2012

A PROCURA DA IGREJA PERFEITA




Por Robson Aguiar
Com o crescimento dos evangélicos no Brasil, cresceram o número de políticos crentes, cresceram também a venda de materiais voltados para ao publico cristãos. Os cantores gospel ganharam notoriedade na rádio, internet, jornais, revistas e televisão, e a mídia falada, escrita e televisiva passaram a dar maior destaque aos eventos protestantes. Eu diria que estamos vivendo na antiga Terra de Santa Cruz, um momento de mudanças no estilo constantiniano, se assim podemos conceituar.
Mas, quando nos reportamos à igreja primitiva, que não tinha tanta liberdade e conforto no servir Jesus, é impossível não notarmos o que movia o coração dos primeiros crentes. Podemos destacar alguns fatos importantes que delineavam os traços espirituais daqueles cristãos.  Sabemos que no período do império romano, a igreja sofreu grande perseguição, de tal modo que tinham que abrir mão de bens materiais e de sua liberdade para continuar professando sua fé em Cristo. Mas, na verdade a perseguição começou pelos próprios judeus e depois teve continuidade com os romanos, como bem relata Eusébio de Cesaréia em seu livro História Eclesiástica, e também Benjamin Scott no livro “As Catacumbas de Roma”. Eram tempos de muita dificuldade, pois manifestar-se cristão significava se tornar alvo de perseguição e morte.
Interessante nisso tudo era o fervor com que serviam a Deus os crentes dessa época. Mesmo tendo que adorar a Deus em casas desconfortáveis (pois no grande Templo não eram bem vindos), e em lugares desertos ao relento, e até no subsolo, eles não abandonavam a fé, não faltavam reuniões de oração e leitura bíblica. Não obstantes tivessem que adorar a Deus em lugares escuros e por vezes, sem ter onde se assentar perseveravam na adoração e fidelidade a Deus.
O nome da denominação não era importante nesse tempo, afinal, nem havia divisões que levassem ao surgimento das denominações.  Então, para eles o mais importante era ter um lugar onde pudessem adorar a Deus e expressar a fé. Humildade e simplicidade era uma marca daqueles primeiros cristãos. Ninguém estava ali buscando se projetar, afinal, nem havia como, pois eles eram odiados pela sociedade judaica e romana.  Ninguém estava ali atrás de posição social, pois haviam deixado tudo para trás na busca da salvação. Os pastores não tinham que se preocupar com a arquitetura do templo, com poltronas confortáveis, com um som ultramoderno, pois não havia templo. Então quem quisesse servir a Jesus, faria isso, não pelo que Jesus ou a igreja poderia lhe dar, mais, pelo que o Senhor significava para aquela pessoa. Podemos perceber que as palavras de Cristo a mulher samaritana, que os verdadeiros adoradores, adorariam ao Pai em Espírito e em verdade estava se cumprindo de fato naqueles dias.
Mas, hoje em dia, parece que muitos crentes ainda não se situaram na igreja, não sabem ainda o que realmente querem, estão sempre procurando algo mais, não sobrevivem espiritualmente sem uma novidade que os segurem onde estão, por mais que a igreja tente ajudá-los, nunca estão satisfeito, vêem defeito em tudo, dando a impressão que são perfeitos e tudo ao seu redor contém erros,  então passam a buscar novos atrativos que lhes satisfaçam o ego. Igrejas e ministérios segundo o que eles desejam, não segundo o modelo bíblico. Para essas pessoas, a igreja é como um supermercado ou um teatro, ou os alimenta ou os distrai.
Para atender a essa demanda, alguns pastores tem feito de tudo. Por exemplo, existem igrejas hoje que para atrair e segurar os surfistas fizeram um púlpito em formato de prancha de surfe e usando uma linguagem característica dos que praticam esse esporte, até mesmo o batismo foi inovado por essa igreja, sendo realizado em toboáguas, mesmo assim, há quem critique e abandone a igreja.
Outro pastor aproveitou a fama do MMA, e radicalizou, trouxe para a sua igreja um octógono, criando o MMA cristão. Um ministério de artes marciais. Nada contra as artes marciais, ou seus praticantes, mas, igreja, na minha opinião, não é o lugar mais adequado para isso, pois foi construída e consagrada para adoração a Deus.
Sem contar aqueles que para agradar a ala espiritualista, realizam em seus templos os “retetés”, ou seja, lá como queiram denominar. Permitindo todo tipo de movimento espúrio, profetadas e danças espirituosas, além de outras aberrações. Tudo isso para manter a igreja cheia. É o vale tudo gospel.
Não sei aonde vamos para com isso tudo. Não sou contra técnicas novas de evangelismo, não sou contra templos suntuosos, não tenho nada contra a modernidade, acho que temos que aproveitartodos os recursos que estão ao nosso alcance para cumprirmos a tarefa que nos foi delegada por Cristo, agora, tem gente que exagera nessa ferramenta.  Já cheguei à conclusão que não adianta tentarmos agradar a todos, nos desviando do que aprendemos dos nossos pais na fé, pois sempre vai haver alguém insatisfeito com alguma coisa, sempre verão defeitos.
Os nômades de igrejas vão continuar suas peregrinações independente do formato das igrejas, do conforto que possa oferecer, da mensagem do pastor, dos departamentos que existam na congregação, da existência ou não de ação social, dos bancos confortáveis ou da central de ar condicionado, do som perfeito, data show ou de qualquer outra coisa, pois nada satisfará os consumidores da fé, os midiáticos cristãos, os críticos de plantão, que estão no templo para qualquer outra coisa, menos para SERVIR e ADORAR a Deus.
Com certeza, algumas pessoas se identificarão com esse texto. Outros dirão que escrevi para eles, mas, ainda outros refletirão e permitirão que essa mensagem mude seu modo de pensar e de agir.
Procurarão serem melhores cristãos hoje, do que foram ontem, e não, mas permitirão serem influenciados pelos descontentes e pelos murmuradores que ao invés de transmitirem mensagens de edificação e fé, procuram alimentar a dissensão e crítica infrutífera.
Pr. Robson Aguiar

Fonte: http://searanews.com.br

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